Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-08-2012

SECÇÃO: Informação

Terra Batida com enchente na Praça da República

Camponeses de Arosa integraram elenco
Camponeses de Arosa integraram elenco
Largas centenas de pessoas assistiram no passado dia 10 à exibição da peça de teatro ‘Terra Batida’, na Praça da República, um dos pontos altos do programa do Encontro das Comunidades.
Promovido pela Câmara Municipal através do Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, o espetáculo foi ponto de encontro de residentes e emigrantes que regressam à sua terra Natal nesta altura do ano.
O evento ficou marcado pela grande adesão do público e pelo magnífico cenário que recriou a vida difícil de outrora nas aldeias de Cabeceiras de Basto marcadas pela emigração clandestina. Com os alunos da Universidade Sénior de Cabeceiras de Basto (USCab) no elenco, a peça contou com a participação especial dos Cavaquinhos da Raposeira, Oficina de Interpretação Teatral do CTCMCB, do Rancho Folclórico ‘Os Camponeses de Arosa’ e da violinista Sofia Fernandes.
Terra Batida propõe que se revisite uma qualquer aldeia de Cabeceiras de Basto, num tempo em que ainda se cantava nos campos, acompanhando um dia de trabalho de sol a sol. Que se sinta o valor de uma terra diariamente revolvida para matar a fome, calcada pelos pés de quem dela depende. Que se veja como a revolta, o desespero, a angústia e as aflições, logo se desvaneciam quando se aprontava o merendeiro e se ajuntavam todos na eira para bailar e cantar. “Porque a cada novo dia desistimos… e logo ressuscitamos, da enorme terra batida que nos cerca”.

Testemunhos:
Joaquim Barreto, presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto:
Reconstruir uma peça como esta na Praça da República, com o cenário do Mosteiro de S. Miguel de Refojos, obrigou a muita imaginação pois o Centro de Teatro conseguiu recriar tudo aquilo que era uma aldeia no passado mas também no presente. Foram retratados a emigração clandestina e os tempos difíceis de outrora. Com esta peça de teatro recordamos a nossa história e as nossas tradições e uma terra que tem história, que a vive e que aprende com a história é uma terra com futuro. O Centro de Teatro da Câmara Municipal faz estes espetáculos com o objetivo de promover a cultura, a nossa identidade e as nossas raízes. O objetivo destas iniciativas é atrair o público e conseguimos, uma vez mais, superar o desafio. A presença de uma massa humana fora do vulgar deixa-nos reconfortados.
Multidão assistiu ao espetáculo
Multidão assistiu ao espetáculo

Domingos Machado, vereador da Cultura na Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto:
Foi um espetáculo muito interessante, num cenário maravilhoso e que faz parte de uma estratégia que é valorizar os espaços públicos que Cabeceiras de Basto tem. A Praça é um espaço de excelência. A peça, que se insere no programa do Encontro das Comunidades, está relacionada com a identidade da nossa população. Esta é uma forma de reviver o tempo de outrora e é bom que as pessoas sintam que as coisas mudam e que evoluem. Os movimentos intergeracionais são uma marca dos tempos de hoje e nesta peça de teatro cada uma das gerações trouxe a sua interpretação a esta peça. A vida é uma roda de vida e de morte e é importante que os mais novos assumam o passado para poderem construir o futuro.

Roberto Moreira, diretor artístico CTCMCB:
Não tínhamos imaginado este espetáculo na Praça e é por isso que estamos aqui: para usarmos a nossa imaginação e criatividade. Decidimos colocar a terra em cima da pedra para que o espetáculo Terra Batida fizesse todo o sentido na Praça da República.
Foi para nós um grande esforço ao nível da preparação do cenário mas no final valeu a pena. O espetáculo contou com uma grande envolvência das pessoas e surpreendeu pelo número de espetadores, cuja energia passou para os atores. Estamos aqui para trabalhar com a comunidade e quanto mais gente trabalhar connosco melhor. Só com as pessoas é que o nosso trabalho faz sentido. A exibição desta peça de teatro superou os objetivos. Toda a gente adorou e todo o trabalho e preparação valeu a pena.

Carlos Pereira, espetador:
Achei o espetáculo ótimo. Fez-me lembrar os tempos antigos da lavoura. O espetáculo na Praça foi muito bonito mas deve ter dado muito trabalho.

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.