Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 06-02-2012

SECÇÃO: Informação

REFLEXÕES SOBRE O DIA MUNDIAL DO DOENTE

No dia 11 de Fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, é habitual celebrar-se o Dia Mundial do Doente.
E porquê este dia? Porque desde que Nossa Senhora apareceu em Lourdes a Bernardete Soubirous, muitos têm sido os milagres lá obtidos, quer do corpo quer da alma.
Como é óbvio, neste dia pensamos nos doentes e nas doenças e por oposição devemos pensar na saúde e nas pessoas saudáveis.
Após a Segunda Guerra Mundial, OMS na perspectiva do começo da Guerra-Fria, viu posta em causa a sua definição de saúde que abrangia a alimentação, a actividade física, o acesso ao sistema de saúde, etc. Foi assim instigada a considerar não só a saúde do corpo como também a saúde mental.
Em 1977, Christopher Boorse definiu a saúde como “ausência de doença”; mas em 1981 Leon Kass definia a saúde como: “o bom funcionamento de um organismo como o todo”, ou ainda “uma actividade do organismo vivo de acordo com as suas excelências específicas”.
Nestas definições de saúde de cariz naturalista, ficava ignorada a saúde mental, que veio a ser contemplada em 2001, por Lennart Nordenfelt: “a saúde é um recurso para a vida diária, não um objectivo dela; abranger os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas, é um conceito positivo”.
E a doença? Vejamos: a obesidade foi um símbolo do status na cultura do Renascimento e actualmente é considerada uma doença sobretudo nos países desenvolvidos, onde se cava a sepultura com os dentes; mas também é doença a hiperactividade (actualmente se uma criança se porta mal na aula, não é defeito, é “doença!”); nos tempos antigos, a gravidez era algo de natural, actualmente há mais que muitas especialidades médicas debruçadas sobre as grávidas – são análises, ecografias a 3 dimensões, suplementos vitamínicos para a mãe e para o bebé, etc.
E há mais – o envelhecimento é actualmente uma “doença”, porque as limitações físicas e mentais do idoso, não são vistas como algo natural, mas como algo deficitário.
E que dizer de doenças como a lepra? Socialmente os leprosos eram socialmente evitados, e ser leproso era um estigma. Era e ainda continua a ser apesar de se saber que tem cura e que o contágio não é assim tão terrível como antigamente.
A 11 de Fevereiro de 1985, o Papa publicou o Motu Próprio Dolentium Hominum, onde se afirma que “a Igreja sempre demonstrou a maior estima e interesse pelos que sofrem, a exemplo de Jesus, mas recorda que a importância da pessoa humana e do seu destino segundo os desígnios de Deus, os progressos significativos da sociedade civil em tudo o que diz respeito à saúde dos homens, as questões delicadas que neste campo se colocam e que têm para além de uma dimensão social e institucional, também uma dimensão ética e religiosa”.
Ao atender a essa dimensão religiosa, a Mensagem para este Dia Mundial do Doente diz: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou” (Lc 17, 19). Quer dizer: é pela fé em Jesus Cristo, que podemos ser co-redentores, num mundo em que há muitos substitutos light para a fé!

Maria Fernanda Barroca

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