Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 19-12-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

AURORA MARQUES – LOLA DA “TURIERMAL”

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Há quatro anos em Cabeceiras de Basto

Caros leitores, mais um ano que está quase no seu término e penso que, não falhei nenhuma crónica, no Ecos de Basto, durante 2011. Estava indecisa quanto ao artigo que poderia fazer para este número 394 que, será o que encerrará o ano corrente. Digo sempre que vou meter férias na escrita mas, a minha cabeça tem sempre vários assuntos a fervilhar, de maneira que, não consigo deixar de cumprir este “compromisso” que tenho com a página deste Jornal.
Mesmo tendo ideias, às vezes, não sei por onde começar. Já deu para perceber pelo que escrevo, quais as coisas que mais gosto de explorar a nível de escrita; história local, experiências de vida, festas e romarias tradicionais, a própria história das romarias, os monumentos e as suas histórias, artes e profissões, algumas já quase em desuso, as lavouras, as desfolhadas, as vindimas, as feiras tradicionais ou medievais, enfim um sem número de coisas que não tem fim. Mas, as histórias que realmente me são queridas e que, gosto em particular, são aquelas que falam da nossa história local, ou então aquelas em que falo directamente com os meus personagens da crónica do momento em discurso directo, onde me falam sobre a sua experiência de vida.
Não sei porquê mas, tenho tido sorte quando quero escrever e, estou indecisa quanto ao tema. Milagrosamente aparece sempre algo interessante que, geralmente me apaixona. E, pelas reacções das pessoas até nem tem calhado mal.
Foi o que aconteceu ontem. Estava aqui no meu gabinete na ADIB, bastante pensativa sobre a quadra que estamos a atravessar e, como sempre, a família vem à “baila” quando de repente me lembrei também, das pessoas amigas e, entre elas, lembrei-me de uma em especial que, comemora agora quatro anos que, faz parte das vivências de Cabeceiras de Basto. Sei, porque também, estive presente no dia em que inaugurou uma filial da sua agência que, tem a sua sede no concelho de Vieira do Minho. Como sabeis é um concelho aqui bem próximo de nós.
Como sabia que, ontem, quinta feira, ela estaria a trabalhar cá, como já é habitual, resolvi pedir-lhe se me concedia uma pequena entrevista para falar sobre as suas expectativas durante estes anos. A Lola, como é carinhosamente tratada pelos clientes e amigos, recebeu-me com muito carinho como é seu costume. Depois de comodamente sentadas e, com o meu bloco aberto, demos início à nossa conversa. Então vou começar por apresentar uma pequena biografia da “Lola da “Turiermal”.
A Aurora Maria da Silva Gonçalves Marques, é natural de Rossas, concelho de Vieira do Minho, onde reside há quarenta e quatro anos. Frequentou a Escola de Paredes, da sua freguesia até completar o primeiro ciclo.
- Aurora, reparei que há quatro anos, quando veio para Cabeceiras muitas pessoas pareciam conhecê-la desde sempre ou pelo menos há bastantes anos. Porquê?
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Os meus pais, à semelhança de outros lá da minha terra, entenderam que eu devia fazer o segundo ciclo e o secundário. Por esse motivo, inscreveram-me em Cabeceiras no antigo ciclo preparatório que ficava na “Casa do Barão”, hoje transformada em Casa da Cultura, na belíssima Praça da República. Depois de concluído o segundo ciclo ou o segundo ano de escolaridade, transitei para o Colégio de S. Miguel de Refojos onde completei o secundário.
Porque não optaste por ir para Vieira do Minho? Não existiam condições?
Condições havia para fazer os mesmos estudos mas, a minha casa ficava junto à estrada de Cabeceiras, mais perto e, como tinha de pagar transporte (naquele tempo ainda não era subsidiado) optei pelo mais fácil que era vir para Cabeceiras de Basto.
Quando conclui o secundário cá (décimo primeiro ano), fui para o Liceu D. Maria II, em Braga, fazer o décimo segundo ano.
Se me não falha a memória o décimo segundo ano naquele tempo era à noite. Digo isto porque o meu filho também andou lá. Em que é que ocupavas o teu tempo mais livre?
Em simultâneo com os estudos que, como referi eram só à noite, trabalhei num gabinete de orientação vocacional e, de seguida fui trabalhar para uma agência de Seguros, em Braga.
O facto de trabalhares nessa agência teve influência na decisão de enveredares por aquela actividade que, há muitos anos é a tua “menina dos olhos”?
