Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-02-2013

SECÇÃO: Entrevista

Hélder Gonçalves: um jovem prodígio na Música

Quando era criança queria ser engenheiro eletrotécnico, estando longe de imaginar o que o futuro lhe reservava.
Hélder Gonçalves é hoje um jovem prodígio no mundo da Música. Com apenas 32 anos, conseguiu já alcançar um patamar de destaque no panorama nacional. É músico honorífico dos quadros efetivos da Banda Sinfónica da GNR onde é solista, assim como da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, exercendo também o cargo de professor de clarinete e orquestra no Conservatório de Metropolitano de Música de Lisboa e Cascais, sendo ainda professor de clarinete convidado da ‘Master Classe’ que se realiza em Amarante e que conta com a participação de professores e maestros nacionais e internacionais e, também, de alunos do Ensino Superior de vários pontos do país.
Hélder António da Silva Gonçalves nasceu em 1980 em Refojos, Cabeceiras de Basto. É filho de José António Teixeira Gonçalves e Maria da Conceição Pereira da Silva, pai de uma menina – Maria Inês, sendo casado com Maria João, solista do Coro da Gulbenkian. Por força da sua carreira profissional, reside atualmente em Cascais.

Hélder Gonçalves, jovem músico cabeceirense
Hélder Gonçalves, jovem músico cabeceirense

Jovem músico começou
a tocar na Banda Cabeceirense

Foi aos 9 anos de idade que Hélder começou a tocar na Banda Cabeceirense e, “como gostava de instrumentos pequeninos”, deram-lhe uma requinta (clarinete mais pequeno da família). À reportagem do jornal Ecos de Basto, confessou que “apesar dos problemas apresentados pela requinta” começou a destacar-se, vendo, a cada dia, os seus dotes musicais serem elogiados.
“As pessoas diziam ao meu pai que eu tinha que seguir música e até o próprio Padre Joaquim Santos lhe falou”, disse com satisfação.
Sem imaginar o mundo competitivo que teria pela frente, Hélder ingressou aos 14 anos na Escola Profissional Artística do Vale do Ave (ARTAVE) na classe do professor Francisco Ribeiro. Concluiu os estudos em clarinete com a melhor nota, 19 valores. Foi nessa altura que começou a frequentar ‘master classes’ com grandes clarinetistas a nível nacional e internacional e a entrar em concursos, conquistando vários prémios.
Para além dos prémios nacionais, com destaque para o 1º lugar no concurso de Música de Câmara na OPEM em Castelo Branco, em 1999, Hélder conquistou também o Prémio de Melhor Músico Interprete de Música Contemporânea, um prémio internacional que lhe foi entregue no âmbito da Capital Europeia da Cultura – Porto 2001 – na Fundação Serralves.
“Fiquei mesmo muito contente”, revelou.
Hélder tirou a Licenciatura na Escola Superior de Música de Lisboa, começando aos 22 anos a dar aulas de clarinete no Conservatório Regional de Música de Coimbra e reforço nas principais orquestras nacionais. Depois do Mestrado em Clarinete, Hélder encontra-se neste momento a frequentar o Curso de Direção de Orquestra com os maestros Alberto Roque e Jean-Sébastien Béreau, o que considera “um privilégio”.
Pianista Ana Telles e Maestro Jean-Sébastien Béreau
Pianista Ana Telles e Maestro Jean-Sébastien Béreau
Para além de ser o professor convidado de clarinete da ‘master classe’ a nível nacional, que se realiza em Amarante, Hélder dá também muitas outras ‘master classes’ em território nacional.
É membro fundador do Trio Madeiras ‘Impromptus’ e do Quarteto de Clarinetes ‘4Reeds’, destacando-se os concertos na abertura dos ‘Jogos de Lisboa’ em 2001, do Euro 2004, CCB, entre muitos outros.
Há três anos foi lançado o CD do ‘4Reeds’ que integra os músicos Hélder Gonçalves, Paulo Gaspar, Rui Travasso e Pedro Ferreira (clarinete baixo), um quarteto de clarinetes que esteve em Cabeceiras de Basto há cerca de quatro anos, onde tiveram “lotação esgotada”.
Apesar de estar longe fisicamente, Hélder mantém um contacto estreito com a Banda Cabeceirense, onde começou a dar os primeiros passos no mundo da Música, e onde tem, agora, o afilhado que, à semelhança do padrinho, também toca clarinete.
Sem a Banda e o trabalho que iniciou em Cabeceiras de Basto, Hélder confessa que não teria tido a possibilidade de ingressar no mundo musical, muito menos ter chegado onde chegou.
Hélder Gonçalves, integra a Orquestra de Câmara da GNR que interpretou o 'Concerto para Piano e Orquestra'
Hélder Gonçalves, integra a Orquestra de Câmara da GNR que interpretou o 'Concerto para Piano e Orquestra'
“Quando entrei na Banda Cabeceirense não sabia muito bem como é que as coisas funcionavam e só quando fui para a ARTAVE é que me comecei a aperceber das dificuldades do mundo da música. É um mundo muito complicado e muito competitivo e, por isso, chegar ao topo é mesmo muito difícil” e deu um exemplo: “quando concorremos ao Ensino Superior no Porto ou em Lisboa só existem duas a três vagas, no máximo, para cada instrumento”, justificou.

