Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-03-2012

SECÇÃO: Opinião

Destino


Na aldeia nasceu
Por lá cresceu
Se tornou alguém
Mas quis o destino
Que ainda menino
Perde-se pai e mãe

Agora sozinho
Já não tem o carinho
De sua mãe querida
Conheceu a Maria
Com quem casou um dia
Para toda a vida

Dé-se casamento
Nasceu um rebento
Que o destino quis
Com essa Criança
Aumentou a esperança
Era então feliz

Até que um dia
De barriga vazia
Lá trabalhava a terra
Com grande desilusão
Recebe intimação
Para ir p´rá guerra

Lá partiu pró mato
Na mala um retrato
De mulher e filhinho
Era a sua bagagem
E com muita coragem
Seguiu seu caminho

De voz arrugante
Diz o comandante
Toca a rastejar
Deitado no chão
De arma na mão
A ordem é matar

Um dia a tardinha
Quando a noite vinha
E sem dar por nada
Sentiu o inimigo
Estava ali o perigo
Cai numa embuscada

Ficou sem um braço
Era tanto o cansaço
Foi preso e ferido
Como não aparecia
Escreveram a Maria
Que tinha morrido

A notícia chegou
A Maria chorou
Pelo amor seu
Com tanta emoção
Parou-lhe o coração
E a Maria morreu

Posto em liberdade
Cheio de vontade
De regressar a terra
Está de volta alegria
Quer ver a Maria
Acabou a guerra

Ao chegar a aldeia
Longe estava a ideia
Do que se passou
Contaram-lhe o drama
Deitou-se na cama
Nunca mais acordou

Fernando Carvalho/2000

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