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Até foi! Nessa agência de seguros, conheci um senhor que tinha autocarros e, pretendia abrir uma agência de viagens. Como nessa época era obrigatório existir um director técnico aceitei o desafio e, fui fazer esse curso necessário na Escola de Hotelaria e Turismo em Lisboa que, era o máximo que havia nessa altura nessa classe. Esse curso habilitava-nos a sermos directores técnicos de agências de viagens ou de hotéis ficando com o número identificativo 611/88 até ao presente. Quando conclui esse curso em que, me identificava plenamente vim então proceder à abertura da Agência Salamondetur, em Vieira do Minho, cheia de projectos e vontade de vencer. Coragem nunca me faltou!
Como te adaptaste?
Confesso que tive algumas dificuldades. Como não estudei em Vieira do Minho, não conhecia ninguém. Era muito nova e, os motoristas dos autocarros dependiam em parte das minhas ordens. Os clientes também me achavam muito nova para ser directora da empresa e, se voltarmos vinte e quatro anos atrás, as mulheres tinham dificuldades em se fazerem respeitar e, por conseguinte mostrar o seu valor profissional. Felizmente, não sou pessoa de desistir perante a adversidade! Sou persistente e, lá vou levando a água ao meu moinho! Fui interagindo com as pessoas e, elas, a pouco e pouco reconhecendo as minhas qualidades.
Como foi que, passaste a ser a gerente da tua agência?
Algum tempo depois o meu patrão resolveu mudar de ramo, ficando só com os autocarros e, eu aproveitei a oportunidade que ele me deu de ficar com a empresa e continuar com o ramo, uma vez que, tinha sido eu que tinha feito a clientela da casa. Aceitei, trabalhando ainda alguns anos sob o alvará da Salamondetur que, era agência de viagens e transportes.
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Mais tarde adquiri um alvará novo, em meu nome, pois possuía todas as condições exigidas por lei para tal.
Lola, como chegaste a Cabeceiras de Basto?
Sempre tive a intenção de aumentar o negócio e, como sempre gostei desta terra e, atendendo ao crescimento que o concelho estava a ter e, verificando que na data não existia nenhuma agência nele, resolvi apostar. Em boa hora o fiz! Foi no dia 21 de Dezembro, vai fazer nestes dias quatro anos, conforme o publicitado no vosso prestigiado jornal. Inaugurei esta primeira filial da Turiermal, na Praça da República.
Desde essa hora da inauguração tive o apoio de toda a gente, amigos, antigos colegas da escola e do Colégio de S. Miguel de Refojos e, principalmente tenho que agradecer mais uma vez ao poder local, na pessoa do Senhor Presidente da Câmara, Engenheiro Joaquim Barreto, alguns vereadores e imprensa local que, me acolheram de braços abertos como se tivesse vivido toda a minha vida em Cabeceiras de Basto. Senti desde o primeiro momento que, as pessoas queriam que me integrasse e, preenchesse o vazio que, havia neste tipo de serviço nesta terra. E, já vão quatro anos!
E, nestes quatro anos sabendo que a crise já se aproximava como foi gerir o negócio?
Cabeceiras de Basto é mais sazonal, alternando meses de muita procura e, outros meses mais calmos embora, este ano, apesar de muita crise Cabeceiras não caiu e, teve uma ligeira subida.
Lola, quando abriu uma agência concorrente aqui próximo do teu escritório o que pensaste?
Pensei que, mais uma vez não ia esmorecer, mantendo o mesmo nível profissional que sempre me caracterizou. Por outro lado, o facto de sermos (a Turiermal) IATA, quer dizer que somos agência emissora de bilhetes de avião o que, por isso, não temos de pagar a ninguém pela emissão dos nossos bilhetes de avião como acontece na maioria das agências. Por esse motivo eram sempre mais baratos , na Turiermal.
Lola, continuas a ter as mesmas expectativas?
Nos meus vinte e quatro anos de actividade já passei algumas crises, nomeadamente a de 1993, no entanto, tenho a plena consciência que, a crise que estamos a atravessar não é só do País mas, global. Sei que vai alterar o comportamento de consumo das famílias mas, como o mercado de Cabeceiras não é de comprar férias a crédito, estou convencida que quem comprava férias vai continuar a fazê-lo. Os nossos emigrantes vão continuar a comprar aqui os bilhetes nas suas viagens de ida e volta.
Lola, queres deixar alguma mensagem para os teus clientes e amigos, uma vez que estamos a atravessar uma quadra tão emotiva como é o Natal?
Uma vez que tive a oportunidade que me deste de usar a tua página no Ecos de Basto, vou aproveitar para desejar aos cabeceirenses residentes, aos que estão fora espalhados pelo Continente, Ilhas, Europa, Extra Europa, Resto do Mundo e a todos aqueles que lêem o jornal mesmo não sendo assinantes, bem como às entidades públicas deste concelho, Bom Natal e um melhor Ano Novo.
Quero ainda deixar o meu profundo reconhecimento e agradecimento a todos os clientes que passaram durante estes quatro anos pela Turiermal.

Por: Fernanda Carneiro

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