Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-01-2012

SECÇÃO: Informação

A 20 de janeiro
Gondiães acolhe Festa das Papas

Gondiães prepara-se para acolher no próximo dia 20 de janeiro mais uma tradicional romaria, a ‘Festa das Papas’ que se realiza de forma alternada nos lugares de Samão e de Gondiães. Se o ano for ímpar, cabe às gentes do Samão organizar a festa para os milhares de forasteiros que anualmente sobem a montanha para participar no repasto e assistir a esta peculiar romaria. Se o ano for par, são as gentes de Gondiães que assumem a tarefa e organizam a festa.
Assim sendo, todos os anos, no dia 20 de janeiro, estas duas povoações da serra organizam, de forma alternada, a festa que honra S. Sebastião, que se designa também como Festa das Papas.

As origens e as motivações desta festa, perdem-se na memória dos tempos.

No entanto, o ritual mantém-se ao longo dos anos. A Festa das Papas, mantém o seu vigor. Decorre de uma promessa feita na Idade Média, pelos respetivos povoados da serra, aquando de uma grande peste que assolou estes povos da montanha, levando os seus antepassados a recorrerem a S. Sebastião para os livrar da doença que atingira humanos e animais.
Por isso, todos os anos, no dia 20 de janeiro, a promessa renova-se e a festa repete-se. A população das aldeias, mas também do concelho e de vários pontos do país, marca presença no dia festivo, que entretanto começou a ser preparado semanas antes.

As tarefas estão divididas. O pão é confecionado e cozido pelas mulheres da aldeia para que no dia de S. Sebastião, os produtos sejam benzidos e oferecidos a todos quantos ali se desloquem para honrar o padroeiro, enquanto que as papas, são feitas pelos homens e podem ser comidas quentes ou frias. A carne de porco é servida em pratos de barro e o vinho verde da região bebido pelas tradicionais malgas de barro.

Neste dia, comem-se as papas, a broa, o toucinho e bebe-se o vinho. Os produtos antes de serem distribuídos pelos comensais presentes, são benzidos na Casa do Santo. Uma vara de madeira, serve de medida para distribuir o pão, a carne, as papas e o vinho ao longo de dezenas e dezenas de metros desta “mesa” improvisada ao longo da qual as pessoas se distribuem para provar estas iguarias. Antes disso, o S. Sebatião é levado em ombros e dado a beijar a todos os que pretenderem, abrindo assim o repasto.

Finda a refeição algumas pessoas levam consigo os pedaços de broa que lhes coube em sorte e que depois guardam durante algum tempo em casa por causa da afamada “mezinha” que acreditam existir no pão que foi benzido. Os mais crédulos dizem mesmo que nunca ganha bolor e que serve de remédio para as doenças que afetam as pessoas e os animais.

Pela sua originalidade, pelo seu tipicismo, e sobretudo, pelo seu ritual próprio, a “Festa das Papas” representa uma das manifestações culturais e religiosas mais puras e tradicionais de Cabeceiras de Basto.
O tempo passa, mas a tradição mantém-se ao longo dos tempos, assumida por gerações de pessoas que anualmente cumprem a promessa feita pelos seus antepassados e assinalam este dia 20 de janeiro, com um lauto almoço oferecido a todos quantos ali se desloquem.
No próximo dia 20 de Janeiro, cabe ao lugar de Gondiães acolher a «Festa das Papas» para a qual estão todos convidados a aparecer, participar e assistir a esta típica romaria cabeceirense.

Mafalda Alves

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