Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-11-2012

SECÇÃO: Opinião

UM CABECEIRENSE NA “MARIA BERNARDA” (15-setembro-1862)

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VIII - O EXÍLIO
“Seguiu-se para mim a perseguição e o exílio. Que dias de amargura e dor” – são palavras de Alves Passos. Mas a Previdência guiou-o até Roma onde encontrará o Papa Pio IX e o Marechal Saldanha, “o representante de Deus, e o representante da Pátria! O Pontífice Santo, o predestinado para salvar a Egreja da perseguição dos seus inimigos; e o guerreiro ainda não vencido, o predestinado para salvar a nossa infeliz pátria!”.
Mas, não demorou a Velha Amnistia e deu-se o
IX - REGRESSO
Alves dos Passos regressa à Pátria e a Braga. Reinicia em Janeiro de 1864 a publicação de “O Bracarense”, na qualidade de director político e responsável, exerce a profissão clínica e retoma a leccionação das cadeiras de Física, Química e Introdução à História Natural dos Três Reinos.
A derrota da “ Maria Bernarda” em nada o esmorece. Retoma a luta contra o governo, contra o governador civil, contra a Câmara da cidade. Vai celebrar ruidosamente – cheio de ironia – a queda do governador civil, Januário Correia, ocorrido no fim do ano de 1864. Intitula assim o seu artigo: “Tudo lágrimas e luta!” e afirma, cinicamente: “Chore o povo, chore o clero, e chore também a nobreza! E termina o artigo: “Todo este distrito vai tomar lucto rigoroso por tão grande perda. Os escrivães não terão mais o divertimento dos summários e devassas políticas, para matarem o tempo. As testemunhas falsas não beberão tantos quartilhos de vinho. Os espiões e thuribulários ficarão às moscas. Choram pois todos. Saia a Câmara atraz das bandeiras da cidade enlutada e quebrem-se os escudos da administração brilhante!”.
Mas não ficou por aqui. Na séria “secção noticiosa” de “O Bracarense” anunciava que o “Snr. Januário, antes de deixar este districto, houve por bem fundar a Ordem dos Correas, para eternizar a sua administração brilhante. As medalhas que mandou cunhar “têm dum lado uma manjedoura (…) e no reverso a vera efígie d’um tanas acompanhado de 4 meirinhos de vara, fazendo montaria aos párocos”.
X - O REVERSO
Mas a acção de Alves dos Passos não caía bem entre os seus numerosos adversários. E tudo vai rebentar quando, na sua edição nº 993, de 15 de Abril de 1865, “O Bracarense” publica o seu “Programa de Candidato de Oposição”, ao círculo eleitoral nº 19, com sede em Guimarães e de que fazia parte o concelho de Cabeceiras de Basto.
(continua)

Por: Francisco Vitor Magalhães

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