Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-09-2011

SECÇÃO: Opinião

SEXTILHAS SOLTAS

Se uma estrela cadente
Viesse cair-me na mão
E eu a pudesse suster.
Faria dela um coração,
Um coração muito ardente,
P’ra te poder oferecer.

Oh, quem me dera voar!...
Ter asas como o condor
Para levar-te ao Céu.
Tu sabes lá meu amor!
Onde iríamos pousar,
E o que te daria eu?

Um dia Quando eu morrer
Quem Fechará os meus olhos
Sem te verem já sem vida?
Deixarás de ter escolhos
Já não são para te ver,
E te viram toda a vida.

Oh mar largo oh mar largo
Por onde vais que não sei
Sempre á volta do mundo!...
Quem foi que te deu a Lei!..
És tão bom e tão amargo:
De onde és oriundo?

Ás vezes penso comigo
Com respeito ao amor,
Se amor há numa pedra.
Vejo com o mesmo ardor
Amamentar oe seus filhos,
Os peitos de uma fera.

Olhai as aves do Céu,
Por mais pequena que seja,
Eis a mesma ansiedade.
Nunca foram á igreja,
Nunca puseram um véu,
Como amam de verdade.

O amor vem de cima
Do Céu o Eterno farol.
Belo como espada nua.
P’ro dia é que Deus fez o sol
P’ro poeta fez a rima,
Prá noite é que fez a lua.

Deu tanta beleza ao Mundo,
Confiou no homem de tal sorte:
Tudo lhe com mercê.
Deu-lhe a vida e a morte,
Quis que fosse fecundo,
Afinal que fez você?

Jaime de Sousa e Silva

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