Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-10-2012

SECÇÃO: Opinião

O Feitiço

(À saudosa memória do Dr. António Teixeira de Carvalho)
Sou bisneto da Aninhas de Chacim e tenho por esta Terra uma afeição muito especial. Costumo dizer que chego, sempre, numa espécie de encantamento.
A espada flamejante do Arcanjo São Miguel ilumina-me, a estátua galaica do nosso Basto inspira-me e a memória do meu irmão Victor Ferreira comove-me profundamente
Estive presente, ao longo de vinte e cinco anos consecutivos, na AgroBasto, actuando como director do Grupo Cultural e Recreativo, como director da “Tocata Santiago”, como director do Grupo “Palmo e Meio” e como director da Orquestra de Cavaquinhos “Som da Eira”. Tive o privilégio de dirigir o espectáculo apresentado durante a primeira Feira de Cabeceiras de Basto, ainda no primitivo recinto, e lembro-me que ao descer do palco fui abraçado por um grupo acalorado onde pontificava o senhor Eng.º Barreto, na altura presidente da Mútua de Basto e organizador daquele certame, o grande Pacheco dos Serviços Florestais, o saudoso eng.º Barroso, o prof. Benício e tantos outros, com relevo especial para os meus inseparáveis companheiros da guerra do Ultramar, Ramos de Carvalho e Victor Ferreira, o Lito, a quem tratava carinhosamente por meu irmão.
Foram vinte e cinco anos, muito especiais, a cantar serenatas a Cabeceiras…
Paralelamente, também fui responsável, durante os referidos vinte e cinco anos, pela montagem da exposição do município da minha terra. Vinha para representar, oficialmente, Mondim de Basto e, sobretudo, para me deliciar com o bacalhau e com as batatas a murro, com as primícias dos castanheiros e com o vinho doce que jorrava dos abençoados lagares de Cabeceiras de Basto. Entretanto os meus laços foram-se estreitando e cá continuei como cronista nos órgãos de informação, como palestrante de Semanas da Cultura, como júri de Encontros e Festivais e, também, como júri do Prémio Nacional do Conto Infantil ao longo de várias edições
Mas hoje estou aqui, acima de tudo, para prestar uma sentida homenagem a um ilustre Cabeceirense que teve importância determinante no meu percurso de escritor. Para evocar o meu bom amigo Dr. António Teixeira de Carvalho.
No “I Encontro do Património de Basto”, que em boa hora a Probasto se lembrou de organizar, tive o privilégio de apresentar a minha primeira comunicação escrita, subordinada ao tema Monte Farinha-Nossa Senhora da Graça e que se intitulava “Os segredos da Pirâmide Verde”. Quando desci da tribuna, no final da intervenção, já o Teixeira de Carvalho corria para me abraçar e para me bombardear com incentivos – Tens que publicar este texto lindo, tens que publicar este texto lindo…
Eu fiz a vontade ao Teixeira de Carvalho e publiquei, então, o meu primeiro livro. E foi assim que tudo começou. O feitiço permaneceu até hoje e já lá vão, pelo menos, mais oito na contabilidade.
Depois foram anos e anos de amizade, de cumplicidade e de admiração.
Antes de falecer, tão cedo demais, foi a Mondim entrevistar-me para o seu Ecos de Basto e ocupou duas páginas inteiras com um delicioso texto intitulado – “Luís Jales de Oliveira, o escritor que sabe auscultar o coração de Basto”. Que grande coração o teu, meu bom e saudoso amigo Dr. António Teixeira de Carvalho!!!
Vergo-me à tua memória e agradeço o privilégio de ter compartilhado, contigo, tantos sonhos e tanta poesia.
Sou bisneto da Aninhas de Chacim e tenho por esta terra uma afeição muito especial. Costumo dizer que chego, sempre, numa espécie de encantamento e declaro, hoje, terça-feira, décimo sexto dia das calendas de Outubro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2012, que continuo enfeitiçado.
Luís Jales de Oliveira

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