Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-10-2012

SECÇÃO: Opinião

Os Carvoeiros

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Recordo a cada instante
Essa dura profissão,
A dos homens farruscados
Que fabricavam carvão.

Essas pobres criaturas
Mais pareciam embuçados,
Passaram parte da vida
A fingir de mascarados.

De cutelo e enxadão
Quer ao frio quer ao vento,
Na serra arrancando urgueira
A fonte do seu assento.

Em covas arrendondadas
Era lá posta a urgueira,
Que antes de ser carvão
Primeiro era fogueira.

Coberto com terra solta
Quando em carvão transformado,
Era passado ao gadanho
E da terra separado.

Os sacos do bacalhau
Atestado de carvão,
Vendidos por uns patacos
Já dava p´ra comprar pão.

Trazidos para o lugar
Às contas ou em burricos,
Ia á forja dos ferreiros
Ou á lareira dos ricos.

Mudou-se p´ró Alentejo
A terra das azinheiras,
E hoje o carvão é rei
No reino das churrasqueiras.

Por: Alexandre Teixeira

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