Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-12-2012

SECÇÃO: Recordar é viver

Digníssima D. Fernanda Carneiro

Tive a honra e felicidade de a conhecer, pois aprecio muito as belas crónicas que escreve no “Ecos de Basto”.
Prometi na altura que lhes ia enviar uns modestos e humildes versos de Natal. O prometido é devido, portanto, desejo-lhes umas Santas Festas Natalícias e um próspero Ano Novo de 2013,com muita felicidade para toda a família.
Com cumprimentos amigos
Florêncio Campos

Poema de Natal

Soube o homem julgar toda a verdade
Quando repicaram sinos
Visão ou sonho? Mistério ou realidade?
Acesa a fé, desvendaram-se destinos!

Sagradas mensagens
Trazia Jesus
Nos olhos – paisagens
No corpo – uma cruz

Nas mãos fustigadas
Trazia perdões
Nos pés – caminhadas
Na alma – orações

Só eternidade
Trazia consigo
Nos gestos – bondade
Na voz – um abrigo

Sobre as árvores, sobre os frutos
Sobre os pássaros e as flores
Verticalmente cai neve
Inesperada brisa de assombros
Passa pela noite e a descreve


Íntimos sonhos cada um desdobra!
É natal. E o natal aquece!
Canção há mais de dois mil anos sugerida
E que hoje transparece como o Amor e como a Vida!

Encontro de Anjos no Céu, e na terra,
De mãos dadas, as crianças
Encontram-se com Deus.
Assombradas pombas mansas
Foram dádiva de amor,
Nessa noite desenhada
Com silêncios de luar.
Humilde sentiu-as nos olhos
O Menino Jesus ao acordar!

Quem nos deu esta certeza
Que temos no coração?...
Quem foi o Rei sem alteza
Que rasgou a escuridão?...

Em toda a alma deserta
Aconteceu permanência
Foi a simples descoberta
Do que em nós só era ausência!

Ó meu Jesus pequenino
Atira ao ar as estrelas
Que há nos teus olhos doirados
Cada uma é um destino!
E em teus gestos cheios delas
Quantos destinos guardados!...
Ó meu Jesus pequenino
É natal! Não há pecados!

O Mistério deste dia
Vive em nossos corações
Como no da Virgem Maria
E, em cada criança
Um sorriso casto e vago
Tem a grandeza da esperança
A desfolhar no chão de todos nós
As rosas de um afago!


De opaca e dura tornou-se a hora clara
Bem o sentia quem tinha Deus no peito
Pastores vinham de longe. Caminhada rara
Com estrelas a guiá-los
Naquele instante em que tudo era perfeito!

Pelos caminhos a luz caía mole
Dum céu azul em esperanças recortado
Luz estranha como o Sol dum novo Sol
Que ali tivesse passado –
- e ali tivesse parado!
Não era noite de Inverno,
Não era noite de chuva,
Não era noite de neve,
Nem era noite de frio…

Tanta fé se concebera
Que a ternura dessa noite
Não teria outra igual.

Boa nova acontecera:
Era noite de Natal!

Noite de Natal!
Todo o silêncio tem brancas orações
E há um Rei Mago e breve em cada homem!
Ele é quem tem o ceptro e traz o incenso
Para não deixarmos ainda, que os sonhos se transformem.

Noite de vigília onde a Paz
Amadurece como um doce fruto
E os velhos cânticos que hoje o céu nos deu,
Contornam o reduto
Do menino Jesus que em nós nasceu.

Florêncio Barroso de Campos

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