Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-07-2012

SECÇÃO: Opinião

UM PADRE CINCO ESTRELAS PASSOU PELO CONCELHO DE CABECEIRAS DE BASTO

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Todo o cidadão tem o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimento nem discriminação. Neste contexto, vou divulgar aos paroquianos cabeceirenses alguns factos que chegaram ao meu conhecimento.
No mês de Junho do ano de 2011, cujo dia não posso precisar, saí do estabelecimento comercial situado na Praça da República, propriedade de Manuel Portela Gonçalves, em direção à papelaria e livraria Cabeceirense, sediada nas galerias de S. Miguel da referida Praça da República. À minha frente caminhava um casal aparentando entre os 40 e os 50 anos de idade. A dado momento, o cavalheiro disse para a senhora: “Temos que falar com o Sr. Padre, e quanto mais cedo melhor.” Respondeu a senhora: “Vamos passar lá e se estiver estacionado o carro do Padre Jorge falamos hoje com ele.” Foram andando e quando chegaram a cerca de 15 metros do local de estacionamento da paróquia, disse o cavalheiro: “Esta viatura é do Padre Marcelino, por isso vamos embora e um de nós volta cá outro dia, quando estiver o Padre Jorge. Eu próprio presenciei esta realidade, no entanto, diga-se em abono da verdade, que não fui exceção, pois fui informado que também outros paroquianos procederam do mesmo modo.
Estas situações só revelam que o Padre Jorge era o preferido da maioria dos paroquianos da freguesia de Refojos, porque recebia as pessoas com educação, dignidade, sem arrogância, sem autoritarismo e com elevado sentido de responsabilidade, sendo por isso estimado e admirado por todos. Neste sentido, o Padre Jorge foi e continua a ser um símbolo inesquecível que passou pela paróquia de Refojos. Realço esta frase para afirmar que um Padre cinco estrelas passou pelo concelho de Cabeceiros de Basto. Tive ainda conhecimento que o Padre Jorge se dirigiu a um estabelecimento em Cabeceiras de Basto para adquirir determinado artigo. O proprietário deste estabelecimento disse: “Senhor Padre, vou-lhe fazer 10% de desconto.” Ao que o Sr. Padre respondeu “Faça esse desconto a uma pessoa que necessite mais do que eu.” É de enaltecer a atitude do Padre Jorge, que só vem provar que este homem de classe sacerdotal é uma personalidade distinta e exemplar, vocacionada para ajudar quem mais precisa. Assim sendo, desperta-se a caridade e a justiça, sobretudo para com os mais pobres. Tenho a certeza de que qualquer outro cidadão não procedia do mesmo modo.
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No dia 17 de Julho de 2011 foi anunciada a saída do Padre Jorge do Arciprestado de Cabeceiras de Basto. Deste modo, no dia 3 de Setembro deste mesmo ano decorreu no Mosteiro de S. Miguel de Refojos uma celebração de despedida do Padre Jorge desta comunidade paroquial. Ora, desde que foi anunciada a saída do Padre Jorge, o seu número de telemóvel deixou de constar na folha paroquial de Refojos. Desconheço o motivo, no entanto, esta foi uma situação marcante para os paroquianos de Refojos. A sociedade atual criou um clima de exigência em ordem ao seu pensamento, por isso, muitos paroquianos se questionaram e referiram: “O número de telemóvel do Padre Jorge só deveria deixar de constar na folha paroquial a partir do referido dia 3 de Setembro, porque até esta data ele ainda era pároco da Freguesia de Refojos.
A transferência de um pároco quando a população o acolhe, sei que não é tarefa fácil, conforme pude verificar através dos meios de comunicação social. A saída de um Padre de uma paróquia da cidade de Fafe para outra localidade originou uma enorme revolta destes paroquianos. Desta forma, quando existem saídas, também têm que existir causas, e são muitas e das mais variadas situações. D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga deve acreditar no seu rebanho, tendo no entanto em conta que qualquer informação verbal ou escrita obedece a três requisitos: ser clara, ser precisa e ser concisa. Só depois de trabalhada e avaliada se conclui a veracidade dessa informação. Só de acordo com o grau de veracidade se toma a decisão adequada porque muitas informações não correspondem à realidade. Por inveja, por vingança ou por interesses pessoais. Esta é a minha opinião por experiência própria, derivado à profissão que exerci, mas também porque foi assim que me ensinaram. D. Jorge Ortiga pode ter orgulho do excelente trigo que tem distribuído na sua Arquidiocese, mas também deve estar atento e vigiar, para não ser surpreendido por algum joio que me parece tornar-se visível e que possa vir a danificar o bom trigo que existe. Em todas as instituições sempre houve divergências, mas que ninguém viva de ilusões mas tente viver em união e reciprocidade porque todos somos pó da terra e à terra havemos de voltar.
