Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-05-2012

SECÇÃO: Opinião

ERA ASSIM ANTIGAMENTE IV

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Na sequência do que vimos tratando em temas anteriores, cremos que a principal preocupação das mulheres esposas e mães era encontrar sempre alguma coisa para por na mesa à horas das refeições se é que refeições se podiam chamar. Era costume dizer-se que com pão e vinho já se anda caminho, mas aqui vamos acrescentar a sopa dantes mais tratada por caldo que em nada se parecia às sopas de agora, sendo a razão principal é que esses caldos eram feitos basicamente com o que havia nos quintais em conformidade com a época do ano.
Assim, eram as batatas, couve-galega, feijão, nabo, nabiça, grelos, abóbora, espigos, troncha, repolho e por vezes até labrestos e para lhe dar melhor paladar um fiozinho de azeite, banha ou um bocado de carne de porco gorda.
Normalmente o caldo era servido em malgas com um bocado de broa a acompanhar. Quando havia aperezigo ou conduto este era servido num alguidar de barro posto no meio da cozinha e toda a família de garfo de alumínio na mão ia metendo para a boca com todo o respeito e de forma ordeira. Esse conduto era mais ou menos as couves com feijões e carne de porco que é agora quase comida de luxo.
Quando se tratava de sardinhas era mais para dois e os chicharros um para três, o bacalhau quando aparecia era muito fino e só tocava um bocadinho a cada um o mesmo acontecia com a carne de porco que depois de comida ficava-se a lamber os dedos. O pão na nossa região era mais à base de milho é por isso que havia muitos moinhos onde as pessoas levavam as suas taleiguinhas de milho para moer e cozer depois o pão-nosso de cada dia.
Assim, quando nos referimos a pão estamos a falar de broa de milho, que sendo antigamente um dos principais alimentos das famílias pobres e como tudo nesses tempos recuados não era fácil tê-lo na mesa a todo o instante dado que havia chefes de família que ganhavam tão pouquinho que o seu salário diário chegava a rondar os vinte e cinco tostões trabalhando de sol-a-sol. É certo que nesse tempo se cultivava muito milho, mas para quem granjeava terras dos lavradores só tinha direito a um terço daquilo que a quinta dava.
Então, conseguindo o milho a fase seguinte era leva-lo ao moleiro para fazer farinha que desse para uma fornada, sendo a masseira o local onde a farinha era amassada pelas mãos hábeis de quem percebia do ofício. Para levedar a massa era á base de fermento, crescente ou emprenhador conforme as terras e era frequente pedi-lo emprestado às vizinhas. Depois do forno bem quente e devidamente varrido eram lá postas as broas com a pá do forno e fechado com uma tampa de ferro que era calafetada com barro ou bosta de boi amassada.
Calculado o tempo de cozedura o forno era aberto e as broas posta a arrefecer para ser guardadas em local próprio e esse local era o galheiro. O galheiro era uma estrutura em madeira com travessões onde eram postas as referidas broas.
Os galheiros era sempre pendurados nos tetos das casas para não receber visita dos ratos nojentos que às vezes infestavam as casas e ainda para controlar os filhos que infelizmente nem de pão eram fartos e só o comiam quando dado por conta porque a fornada tal como tudo tinha que ser poupada por se tratar de um bem de primeira necessidade.
Com os outros alimentos dava-se precisamente o mesmo a carne e o bacalhau era um sibinho para cada um, mas o bacalhau era sempre do mais rasca muito fininho e com muitas espinhas. Se havia sardinhas ou chicharro era uma para dois e o chicharro um para três e assim ficava toda a gente a lamber os dedos, porque a bichagem que se criava quase sempre era para vender para se realizar dinheiro para comprar outras coisas, roupa, calçado, etc.
(Continua)

Por: Alexandre Teixeira

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