Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 27-02-2012

SECÇÃO: Recordar é viver

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A Raposeira ficou mais pobre
Desapareceram duas “Jóias” do nosso lugar mágico

Caros leitores, cá estou mais uma vez a escrever uma crónica depois de uma folga de três semanas. Será exagero dizer que é uma crónica como habitualmente faço mas, infelizmente para mim e para as pessoas conhecidas esta é mais um obituário. É certo que é um obituário, mais pessoal e emotivo, sobre pessoas que conhecemos e estimamos. Por esse motivo é escrito com lágrimas nos olhos e ao mesmo tempo com uma grande emoção, uma enorme saudade que nos conduz às lembranças de outros tempos passados. Parece que ainda foi ontem!
Foto tirada há muitos anos ao Senhor David e Adelina, com a sua prole composta por doze filhos
Foto tirada há muitos anos ao Senhor David e Adelina, com a sua prole composta por doze filhos
Como atrás referi, tive umas pequenas férias de escrita desde o último jornal e, para compensar esta falha achei por bem escrever sobre algo que, sei que os meus leitores assíduos e outros apreciam. Assim foi... tinha uma crónica para esta edição mais ao estilo da nossa terra (a tradição) mas, nem tudo é como nós queremos! Chegou-me inesperadamente a notícia que tinha morrido o meu tio Francisco de Campos, irmão do meu pai, filho do José de Campos mais conhecido por “Colatré” e, também um telefonema da Fatinha, neta do senhor David Machado e da D. Adelina Marques Machado, a dizer que a “Jóia” da Raposeira tinha falecido. Fiquei muito triste porque para mim, a Adelina “Jóia” era uma figura “eterna” e toda a minha existência esteve sempre ligada de algum modo a esta família e em especial à figura desta personagem da vida real dos meus livros.
Como vos disse, fiquei muito triste, ao mesmo tempo, pensei que com a bonita idade de 95 anos, tinha chegado para ela a hora do descanso eterno porque segundo a sua família querida, a senhora Adelina Marques Machado, há já algum tempo que não “lhes pertencia”.
A casa das "Jóias"  - Senhor David e Adelina Marques
A casa das "Jóias" - Senhor David e Adelina Marques
Infelizmente, as tristes notícias de quinta feira passada, dia 22 do corrente, dadas pela neta Fatinha sobre a “Jóia” não se ficaram por aqui. Disse-me com a voz embargada pela emoção que, a tia Glória, tinha falecido há quase uma semana antes da sua mãe inesperadamente. Não entendi bem o que ela dizia! Pensei que fosse uma tia em segundo grau, irmã do avô David. Mas, não! Infelizmente, tinha sido a sua querida tia Glória, aquela filha da Adelina “Jóia” que tinha um olho de cada cor. Fiquei sem palavras, nem queria acreditar! Felizmente a sua mãe e, digo felizmente, porque não deviam ser os pais a enterrarem os filhos “partiu” sem saber que uma filha das suas “entranhas” tinha ido à sua frente a abrir caminho para a receber.
Adelina Marques Machado
Adelina Marques Machado
Família e amigos, não vou tornar a repetir tudo o que a minha memória tem no arquivo sobre a Adelina “Jóia” e seus familiares, porque tudo já foi escrito nos jornais do Ecos de Basto e registado para a posteridade através dos meus singelos livros de recordações. Vou sim, deixar espaço nesta minha página, para as fotografias e para as dedicatórias que, por milagre, vieram ter à minha mão através da família. Para mim, as fotos são um complemento importante, um testemunho que nos “relata” a existência e por conseguinte, a travessia de uma vida através das imagens. Nunca me canso de as olhar porque, ao reparar nelas também me consigo “ver” sem lá estar, porque fui companheira de brincadeiras dos mais novos, em especial da Maria de Lurdes (Lurdes da Jóia) e sei que, a Adelina da “Jóia” tinha carinho por mim. Assim, como o saudoso senhor David Machado, que era um homem de muito saber a quem era pedido muitos conselhos, devido à sua arte de cantaria (arquitectura em pedra), por pessoas importantes do nosso concelho e de outros.
Apesar das circunstâncias de voltar a ver os filhos da falecida neste momento triste, gostei de os abraçar a todos. Quem sabe se nos tornamos a ver…
Uma foto de David Machado nos anos da sua juventude
Uma foto de David Machado nos anos da sua juventude
Não posso terminar, sem apresentar aqui, sentidas condolências à restante família que não pôde estar presente, em especial à minha amiga Maria das Dores Machado, filha mais velha e viúva de Eduardo Andrade, um filho da terra, por se encontrar em Angola.
Também à Fernanda e ao Bernardino, sobrinhos direitos da senhora Adelina e do senhor David, deixo o meu sentido pesar pela morte da mãe, D. Otilia Machado que, era irmã do senhor David. A falecida, D. Otília era casada com o senhor Manuel da Estrada”, filho do senhor “Zé da Estrada”. Esta senhora que eu conheci muito bem e, me considerava como amiga faleceu há mais ou menos um mês. Esta família vive toda em Lisboa.
Só posso desejar a estas famílias que não deixem de visitar a terra que as viu nascer. Pelo menos de vez em quando. Chama-se Cabeceiras de Basto!
Queria também pedir desculpa pela utilização dos apelidos porque é através deles que as pessoas são lembradas.

fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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