Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-03-2012

SECÇÃO: Opinião

Correio do leitor

Um Evento:

Está a chegar o dia 31 de Março: os Cabeceirenses, irão assistir a um Evento como poucas ou nenhuma vez se fez em Cabeceiras de Basto. Primeiro é relembrar os músicos que desde a fundação da nossa Banda, foram ficando pelo caminho, quase a dois Séculos de distância, mas que cada um, com o seu gosto pela Arte dos sons e das cores, trouxeram até aos nossos dias a nossa Banda de Música, levando a todos os cantos e recantos do nosso país e não só, a nossa Cultura, sabe-se lá com que sacrifícios. Tantos percorreram esse caminho?
Nesse dia, lá estarão os nossos antigos colegas, sorrindo, contentes, por serem lembrados, já que a nossa vida não se resume na morte do corpo. Há quem não saiba ou não acredite que a nossa vida não acaba aqui, se acaba-se que futuro era o nosso? A nossa alma, é este bocado de lama que cada um carrega para sustentar o Espírito.
Da nossa alma faz parte aquilo que fizemos e quantos não deixamos tudo feito, para aquilo que fomos enviadas e teremos de cá voltar para nos completarmos.
Diz-nos a Bíblia no livro dos Cânticos de Salomão, que todo o animal é uma alma vivente e toda ela tem o mesmo destino, o pó. Por isso ele diz: come o teu pão e bebe o teu vinho com alegria, pois debaixo do Sol, a tua alma nada mais logrará, mas o teu espírito, esse sim, é o que viverá.
Então os nossos colegas lá estarão a abraçar-nos por nos termos lembrado deles e nos acompanharão, desde o jardim até ao Mosteiro onde se realizará uma Missa em acção de graças em sua memória. Nesse mesmo dia, haverá um almoço de confraternização de músicos que fizeram parte da nossa Banda, mas que ainda estão vivos. Tudo isto está a ser organizado pelo nosso preclaro amigo, Baltazar Mendes, filho do nosso querido Maestro António Mendes já há algum tempo desaparecido do nosso convívio, que deu á nossa Banda, tudo quanto tinha para dar.
Encheu de música nova a Banda velha, num esforço Hercúleo, para poder manter em forma a sua menina, a nossa Banda e disso foi capaz. Deu um novo timbre, uma nova maneira de atacar as notas musicais, modernizando a maneira de tocar como se usa e não mais se perca.
António Mendes que da Lei da morte se foi libertando, espalhando por toda a parte o dom da sua força do seu engenho e da sua Arte. Dissestes um dia a Apolo e a Orfeu! Vão tocar para o Inferno; porque aqui em Cabeceiras de Basto, quem é o Deus da música, sou Eu.
Portanto, no dia 31 de Março, se Deus quiser, lá estaremos a prestar o nosso preito, as nossas saudades de que nós alegraremos quando outros se lembrem de que a vida é uma sucessão de eventos e que devemos alguma coisa uns aos outros, pois é com muitos e unidos, que as coisas grandes acontecem, assim como aconteceu o nascimento da Banda Cabeceirense.


Jaime de Sousa e Silva
Agualva-Cacém, 07/03/2012

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