Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-05-2012

SECÇÃO: Informação

Mário Soares: “conquistas da democracia estão a desaparecer”

Antigo presidente da República associou-se ao 25 de abril em Cabeceiras de Basto
Antigo presidente da República associou-se ao 25 de abril em Cabeceiras de Basto
Aquando da visita do Dr. Mário Soares a Cabeceiras de Basto, no passado dia 27 de abril, no âmbito do programa comemorativo do 25 de Abril, o Ecos de Basto esteve à conversa com o Dr. Mário Soares, uma entrevista que agora damos a conhecer aos leitores.
Recorde-se que no passado dia 27 de abril, o antigo presidente da República visitou o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, descerrando uma lápide alusiva à sua passagem por este concelho, na rua que o executivo municipal - sob proposta da Comissão Municipal de Toponímia - decidiu, em 2009, designar de ‘Alameda Dr. Mário Soares’. O programa prosseguiu no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, perante uma sala repleta, onde se procedeu ao lançamento do livro de autoria do cabeceirense Prof. Doutor Luís Vaz, intitulado ‘Palma Inácio e o Golpe dos Generais (1947)’.
Mário Soares falou dos valores e dos ideais de Abril, que se mantêm vivos na atualidade.
EB: O 25 de Abril festejou-se em todo o país e em Cabeceiras de Basto não foi exceção. Neste momento, considera que os ideais de Abril estão vivos? Mantêm-se atuais?
MS: Claro que sim, mas não para todos. Para as Mulheres e os Homens que viveram Abril - inesquecível - ou que sentem apesar de o não ter vivido por serem mais novos. Muitas das conquistas da democracia estão a desaparecer, por causa da crise, o que é muito mau.
EB: A democracia está moribunda?
MS: Não creio. Embora no plano europeu - e entre os dirigentes e o Povo Europeu - a democracia, praticamente, não existe.
EB: As populações do interior, como é o caso de Cabeceiras de Basto, sentem-se cada vez mais isoladas com o encerramento de serviços públicos, nomeadamente na área da saúde e da justiça. O que pensa do afastamento do Governo às populações?
MS: A meu ver têm toda a razão. A tentativa de destruição do Serviço Nacional de Saúde, criado e desenvolvido por Governos Socialistas, é de uma gravidade, sobretudo para os pobres e a própria classe média. O afastamento do Governo - como diz - em relação às pessoas, que é um facto, é muito perigoso para o futuro.
EB: Qual o modelo de governação que considera mais apropriado ao desenvolvimento das regiões?
MS: Sou a favor do desenvolvimento das autarquias e das freguesias, ao contrário da legislação que estão a tentar fazer. Mas quanto às regiões, acho que bastam as que já temos. Portugal é um todo.
EB: Com as atuais dificuldades ao nível do Ensino Superior e do Emprego, como vê o futuro dos jovens?
MS: Vejo muito mal. O Ensino Superior - ao serviço dos jovens e dos adultos que o desejem - é uma conquista que transformou Portugal. Temos das melhores Universidades públicas da Europa e do Mundo e os doutores, cientistas e humanistas, que nos últimos anos produzimos, são de uma grande qualidade e número. Como nunca tivemos!
Quanto ao futuro dos jovens - sem emprego - estou profundamente preocupado. Não podemos transigir com isso, queira ou não a Troika, que parece querer fazer de nós um protetorado.
EB: Como é que a Europa pode sair desta crise?
MS: Regressando aos valores dos Pais Fundadores. Assegurando mais paz, mais democracia, maior respeito pelos Direitos Humanos, mais solidariedade entre os Estados e outro paradigma de desenvolvimento.
EB: Para onde caminha Portugal?
MS: Espero que o bom senso predomine entre os políticos e que o patriotismo passe acima de tudo. Portugal é um grande País, único no mundo, pela sua história, com um Povo admirável. Vai, seguramente, sair da crise.
EB: Para onde caminha a Europa?
MS: A União Europeia é um projeto de bem-estar, de solidariedade, de democracia e de desenvolvimento. Não pode cair no abismo, como disse Schmidt. Seria um crime para responsáveis políticos e uma tragédia para a Europa e o Mundo.

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