Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 17-10-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

GÉMEOS FESTEJARAM OITENTA ANOS DE VIDA

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O Manuel e a Emília de Campos (Colatrés) de parabéns

Caros leitores, ao longo dos anos, tenho falado bastante de alguns membros da minha família assim, como de outras pessoas. O motivo porque falo delas refere-se ao facto da minha vida estar interligada de alguma maneira com os mesmos. Com a família pelos laços afectivos, como intervenientes directos e, das outras pessoas, pelas suas vivências, pelas suas histórias, pelos seus ensinamentos, pelos testemunhos e factos históricos deixados nesta terra que, ainda hoje prevalecem. E, continua no futuro porque a nossa história constrói-se dia a dia.
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Os sentimentos que nutro e, a minha curiosidade quase obsessiva pela história local (por exemplo, costumes e tradições de um povo) de todos os “personagens” das minhas crónicas, leva-me à “obrigação” de registar, através das palavras escritas nos jornais, ou nos livros, as suas histórias de vida para que, ninguém esqueça as suas origens e que, ninguém esqueça que foi graças aos seus avós que, hoje, podem ter orgulho da sua terra e, por conseguinte, continuar no futuro a obra deixada pelos seus avoengos.
Nesta crónica singela, escrita com a “alma na boca”, vou falar de um aniversário de dois irmãos gémeos de oitenta anos que, a mim, me diz muito. Não quer dizer que este aniversário seja uma coisa inédita ou muito rara. Ainda, acontece, felizmente! O que vai sendo raro é o facto de serem gémeos e estarem os dois vivos. Os aniversariantes de que vou falar são o meu pai Manuel de Campos, morador na Raposeira e a sua irmã Emília de Sousa Campos, de Cal Campos, em Outeiro, dois dos dez filhos do meu avô, José de Campos, mais conhecido por “Zé Colatré” com muito gosto!
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Os dois gémeos nem são dos mais velhos nem dos mais novos, ficam mais ou menos no meio e, como diz o ditado; no meio é que está a virtude!
Este ano os filhos da aniversariante Emília, o Américo, o Joaquim Viriato e o Álvaro Gomes, assim como, os nove filhos do meu pai e da minha saudosa mãe, Isaura da Silva resolvemos fazer uma surpresa aos dois manos. Pela minha tia e madrinha Emília, sabíamos que ia ficar contente, agora o meu pai… nunca foi dado a festas mas, lá conseguimos convencê-lo. Diz que é barulho a mais.
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Infelizmente, já não têm os seus cônjuges, a minha madrinha é viúva há muitos anos do tio Bernardino Gomes (filho do senhor Joaquim da carne, da Cachada) mas, graças a Deus, tanto o meu pai como a sua gémea têm a sorte de terem vivos todos os seus filhos.
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Já estão a ver, queridos leitores, a quantidade de família só destes dois irmãos, todos casados e com filhos. O meu pai até já tem seis bisnetos pela minha parte (cinco netos) e pela minha irmã Isabel (uma neta). Agora, vejam os descendentes dos outros tios. Só o meu tio Francisco, viúvo da tia Olaia, de Painzela que, era também tia da D. Cândida Marques ( dos Ferrugens, viúva do Zé Pote, das antigas glórias do Atlético Cabeceirense), não tiveram filhos. Esse meu tio, já bastante idoso, mora em S. Romão do Coronado, se me não engano, pertence à Trofa.
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Neste aniversário, compareceram todos os filhos, noras, genros, netos solteiros, netos casados e bisnetos de ambos. Estiveram também presentes, a minha outra “madrinha”, Cândida Vilela Campos, da Raposeira, que é viúva do meu saudoso tio e padrinho, António Sousa Campos, pai do Leandro Vilela Campos que é “Protésico”, da Ana Maria que trabalha com o irmão e dos Eduardo Campos e Manuel José Vilela Campos (meu afilhado) e são emigrantes, em França. Por acaso o Eduardo e a sua esposa Clara, vão regressar de vez a Portugal na próxima quinta feira para grande alegria da mãe e irmãos e também nossa! Fomos criados todos juntos e, damo-nos como irmãos, até pelo facto de vivermos perto uns dos outros na Raposeira.
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A festa correu muito bem! Alguns membros da família integram os Cavaquinhos da Raposeira, os Manuel Carneiro pai e filho, o meu irmão Joaquim Campos e a sua esposa Maria Arminda, o cunhado Alberto Ribeiro, o Leandro, o Fernando com a sua concertina, a Ana Maria com as suas castanholas e eu, Fernanda Campos Carneiro, que mais ou menos sou uma espécie de matriarca e de relações públicas dos cavaquinhos. A animação musical estava garantida. Cantou quem quis e quem tinha a garganta afinada. Claro que, os comes e bebes ajudavam a lubrificar as cordas vocais. Os cantores, os atrás citados, mais a minha irmã Otília, a Conceição, a Isabel, a Anabela e também, a minha madrinha Emília que, sempre cantou muito bem! No tempo da sua mocidade andou no Rancho da D. Maria Cambada mais o meu tio António da Raposeira.
A festa foi realizada numa casa, mais precisamente num salão com uma cozinha toda em pedra muito bonita que, fica no monte próximo da Senhora D´Orada, pertença do meu primo Quim do talho. O dia estava bastante nublado com alguns chuviscos mas, lá para a tarde a coisa compôs. Quando o nevoeiro levantou foi possível ver as paisagens em redor e ficamos extasiados! Lindo, lindo!
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Não faltou que comer e que beber. Enquanto o meu primo Joaquim Viriato (do Talho S. Miguel) esteve toda a tarde a cozinhar (grelhando carne e a fazer tachos de arroz seco, batatas cozidas, caldo verde, etc.) os outros tocavam e cantavam. Ao mesmo tempo iam colocando as sobremesas e as bebidas na mesa. Os sumos, águas e o “tintol” acompanharam tão maravilhoso repasto.
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Acima de todos estes considerandos sobre uma tarde bem passada na companhia da família, quero aqui dizer que, os meus avós e os seus filhos tiveram uma vida dura de trabalho na agricultura. Tiveram muitos filhos para criar e educar. Dos dez filhos do meu avô, só o meu pai e o irmão António foram à escola e, mesmo assim, com muito sacrifício. O meu pai teve a sorte de ter um grande professor. Foi o Professor Pereira Leite dos Pações, de Painzela que, o ensinou até à quarta classe. Diga-se em abono da verdade que tinham mais conhecimentos os da quarta classe antiga do que os do tempo de hoje. Posso também dizer isso porque sou do tempo das quartas classes bem feitas. Não estou a dizer que fosse uma aluna excepcional mas havia muitos bons professores! Eu, tive-os!
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Com tudo isto quero dizer que me sinto orgulhosa dos meus progenitores, dos meus avós e tios que nos ensinaram a fazer de tudo, mesmo na agricultura independentemente, do rumo que demos às nossas vidas.
Foi com muito gosto que os descendentes da Emília e do Bernardino e, nós, os do Manuel e da Isaura da Silva fizemos esta singela homenagem que, se tornou num encontro que há muito tempo não acontecia.
Não vou falar mais. Vou colocar algumas fotos que registaram os melhores momentos. Como se costuma dizer, uma imagem vale mais que mil palavras!
Muito obrigada pela paciência de me “escutarem".


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Por: Fernanda Carneiro

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