Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-12-2012

SECÇÃO: Entrevista

Associação dos Antigos Atletas Cabeceirenses

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Uma associação digna de louvor

Caros leitores,
“Aqui” estou mais uma vez a escrever uma crónica que, espero, chegue junto de vós em qualquer lugar que vos encontreis, ainda antes da consoada. Não era meu intuito escrever pelo menos nesta fase menos boa que estou a atravessar mas, como diz a voz do povo “a vida continua” e, temos de fazer um esforço para continuar a nossa rotina. Neste caso, o meu “vício” de escrever. Os leitores, os amigos e a família não querem que eu deixe de fazer aquilo que gosto. Tenho a certeza que, nem o meu Nelo que Deus tem, gostaria. Ficaria desiludido que, pelo facto de “cá não estar” eu deixasse de continuar “a falar” com todos vós.
Desabafos à parte, hoje o meu tema é diferente. Vou falar da Associação dos Antigos Atletas Cabeceirenses (AAAC) e, vou dizer-vos o porquê desta escolha. Não sou muito adepta do futebol ou até de qualquer modalidade desportiva. Vou praticando hidroginástica na piscina municipal ou andando a pé (quando me dá na cabeça) porque a isso sou obrigada por motivos de saúde.
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Desde que vim morar para a Avenida, tenho observado que aos sábados de manhã, mais ou menos a partir de maio deste ano, muitas crianças de tenra idade - quatro a cinco anos e mais cresciditos até aos doze/treze anos - vêm todas equipadas com as cores dos seus clubes preferidos para o Parque do Mosteiro. Por aquilo que me é dado observar as cores que se vêm mais são as do Benfica e do Porto. Vêm acompanhados pelos seus encarregados de educação que ali os deixam, nas “mãos” de um grupo de homens abnegados, que de alma e coração se encarregam de os treinar, ensinando-os e ajudando-os a crescer. Ter disciplina, saber interagir com os parceiros de equipa, respeitar os superiores hierárquicos, respeitar os idosos e, sobretudo praticar desporto saudável para evitar a famigerada obesidade infantil, um flagelo mundial que dá origem a uma doença “silenciosa” como é a diabetes. Estes são alguns dos principais objetivos inerentes às manhãs desportivas que semanalmente a AAAC se encarrega de promover.
Pelos motivos atrás referidos, a minha curiosidade levou-me, neste último sábado, a ir ao Parque do Mosteiro ter com o Engenheiro Avelino Lima Leite, membro desta importante associação e um dos responsáveis pela iniciativa. Como ainda não eram dez horas, o parque estava quase vazio mas, o Engenheiro Avelino já lá estava a pôr as balizas e os materiais necessários para as aulas dos meninos.
Com um bloco de papel e uma máquina fotográfica em punho, fui ter com ele ao campo. Conheço-o há muitos anos, desde o tempo dos futebóis das Pereiras quando eu ia lá com o meu marido, no tempo que apreciava. Também foi professor no Colégio de S. Miguel de Refojos e deu aulas aos meus filhos mais velhos. Recebeu-me bem e dado que as dez horas se aproximavam, aceitou dar-me esta breve entevista por escrito e que agora passo a divulgar.

