Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-05-2012

SECÇÃO: Reportagem

Cereja da Faia: um investimento a potenciar

Luís Cunha - Breia de Cima
Luís Cunha - Breia de Cima
Devido às condições climáticas e à sua localização geográfica, a freguesia da Faia, concelho de Cabeceiras de Basto, dispõe de um enorme potencial para a produção de cereja, o tão apreciado fruto fresco com propriedades refrescantes, típico desta altura do ano.
Na freguesia da Faia, cerca de 50% da população, num universo de 700 habitantes, produz cereja. A informação é dada pelo presidente da Junta de Freguesia, António Magalhães, que dá conta da existência de pequenos e médios produtores que colocam a fruta à venda desde meados de maio a meados de julho.
Cerejas Burlat, Lisboeta e Roxa fazem as 'delícias' nesta altura do ano
Cerejas Burlat, Lisboeta e Roxa fazem as 'delícias' nesta altura do ano
António Magalhães acredita que a qualidade das cerejas desta região do Entre-Douro-e-Minho fica a dever-se à qualidade do solo e à exposição solar, facto que contribui para o escoamento da produção, uma vez que a cereja da Faia “é procurada não só por clientes da região mas de todo o país”.
Esta é também uma forma de ajudar a economia familiar dos agricultores “porque a maioria da nossa população vive da terra e da venda da cereja em feiras ou na estrada, nesta época”, esclareceu o presidente da Junta.
Na freguesia, estima-se que haja entre 8 a 10 hectares de cerejal, o que significa que “se a cereja fosse toda apanhada teríamos mais de 20 toneladas no total”, avançou o autarca.
Profetina Costa, 67 anos, residente no Lugar de Pocariça, Faia, é uma das muitas produtoras que por esta altura promove a venda da cereja na sede da vila de Cabeceiras de Basto. Na banca improvisada junto à estrada, Profetina tem várias qualidades de cereja de origem nacional e estrangeira. Estamos a falar, por exemplo, da cereja Lisboeta e Casal, a cereja branca, entre outras.
José Manuel Magalhães e Maria Magalhães -  lugar da Breia
José Manuel Magalhães e Maria Magalhães - lugar da Breia
Profetina dedicou toda uma vida à lavoura, contando com a ajuda dos filhos, mas lamenta que hoje os jovens não se queiram dedicar ao cultivo da terra.
É proprietária de um terreno com mais de 4 hectares, onde cultiva frutas e legumes, com especial atenção para a cereja biológica. “O trabalho é muito, os gastos com o pessoal são muitos e falta-nos apoio quando chega a hora da venda dos produtos”, queixa-se a agricultora pedindo “mais incentivos para os produtores de cereja”. Antigamente “conseguíamos viver da terra mas hoje dá muito pouco”, justifica Profetina Costa que tem como principal fonte de receita a venda de produtos hortícolas em feiras.
José Manuel Magalhães e Maria Magalhães, Lugar da Breia, Faia, também se dedicam à produção de cerejas, numa área com 1,5 hectares. José Manuel foi emigrante e quando regressou a Portugal dedicou-se, quase em exclusivo, à agricultura.
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Das várias qualidades de cereja cultivadas no seu terreno, destaque para a Napoleão Pé Comprido e a Burlat, muito apreciadas pelos amantes da fruta fresca. “Quem passa fica admirado com a qualidade das cerejas”, revela a esposa Maria Magalhães, que lamenta o facto de a chuva ter estragado as primeiras colheitas e do frio ter condicionado o crescimento do fruto e, por consequência, ter afetado a venda do produto.
Com “clientes certos” (nomeadamente superfícies comerciais), o casal promove a venda das cerejas também em frente ao estabelecimento de que são proprietários, na EN 206, o que acaba por ser uma mais-valia para o rendimento familiar.
Profetina Costa - lugar de Pocariça
Profetina Costa - lugar de Pocariça
Conhecida como “a capital da cereja”, a freguesia da Faia oferece boas condições “a qualquer produtor que queira avançar com um projeto de plantação”, assegurou José Manuel Magalhães, fazendo referência às “boas características do solo”.
Com mais de 100 cerdeiras plantadas no terreno junto à sua moradia, Luís Cunha, 75 anos, residente no Lugar de Breia de Cima, Faia, revela que “este ano a venda está fraca porque a cereja veio toda junta”, lamentando ainda o facto de terem de ficar nas árvores mais de 400 quilos de cerejas porque “não as conseguimos vender”.
O agricultor, que se dedica à lavoura há mais de 60 anos, conta que já vendeu cerejas como “bugalhos” mas este ano o fruto é mais pequeno do que em ano anteriores. Entre as principais variedades destacam-se neste cerejal a Lisboeta, a Casal e a Big Windsor (roxa) para meados deste mês de junho.
Cem por cento biológicas, as cerejas asseguram o rendimento do casal Luís Cunha e Maria Emília Torres, que nesta altura do ano vendem em feiras na região das Terras de Basto e Vale do Ave e também em casa, quando os clientes batem à porta.
Apesar destes meses serem proveitosos para os produtores de cereja da freguesia da Faia, as queixas em relação aos custos com a mão-de-obra são generalizadas. O trabalho é muito e o retorno nem sempre acompanha o esforço daqueles de trabalham a terra de sol a sol.
Os produtores apelam à criação de uma cooperativa onde pudessem entregar a cereja, uma situação que o presidente da Junta acredita que quando “houver essa necessidade as pessoas se organizarão”.
Até julho, a “capital da cereja” promete, assim, continuar a cativar os forasteiros com sabores de qualidade que deixam água na boca a qualquer um.

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