Quando o Padre Fernando se encontrava à frente dos destinos da paróquia de Refojos havia semanalmente e aos Domingos a celebração de uma missa na Capela de Nossa Senhora de Fátima, na Cancela e outra em Sto. Amaro, no lugar de Chacim e o Sr. Padre encontrava-se permanentemente na paróquia ou imediações. Derivado ao seu problema de saúde, passou simplesmente a haver uma missa mensal, celebrada aos Sábados e com algumas interrupções, e após a saída do Padre Jorge deixou de haver qualquer celebração, situação que em muito me entristece. Tendo em conta a envergadura desta paróquia, e com a saída do Padre Jorge, esta ficou desamparada, situação que afastou paroquianos desta comunidade paroquial. Assim sendo, quem viu a vida pastoral nas décadas de 60 e 70 do século passado, quem a viu há duas décadas, quem a vê atualmente e como se verá decorridas mais duas décadas. Situação esta que ninguém ignora.
Tive o cuidado de me informar junto de alguns idosos que residem nas proximidades das referidas capelas que me disseram: “Apesar das nossas dificuldades por motivos de saúde, cumpríamos o nosso dever de assistir à missa dominical. Hoje não o podemos fazer, mas a culpa não é nossa, temos a alma tranquila. Agora só esperamos que Deus nos chame para junto dele.” E disseram ainda: “ Mandaram o Padre Jorge para outra localidade e ele era a nossa alegria.” Estas palavras tocaram o meu coração que sentiu uma enorme tristeza. Saliento as palavras desta classe etária para afirmar que estas pessoas vivem desoladas e angustiadas. Quando um idoso não se sente amado só pensa na morte. Dela fala e a deseja. Só o desabafa com quem confia, mina-lhe por dentro a alegria e a vontade de viver. Tem a sensação de indesejado, a vida perdeu o sentido e no horizonte só a morte aparece.
Está prestes a fazer dois anos que chegou a alegria e emoção a Cabeceiras de Basto, mas também faz um ano que se instalou a tristeza e a saudade. Desejo ao Padre Jorge as maiores felicidades deste mundo, assim como muita saúde para continuar a desenvolver um excelente trabalho em prol da comunidade, que tanto quanto sei tem sido um sucesso. Em qualquer parte do mundo que o Padre Jorge se encontre, os seus paroquianos estão felizes, dado que todas as estrelas de que é detentor têm expoente máximo, e se alguém pensar de outro modo está a caminhar num itinerário adverso. Este homem cinco estrelas deixou de brilhar em Cabeceiras de Basto e atualmente brilha nas paróquias de Besteiros, Carrazedo e Prozelo, do concelho de Amares, e que felizes se encontram estes paroquianos. Estive há algum tempo nestas paróquias e dialoguei com diversos paroquianos, os quais elogiaram o Padre Jorge de forma entusiástica, em virtude do seu trabalho ser uma perfeição invejável. Ouvi observações como: “Este Padre não exclui ninguém, nem discrimina, nem marginaliza. Ele cativa e acolhe a comunidade.” Acrescentaram ainda: “Podemos percorrer o país e o mundo que não encontramos um Padre de plena consciência aos seus deveres vocacionais e um fino trato como se constata no Padre Jorge.” Estas palavras vieram de encontro ao que referi há um ano, quando disse que a paróquia de Refojos nunca mais iria ter outro Padre Jorge. Este homem do clero sempre demonstrou ser generoso, eficiente, correto nas suas decisões inerentes à vocação sacerdotal. Qualidades estas que é justo realçar, apesar deste mérito não lhe ter sido reconhecido.
A curta passagem do Padre Jorge pelo Arciprestado de Cabeceiras de Basto ficou marcada pelo seu dinamismo, excelente poder organizativo, profunda admiração e pela enorme capacidade de conviver com os paroquianos. Neste sentido, está na hora de reconhecermos as suas qualidades e o seu valor para delícia da humanidade, e se o fizermos sem medo podemos dizer que o nosso dever está cumprido.
Quando escrevi o texto relacionado com a saída do Padre Jorge, publicado no Jornal “Ecos de Basto”, muitos paroquianos me disseram: “Tenho o jornal guardado em casa para um dia recordar, porque foi embora um homem bom e de um coração enorme.” A fotografia documenta a sua brilhante personalidade. Para finalizar, realço tudo o que citei há um ano aquando da saída do Padre Jorge e tudo o que faço referência neste tema, porque apesar deste ter permanecido na paróquia de Refojos apenas um ano, foi este o meu enquadramento. Foi esta a minha avaliação. Foi esta a minha conclusão. Em suma: o povo da paróquia de Refojos lembra o Padre Jorge com o coração transformado e bem vincado, cuja marca nunca mais se apagará.

Cabeceiras de Basto, 2 de Julho de 2012

Por: Manuel Sousa

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