Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 06-02-2012

SECÇÃO: Opinião

A IMPRENSA CABECEIRENSE

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SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA (1890-1937) - VI


Em 11 de Outubro de 1896 viu a luz do dia um novo título da Imprensa Cabeceirense. Era um semanário humorístico que se intitulava “O Colosso”. Acompanhava assim a abertura que se ia notando no país do aproveitamento do humor para, muito especialmente, atacar os poderes reinantes. Parece, infelizmente, que só existe um único exemplar deste semanário: o nº 4, datado de 1 de Novembro de 1896, conservado na Biblioteca Nacional sob a cota nº J.968 11 P. A ficha desta publicação indicava como seu director alguém, que não sabemos quem foi, que dava pelo nome de “Caradura”. Era impresso na tipografia do “Jornal de Cabeceiras”.
Estranhamente não há registo deste título nem na Biblioteca Pública e Municipal do Porto (BPMP) nem na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC). Não sabemos quantos números se publicaram.

“O POVO DE CABECEIRAS”
(1900-1910)

Em data que não podemos precisar, mas dentro do ano de 1900, começou a publicar-se em Cabeceiras um novo semanário, com o título de “O Povo de Cabeceiras”. Intitula-se órgão do Partido Progressista Local. É assim a resposta ao domínio de “O Jornal de Cabeceiras”, profundamente de tendência regeneradora. O seu 1º director é o Dr. António Coelho de Vasconcelos, advogado, natural de Felgueiras, mas ligado à Casa das Cortinhas, de Cavez. Este semanário publicava-se às quintas-feiras e era impresso numa tipografia existente então na Rua Dr. Jerónimo Pacheco.
O Dr. Vasconcelos deixou a direcção do semanário quando a câmara foi dissolvida, tendo sido nomeado presidente da comissão administrativa do município, no tempo da chamada “ditadura franquista”, a que os progressistas cabeceirenses aderiram de alma e coração. Em sua substituição escolheu-se para director do semanário Luiz de Mello Sampaio, residente no lugar de S. João (Cruz do Muro – Refojos). Mas quem escrevia e dispunha era o Dr. Vasconcelos, de tal modo que, por mais que uma vez, o Jornal de Cabeceiras afirmava: “Luís de Mello o prosador ilustre que se chama Dr. A. Vasconcelos”.
O último número publicado foi o 517, de 27 de Outubro de 1910. O semanário dissolveu-se, seguindo as pisadas do partido progressista nacional que tinha anunciado a sua própria dissolução devido à Implantação da República ocorrida em 5 de Outubro. Por seu lado, o ex-director, de seu nome completo Luís António d’Abreu Bacelar de Melo Sampaio, descendente de uma das mais ilustres famílias da província do Minho, faleceu no princípio de 1911.
Não temos conhecimento directo dos textos deste semanário. No entanto nos ficheiros da BGUC há a indicação da existência de um volume com nºs de 1907 a 1910. Por outro lado na BPMP há a indicação da existência de 2 volumes, um com exemplares do ano 1 a 6 (1900 -1906) e um 2º volume do ano 7º ao 10º (1907-1910). O 1º volume desapareceu e o 2º está para encadernação, não sei há quantos anos.

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Este “Povo de Cabeceiras” está registado na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (G.E.P.B.) com o rótulo de independente.

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Foi muito intensa a luta semanal disputada entre os dois semanários existentes à época. Se não temos os textos do “Povo”, temo-los comentados no “Jornal de Cabeceiras”. Infelizmente a luta política descambou para uma luta pessoal. E nesta o “Povo de Cabeceiras” saiu derrotado, ou melhor, a sua alma-mãe, o Dr. António Vasconcelos. Este não era cabeceirense (era natural de Felgueiras) e isso constituía um handicap para o seu adversário. Basta este texto para ver onde a personalidade do director e redactor do “Povo” sossobrava: “Um filarmónico conheço eu que existe num jardim à beira Tâmega plantado (Cavez), que está morto por tocar pois não lhe falta habilidade, porque já tocou em diversas filarmónicas. Tocou pratos na banda regeneradora, flauta na banda progressista, mais tarde tocou bombilho com uns músicos franquistas e voltou agora para o sol-e-dó progressista, onde toca rabeca em surdina…e, se ainda não tocou berimbau, não tarda”. (Jornal de Cabeceiras, nº 671, de 07/02/1909)
Diga-se em abono da verdade que não chegou a tocar berimbau, isto é, passar-se para os republicanos. Quando a República chegou em 5 de Outubro de 1910, o Dr. Vasconcelos saiu da cena política.

(continua)

Por: Francisco Vitor Magalhães

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