Estreia da peça a nível nacional do Padre Dr. Joaquim Santos

Em 2004, o cabeceirense Padre Joaquim Santos dedicou o ‘Concerto para Piano e Orquestra’ à grande pianista portuguesa Ana Telles e ao maestro Jean-Sébastien Béreau, uma peça que foi estreada em Itália.
Após o falecimento do Padre Joaquim Santos, no ano de 2008, Ana Telles, em jeito de homenagem, decidiu apresentar a peça em Portugal, dando corpo à partitura a Orquestra de Câmara da GNR, dirigida pelo maestro Béreau. Hélder Gonçalves integrou a Orquestra naquela noite de 17 de novembro de 2012, no Teatro Municipal de Almada, em Lisboa.
“Quando soube que iam apresentar o ‘Concerto para Piano e Orquestra’ em Portugal eu disse que queria tocar essa obra e foi um grande prazer”, contou o músico cabeceirense, considerando que “a linguagem do concerto é uma linguagem diferente daquilo que as pessoas estão habituadas a ouvir do padre Joaquim Santos”.
E partilhou um episódio: “alguns grandes músicos que lá estavam a assistir perguntaram-me: tens a certeza que Joaquim Santos era padre? E eu disse-lhes o que ele próprio dizia: que fazia música para ser tocada na Igreja mas que também fazia música mais elaborada quando lhe pediam, como a Ana Telles. É uma linguagem diferente mas muito interessante que ficará para a história no nosso país”.
Hélder confirmou que “gostava muito” de trazer a Orquestra de Câmara da GNR ou a Banda Sinfónica da GNR a Cabeceiras de Basto, pois a Banda da GNR é uma das instituições culturais mais importantes do nosso país. Quanto ao ‘Concerto para Piano e Orquestra’ do Padre Joaquim Santos, “seria uma homenagem fabulosa se o trouxéssemos a Cabeceiras de Basto”, expressou.
Apesar de ter nascido numa terra do interior Norte de Portugal – Cabeceiras de Basto, vila que o músico considera “lindíssima” – isso não o impediu de chegar onde chegou.
Nos últimos 18 anos, “Cabeceiras de Basto sofreu alterações gigantes, notando-se um grande progresso”, sublinhou, apontando como exemplos a importante recuperação da Casa do Barão – Casa da Cultura, assim como da antiga cadeia, hoje Casa da Música, equipamentos “fabulosos” que agora estão ao serviço da população nas áreas da cultura e das artes.
Com uma carreira profissional pautada de sucessos, Hélder Gonçalves continua a cada dia a dar passos firmes no mundo da Música, levando não só o seu dom e talento aquém e além-fronteiras, como também o nome de Cabeceiras de Basto, terra que o viu nascer há 32 anos.

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