Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-09-2012

SECÇÃO: Opinião

CURSEI ECONOMIA NUM SÓTÃO

Foi na Praça Gomes Teixeira que entrei e saí inúmeras vezes na Universidade do Porto, fartando-me de subir (claro que também desci) até ao último andar e receber aulas num anfiteatro (há muitos anos).
Era a maior sala de aula com arquibancada e era aí, no último andar do edifício, que se situava a Faculdade de Economia. Claro que vinha a propósito da licenciatura um lugar tão magro, pois tratava-se de “economia”.
Os alunos daquele tempo (já lá vai mais ou menos meio século) ao depararem pela primeira vez com um professor alto e magro, logo o apelidaram de Peru. Tomou conhecimento do apelido e fez de conta. Bem sabia o senhor professor que, contas, iam passar os alunos que lhe passassem pela mão! Era o director ainda para cúmulo!
Entre outras “fitas” que trouxe comigo na minha pasta, no fim do curso (vermelhas e brancas), sucedeu-me logo no primeiro ano “sair-me”, como professor de Geografia que, ao dar aulas não parava enquanto falava, roçando a mão esquerda na direita, ao mesmo tempo que falava tartamudeando.
Ora, um dia, ao ir à prova oral (naquele tempo ainda que se tirasse um vinte na prova escrita, havia sempre oral) disse-me que eu não me explicava bem. Esta sua observação foi dada, decorriam já uns 30 minutos de “discurso” da minha parte e, então, não estive com meias medidas e retorqui: “e o sr. dr. que gagueja muito ao mesmo tempo que desenha uma roda com todos os seus dedos da mão direita na palma da esquerda, proporciona-me dificuldade em perceber o que me pergunta!
Já se está a ver: chumbou-me sem gaguejar!
Para a segunda época, pensando que voltava a reprovar, não estudei um cibo, mas voltei à oral.
Desta vez, antes de mais nada, o senhor professor abriu o trabalho que tinha exigido aos alunos. O trabalho tratava da exportação de cortiça por Portugal. Ao passar os olhos pelo meu trabalho, fez-me ver que eu exagerei ao escrever nele que a Rússia era a nossa maior cliente (e era verdade). Lá estava a sua tendência política, ou não estivéssemos no tempo do Salazar, de quem este professor era grande admirador.
Como quer que seja fui desfiando o que ainda me lembrava do que estudei na primeira época e o professor muito calado lá me passou. E esta hein? como diria o falecido Fernando Peça.
E eu cá de mim para mim, levantei-me e murmurei: não há nada como nada estudar! Mas há tudo como descobrir, depois, que o significado de hermes ou herma é: estátua de Mercúrio!!!
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Por Joaquim Marinho

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