Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-11-2011

SECÇÃO: Opinião

Carvalha do Souto

I
Junto da minha janela
Aos vidros encostadinha
Ergue-se ainda bela
Uma carvalha velhinha

II

Pelo sol ela é beijada
Só a chuva a faz chorar
Pelo vento afagada
Namora com o mar

III

Já lhe perguntei baixinho
Quantos anos ela tem
Respondeu-me com carinho
Não sei nem sabe ninguém

IV

Olhei para ela a sorrir
E sentir os seus tristes anos
Nitidamente eu ouvi
Tenho oitocentos ou mais

V

Ao longo das gerações
Tudo o que tinha vos dei
Ouvi bater corações
Quantos amores escutei

VI

Nem nome todos a sabem
Seja o Tonho, o Quim ou o Zé
Sou a carvalha do souto
Espero morrer de pé
VII

A sua casca enrugada
Mostra com simplicidade
É uma anciã prendada
De que ninguém sabe a idade

VIII

Esta vizinha que eu tenho
Luta muito para viver
E pede com muito empenho
Que não deixem morrer

M. Cândida Antunes

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