Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-11-2012

SECÇÃO: Golpe de vista

GOLPE DE VISTA
Essa é boa!



Mas, pelo menos ficamos todos a saber o pensamento do Partido Social Democrata e do seu dirigente máximo em Cabeceiras de Basto.
A propósito da inauguração de uma nova estrada de ligação a Vinha de Mouros, a partir da Cachada, uma estrada rasgada pela encosta que permite um melhor e mais fácil acesso a todo o tipo de veículos ao Centro de Educação Ambiental, ao Centro Hípico, ao cemitério e a todos os outros equipamentos ali instalados, o presidente da comissão política de Cabeceiras de Basto do PSD escreveu na página da internet daquele partido que esta nova estrada é “obra que serve os mais ricos, quantos se deslocam de carro para o cemitério (...)”.
Essa é boa! Então, para este dirigente partidário, ricos são os cabeceirenses que têm carro e, portanto, por analogia, serão pobres os que não têm carro!
Está dito, está dito!
Repito, se tem carro, nem que seja uma carripana, um calhambeque, um bate-latas, uma caranguejola velhinha, fica a saber que é rico, compreendeu bem?
Esta posição do PSD local, escrita e tornada pública em forma de comunicado, é confrangedora e demonstra um desconhecimento tão grande das realidades.
Felizmente que nas últimas décadas deixaram de ser só os ricos, os privilegiados a ter um automóvel. O carro deixou de ser um bem de luxo para passar a ser um instrumento de grande utilidade e necessidade para o trabalho e para a vida das pessoas. Quantas pessoas estão hoje dependentes do automóvel para chegarem ao seu local de trabalho? Como poderiam aceitar um emprego em local distante de sua casa, se não tivessem um meio de transporte próprio?
Enfim! Talvez não seja de estranhar que o Partido Social Democrata local pense assim. Na realidade, essa coisa de qualquer humilde cidadão poder ter um veículo que lhe permita deslocar-se com total autonomia, para o trabalho, para a escola, para a feira, para a missa, para as compras, e sei lá mais para onde, é visto por muito “boa gente” como um atrevimento. Ora agora! Ser rico ou ambicionar a ser rico, acham eles, não é para qualquer um. Para muita “gentinha” ser rico é algo que está vedado àqueles que não tiveram um berço dourado onde nascer.
Triste pensamento!
Mas, também vos digo, caros leitores, o vento sopra desde Lisboa, onde atualmente muitos dos que nos governam passaram a considerar que quem ganha mais de quinhentos e poucos euros é rico.
A coisa bate certo!
E como diria o saudoso jornalista Fernando Pessa: E esta hein!

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