Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-02-2013

SECÇÃO: Opinião

UM CABECEIRENSE NO CANCIONEIRO DE GARCIA DE RESENDE (1516)

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(continuação)

O PRIMEIRO MARRAMAQUE
É pela alcunha de “Marramaque” que João Rodrigues Pereira, 4º senhor do concelho de Cabeceiras de Basto, vai ser mais conhecido. O prestígio desta figura vai transformar a alcunha em “apelido” ainda hoje existente.
É muito discutida a origem desta alcunha. Os filólogos inclinam-se para o árabe “mabuenz”, que em castelhano se transformou em “maroma” e no português “marramaque” ou “maromaque” ou ainda “marramaca” (aldeia do concelho de Marvão), tudo significando “pano do ouro”, ou seja, uma vestimenta de bom pano.
Já o historiador e genealogista Braancamp Freire, celebrado autor de “Os Brasões da Sala de Sintra”, aventa que provirá do inglês “Merri-Maker”, ou seja, “um companheiro jovial, um folgazão que produz merriment, isto é, alegres gargalhadas”. Lembra que ao tempo se encontravam em Portugal muitos ingleses que vieram para a Corte da sua conterrânea D. Filipa de Lencastre e para o exército de D. João I. E o nosso conterrâneo cabeceirense, amigo de Resende era alegre, jovial, folgazão e galhofeiro. E daí a alcunha de “Marramaque”. Mas este “Marramaque” também era colérico e bom guerreiro. Vejamos este episódio: “Nos princípios de 1475 desavindo-se, por motivos ignorados, com o abade (D. Diogo Borges) e os monges de Refóios, juntou a sua gente, pôs cerco ao Mosteiro e não o podendo entrar, deitou-lhe fogo. Chegou a arder uma casa e, no meio da confusão e desordem, morreram dois homens dos seus” (GEPB - vol. 21º - p.151). Fugiu para o vizinho reino de Castela com a sua gente, para fugir à justiça real. Mas no caminho do exílio envolveu-se em outro motim, com a sua tropa, resultando a morte de um outro seu homem.
Valeu-lhe o perdão de D. Afonso V a sua atitude de, quando este invadiu Castela, o Marramaque, que aí estava escondido, “apresentou-se, alistou-se, inscreveu-se no livro dos homiziados que El Rei mandou fazer, e serviu até ao fim da Campanha. Terminada esta, regressou para Portugal com D. Afonso V, que lhe deu um alvará para (…) alcançar o perdão (…) dos parentes dos três mortos” (B. Freire).
Foi perdoado em 1476. Casou 20 anos depois, já quarentão, com D. Maria da Silva, filha do senhor de Figueiró e Pedrógão, a quem dotou com dez mil coroas de cento e vinte reais. Deste casamento foi primogénito António Pereira (que abominava a alcunha de seu pai), o culto 5º senhor do concelho e terra de Cabeceiras de Basto, mui fragosa e montanhosa, “e não tem vila nem castelo, salvo as casas da Taipa (…) fortes, com muro e torre” ( Numº. de 1527) .
O 1º Marramaque faleceu no fim do ano 1517 e à sua viúva foi dada “uma tença de quarenta mil reais, a começar no Janeiro seguinte, para criação de seus filhos até o segundo deles ser de vinte annos” (B. Freire).
Repousa na “Capela de S. Pedro” na igreja do Mosteiro de São Domingos de Guimarães, que é o “Panteão” da ilustre família dos “Pereiras de Cabeceiras” .

(continua)

Por: Francisco Vitor Magalhães

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