Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-04-2012

SECÇÃO: Cultura

Na primeira pessoa

Armando Luís
Armando Luís
Paulo Gonçalves, 19 anos, residente em Chacim, Refojos, interpreta o papel de Zeca Afonso. “É um privilégio fazer de Zeca Afonso e eu nunca pensei vir a interpretar tal figura da nossa história. Mal me atribuíram o papel comecei logo a trabalhar na personagem e a fazer pesquisas acerca da vida e obra de Zeca Afonso, nomeadamente a música de intervenção que ele compôs. Eu já sabia algumas coisas mas consegui aprofundar os meus conhecimentos e espero, acima de tudo, que o público interaja e reaja às palavras que nós vamos dizer durante a peça. Este tipo de espetáculo tem como finalidade abrir a mente às pessoas. Queremos que as pessoas saiam daqui com o sentimento de que valeu a pena vir ver este espetáculo”, afirmou.
Leonor Basto, 17 anos, residente na freguesia de Outeiro dá corpo à ceifeira e operária, Catarina Eufémia, mãe de dois filhos e grávida do terceiro e que acabou por morrer com três tiros nas costas. Uma personagem que influenciou José Afonso com a sua coragem em liderar uma luta pelo aumento dos salários na época.
Leonor Basto
Leonor Basto
“A principal mensagem da minha personagem é a coragem e a luta pelos direitos dos trabalhadores, uma posição que era necessária mas que poucos a tomavam. Espero que as pessoas reajam bem a este espetáculo, onde nós vamos tentar trazer à memória das pessoas a vida de Zeca Afonso, desde a infância até à sua morte. Zeca Afonso lutou por uma sociedade que hoje em dia parece estar esquecida”, salientou.

Para o encenador Armando Luís, “este espetáculo é um desejo antigo. Neste ano em que se comemoram os 25 anos da morte de Zeca Afonso achámos pertinente realizar este espetáculo neste ano zero do Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto”.
Paulo Gonçalves
Paulo Gonçalves
De acordo com Armando Luís, as promessas e as conquistas de Abril são muito atuais. “Nós vivemos numa sociedade capitalista, onde as pessoas são muito mais egocêntricas. O desânimo e o esforço que as pessoas estão hoje a fazer revêem-se naquilo que foi o passado e as pessoas querem fazer-se ouvir novamente. Este espetáculo é feito maioritariamente por jovens que vivem na insegurança quanto ao seu futuro e as expectativas deles estão postas em causa. O espetáculo põe na boca destes jovens estes valores e o grito de um lugar na sociedade que é o futuro.
Um dos principais objetivos deste nosso projeto do Centro de Teatro é enaltecer os espaços públicos de Cabeceiras e os Claustros do Mosteiro de S. Miguel de Refojos são uma imagem de marca. Nós quisemos começar num espaço que diz muito a todos e que, de facto, é muito bonito.
Espero que o povo de Cabeceiras se relembre novamente dos valores pelos quais se lutava no passado e que se identifiquem. Com este espetáculo queremos cravar novamente os ideais daquela época”, avançou.
Roberto Moreira
Roberto Moreira

De acordo com o encenador Roberto Moreira, “a mensagem que o espetáculo pretende passar é que realmente existiu um homem, um cantor, um revolucionário que se transformou num ícone da Revolução de Abril mas nós queremos mostrar muito para além disso. As músicas foram selecionadas a dedo porque queremos dar a conhecer ao público as músicas menos conhecidas de Zeca Afonso porque Zeca tem um espólio muito variado. O processo de pesquisa começou por nós encenadores mas estendeu-se aos jovens atores da Oficina de Interpretação Teatral. Só assim aquilo que eles vão transmitir se torna verdadeiro e genuíno. Há um conhecimento muito grande de tudo aquilo que se passou na época. Nós estamos a contar com muita gente porque ao longo deste mês foi criada a expectativa de um espetáculo nos Claustros e acreditamos que as pessoas estejam entusiasmadas”, revelou.

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