Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-07-2012

SECÇÃO: Cultura

Documentário sobre lendas e tradições cabeceirenses e narração de contos

 Jovens e menos jovens deram corpo  às histórias locais  mais genuínas
Jovens e menos jovens deram corpo às histórias locais mais genuínas
Residência artística ‘Conto o que se Conta’

Contos, lendas, usos e costumes de Cabeceiras de Basto estiveram na origem do projeto ‘Conto o que se Conta’ que levou à Praça da República jovens e menos jovens para darem corpo e alma às histórias mais genuínas desta terra de Basto.
O projeto, que resulta de uma parceria entre o Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto (CTCMCB), a Escola de Narração Oral Itinerante de Clara Haddad, a Ana Caridade dos Contos da Terra, a Basto Vida e a Junta de Freguesia de Painzela, teve como missão pesquisar e recolher contos, histórias, lendas, usos e costumes com a vista à sua preservação e valorização através da criação de um documentário e de uma sessão de narração de histórias à volta desses mesmos contos e lendas do concelho.
De referir que o projeto nasceu do desafio feito pela pesquisadora Ana Caridade à Escola de Narração Oral Itinerante com o intuito de levar a cabo uma investigação das tradições fundindo com a tradição oral, implementando uma nova metodologia de trabalho para Narradores Orais. Por seu turno, a Escola de Narração Oral Itinerante propôs a implementação do projeto em Cabeceiras de Basto, em parceria com o CTCMCB, no formato de residência artística.
De referir, ainda, que no âmbito deste projeto foi concebido e produzido um documentário realizado com os jovens narradores de Cabeceiras de Basto. O documentário consta de uma ‘viagem’ por Cabeceiras e as suas lendas, fruto da investigação realizada durante a referida residência artística.
Intervenção surpresa na feira semanal
Intervenção surpresa na feira semanal
Com este projeto pretendeu-se promover o sentido comunitário através do resgate das tradições e tradição oral; promover o intercâmbio cultural entre vários países; estimular o encontro/partilha entre gerações; possibilitar um espaço, através da arte de contar histórias, de crescimento pessoal e transmissão de valores humanos, sociais e culturais; e criar oportunidades, em forma de laboratório humano, para o desenvolvimento de uma nova metodologia de trabalho para Narradores Orais.
O projeto desenvolveu-se em duas fases. A primeira etapa foi de investigação e criação. Nesta primeira etapa procedeu-se a uma investigação das principais tradições e tradição oral em Cabeceiras de Basto. A segunda etapa consistiu na formação de um grupo jovens em narração oral, com o qual se preparou uma apresentação pública enquanto resultado do trabalho desenvolvido.
Esta apresentação assumiu, assim, o formato de uma sessão de contos feita por jovens narradores (misto de jovens de Cabeceiras de Basto e da Póvoa de Lanhoso) que advêm do mesmo projeto de implementação da Escola de Narração Oral Itinerante na Póvoa de Lanhoso. A estes jovens narradores associaram-se contadores locais seniores, remetendo à reminiscência das rodas dos contos em que a sabedoria ancestral era transmitida pela narração oral e que tem como objetivos possibilitar um espaço, através da arte de contar historias, de crescimento pessoal e de transmissão de valores humanos, sociais e culturais; e a partilha com a comunidade do resultado do processo de formação.
De salientar que este trabalho realizado em Cabeceiras de Basto será partilhado com comunidades em Cabo Verde, nas ilhas de S. Vicente e Santo Antão (agosto e setembro do presente ano), em parceria com o Instituto Camões Centro Cultural Português – Pólo do Mindelo.
O documentário e a sessão de narração de contos ‘Conto o que se Conta’ promovidos pelas diversas entidades anteriormente referidas integraram o programa das ‘Noites de Verão’ do passado dia 28 de julho, organizadas pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, através da Emunibasto. À iniciativa associaram-se os presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, Eng.º Joaquim Barreto e Dr. China Pereira, demais autarcas, convidados e público em geral.

Intervenção artística surpresa na feira semanal

O CTCMCB, no âmbito da sua filosofia de programação de iniciativas surpresa no domínio do espaço público e no âmbito da aproximação entre os agentes culturais e sociais, promoveu uma intervenção na feira semanal de Cabeceiras de Basto deste dia 30 de julho.
De referir que esta intervenção surpresa que surgiu no âmbito do projeto ‘Conto o que se Conta’ é também o resultado da semana de formação que juntou, em formato de intercâmbio, jovens cabeceirenses com jovens da Póvoa de Lanhoso.
Nesta iniciativa procurou-se a fusão cultural entre o recurso narrativo japonês na arte de contar histórias (o Kamishibai) e as tradições locais da Feira de S. Miguel. Retrataram-se, por isso, profissões de antigamente tais com a aguadeira, a vendedora de café com a típica chicolateira, a doceira, o vendedor de burros, a vendedora de mantas de lã… Houve lugar também para a cigana e para o carteirista. Esta recriação de profissões de outrora procurou não só avivar a memória dos mais seniores, mas também mostrar às gerações mais jovens algumas da profissões que caíram em desuso ou desapareceram completamente e que fazem parte da nossa tradição coletiva. À intervenção surpresa associaram-se os Bombos da Arborada que com os seus ritmos chamaram a atenção das pessoas que se encontravam na feira.

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