Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-05-2012

SECÇÃO: Opinião

Golpe de Vista
Demagogia quanto baste

Confesso que às vezes dou comigo a pensar: como será possível que pessoas que aspiram algum dia assumir cargos de relevância política possam demonstrar tanta ignorância? Mas, depois, acho que essa demonstração de tanta burrice é propositada tendo em vista a obtenção de ganhos através da demagogia e do populismo fácil.
A receita já é velha e todos sabemos que foi aplicada há uns anos atrás com resultados muito fraquinhos. Por isso, a aposta continuada nesta estratégia será um sinal de pouca inteligência. Mas enfim!
Neste momento sente-se e vive-se em Portugal uma “guerra”, mais ou menos declarada, ao poder local. É verdade que, como em todos os setores de atividade, o poder local também não fez, nem faz, tudo bem feito. Mas o saldo é francamente positivo. Convido, aliás, os meus caros leitores, a fazer um pequeno exercício de memória e a compararem as nossas terras com aquilo que eram há apenas trinta anos atrás.
Onde havia iluminação pública? Quantas crianças frequentavam os jardins-de-infância? Quantas casas tinham água canalizada? Que caminhos e estradas eram utilizados? Quantas crianças almoçavam na escola? Quantas casas beneficiavam do saneamento? Onde jogavam à bola as crianças? Quanta lama e quanto pó em tantos e tantos lugares públicos? Como iam para a escola as crianças e jovens? Que atividades culturais eram oferecidas? Como era conservado o património público? Quantas bolsas de estudo? Quantos apoios, para aquisição de livros e material escolar?
Nesses tempos, antes da existência de um poder local democrático, as pessoas seguiam de lanterna na mão para ir à missa. Não havia jardins-de-infância. Só nas zonas urbanas havia água canalizada. Os automóveis não chegavam a muitas aldeias. As crianças iam almoçar a casa para depois voltarem à escola ou, então, levavam a merenda. O saneamento corria a céu aberto para os campos ou para as ruas. As crianças jogavam à bola na estrada. As festas decorriam debaixo de grandes poeiras ou, se chovesse, em enormes lamaçais. As crianças e jovens iam para a escola a pé. As manifestações culturais eram quase só as festas da paróquia e o S. Miguel. Os edifícios públicos degradavam-se e estavam abandonados. Não havia bolsas de estudo para os estudantes. Não havia apoio social escolar generalizado.
Felizmente vivemos hoje um tempo bem diferente, muito melhor do que há trinta ou quarenta anos atrás. Essa é uma realidade insofismável. E só não vê quem não quer ou, então, quem não tem interesse em ver por sentir e ter inveja que o progresso tenha acabado com certos estatutos e privilégios.
Há dias fiquei surpreendido com a manifestação de preocupação do PSD local relacionada com os gastos da Câmara Municipal em despesas correntes. Pela minha parte e sobre isto gostaria de dizer duas coisas. Primeiro, que as contas que os responsáveis daquele Partido Político fizeram para calcular a despesa diária é uma falácia. Terão dividido o total anual das despesas pelo número de dias úteis e isso não é sério. Como se aos sábados, domingos e feriados não houvesse despesas com tantas e tantos serviços prestados. Em segundo lugar dizer que, assim sendo, me apetece lembrar à Câmara Municipal que a iluminação pública não deve ser ligada aos sábados e domingos. O fornecimento de água deverá ser suspenso também aos sábados, domingos e feriados. O saneamento deverá ser cortado igualmente aos sábados, domingos e feriados. Nesses dias voltaremos todos a usar a lanterna, não tomaremos banho e iremos à fonte (ainda existem?) buscar água. E quem tiver que satisfazer necessidades fisiológicas, ou vai a campo ou espera pela segunda-feira. Arre!!!
Mas, por amor de Deus (seja ele qual for o da devoção de cada um), se alguma vez a Câmara Municipal pensar fazer isso, façam-no somente àqueles que estão preocupados com os serviços que os Municípios prestam para bem das populações e da sua qualidade de vida. A esses sim. Aos fins-de-semana e feriados cortem-lhes a luz à porta de casa, a água e o saneamento.
Pode ser que percebam para onde vai o dinheiro!

AC

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