"A Associação de Antigos Atletas Cabeceirenses (A.A.A.C.), fundada em 17 de outubro de 2009, tem como objetivo fomentar o convívio geracional de antigos atletas, dirigentes, funcionários e amigos do Atlético Cabeceirense, promovendo e desenvolvendo atividades desportivas, recreativas, culturais, educativas e sociais sem fins lucrativos.
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Nesse âmbito, participamos com os veteranos em vários encontros desportivos, com a realização de jogos de futebol em vários pontos do país e no estrangeiro, nomeadamente em França e Suiça com a comunidade portuguesa. Para alargar a prática desportiva a outras faixas etárias, decidimos criar as «Escolinhas», para crianças dos 5 aos 12 anos, tendo neste momento mais de meia centena de participantes.
Se para os veteranos foi mais difícil arranjar um espaço físico para treinos e jogos e, de momento a utilizar as instalações do Estádio Municipal e pagando para essa utilização, para as Escolinhas foi mais fácil, porque nos foi cedido gentilmente pela Emunibasto E.E.M. o Parque do Mosteiro, o qual temos ocupado todos os sábados das 10 às 12 horas, dando vida a este espaço.
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Como o espaço nos foi cedido, os pais/encarregados de educação das crianças pagam 5 euros/mês, dinheiro que tem sido aplicado na aquisição de material – balizas, bolas, redes, equipamento, etc.
Estas crianças, distribuídas por escalões, estão a ser orientadas por antigos atletas Cabeceirenses, nomeadamente: Avelino Lima Leite, Nelo Pote, João Ribeiro, Tó Pote, Adelino, Daniel, Nelo Padeiro, Sobrinho e outros de uma forma esporádica e quando necessário, disponibilizando o seu tempo para esta atividade/projeto, esperando que dê frutos e que as coletividades do concelho comecem a ter jogadores «da casa» com formação e sentido de responsabilidade.
Cientes das dificuldades por que iremos passar, pretendemos que este projeto seja para a criança um motivo para o sucesso escolar, a sua evolução desportiva e a preparação para o mundo do trabalho – ser um Homem responsável e respeitado.
Não é o dinheiro que nos faz mover e, com a colaboração dos pais/ encarregados de educação, este trabalho dará frutos.
Bem haja a todos os que colaboram neste projeto."

Iniciativa regista agrado dos pais

Uma vez no local, aproveitei para recolher a opinião de uma encarregada de educação que estava presente, a enfermeira Anabela Granjo Rodrigues, mãe do Afonso Granjo Rodrigues Barreto Freitas, de quatro anos e coloquei-lhe as seguintes questões:
- Anabela, porque resolveu inscrever o seu filho nesta associação?
- Para além da atividade física que faz parte do um comportamento saudável desde pequeno, há também a componente lúdica, o convívio e a aprendizagem de regras, disciplina e, também, a interligação com as várias idades. O desporto em si, neste caso o futebol, agora juvenil, também é importante no combate à obesidade infantil sendo o mesmo acompanhado de uma alimentação saudável e regrada.
- Já o inscreveu há muito tempo?
- Já vai para mais de um ano. Pagamos uma simbólica contribuição.
- Anabela, o Afonso está a gostar? Custa-lhe levantar cedo para estar a horas no parque?
-Gosta muito, vem a horas sem custo nenhum.
- Acha importante a existência destas associações que criam atividades para as nossas crianças?
- São muito importantes, porque as atividades que promovem contribuem para a integração dos jovens na sociedade, assim como, para o seu crescimento e formação enquanto homens. O futebol, não é só jogar à bola (físico), é mais do que isso. É também, no que toca à cidadania, um contributo importante para serem pessoas mais preparadas no futuro, incutindo-lhes valores como o respeito pelo próximo e contribuindo para melhorar as relações de grupo.
É portanto, de louvar o contributo que a Associação dos Antigos Atletas Cabeceirenses dá para a formação destes jovens - que são os homens de amanhã - demonstrando assim, a sua preocupação com a construção de um futuro melhor.
Este foi o testemunho de uma mãe, onde ficou bem patente a importância deste tipo de coletividades, cuja existência permite a realização de atividades que envolvem a comunidade, dispondo do tempo livre dos seus associados e dirigentes para levar a cabo ações diversas que, permitem ensinar mas também, aprender e desta forma contribuirem para a ocupação salutar dos tempos livres das crianças e jovens, desta feita, através da promoção desta popular modalidade desportiva que é o futebol.
Termino esta minha crónica, que foi também uma reportagem, agradecendo a disponibilidade do ‘treinador’ Engenheiro Avelino e da encarregada de educação, enfermeira Anabela pela entrevista que me concederam. Agradeço também como cabeceirense orgulhosa que sou, a todos quantos colaboram na promoção destas iniciativas, seja através da AAAC, seja através de outras coletividades locais que incentivam a prática desportiva e de hábitos de vida saudáveis, nomeadamente junto das crianças e jovens.
Tenho ainda de realçar que, gostei muito de ver a atenção dada pelos pais e encarregados de educação aos seus filhotes, acompanhando-os nesta fase das suas vidas.
Parabéns a todos e, já agora, desejo um Santo Natal e um Bom Ano.
Quem sabe acontece um milagre…

Por: Fernanda Carneiro

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