Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-09-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

A GRANDE FESTA DA SENHORA DOS REMÉDIOS

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No Arco de Baúlhe

Caros leitores, espero que todos tenham passado umas boas férias neste verão, pelo menos aqueles que, as puderam ter. Também tive umas férias mais ou menos boas, apesar das nortadas que se fizeram sentir no Alto Minho.
Como sempre, no verão, há muitas festas dedicadas aos santos padroeiros de cada freguesia. São todas realizadas em meados de Julho, durante todo o mês de Agosto e, durante todo o mês de Setembro. É nestes meses que os nossos queridos emigrantes regressam à sua (nossa) terra para matar saudades dos seus familiares, gozarem as suas casinhas lindas que ficam, pelo menos, um ano fechadas, para tratar das facturas e impostos porque o Estado não perdoa, para irem aos bancos para verificarem se os seus dinheiros ganhos com muito suor renderam o suficiente, para cortar algumas ervas dos quintais e, vêem também com especial intenção de irem às romarias das suas freguesias e das outras em redor. Para os emigrantes os locais de festa, servem também, de ponto de encontro onde todos põem a “escrita em dia”. É isso que fazem! Nestas alturas do ano é ver e ouvir em Cabeceiras de Basto, principalmente nos centros mais urbanos, muita gente, muitos carros, em especial nos dias da feira semanal e como é de calcular, ouve-se falar sobretudo francês em qualquer local, melhor ou pior, falado conforme a idade. Todos sabemos que os jovens aprendem línguas com muito mais facilidade.
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A confusão é muita mas, é bonito! Todo o centro da nossa vila cheio de gente que se cumprimenta, que se abraça, que se pergunta por este ou por aquele, como é que vai a saúde, etc. É bom quando as pessoas se revêem todos os anos. E, para se rever toda a gente não há como a festinha da freguesia. Por acaso não costumo frequentar as festas ao redor mas, as que eu não costumo falhar são as grandiosas Festas da Senhora dos Remédios, no primeiro fim de semana de Setembro e a Festa do S. Miguel de Refojos que tem a duração de onze dias. Sem desprimor das outras, estas são, sem dúvida, as que me tocam fundo e me dão alegria.
Mas hoje vou falar sobretudo da Festa da Senhora dos Remédios, do Arco de Baúlhe. Não sei se já vos tinha contado em algum artigo, que a minha saudosa mãe foi criada no Arco de Baúlhe, penso que na Rua do Arco, com a sua avó, a Aninhas “Marchanta”, portanto minha bisavó pela parte do meu avô António Silva (matava cabritos) pai da minha mãe. Posso dizer que, tenho lá no Arco de Baúlhe, muitos primos embora, com um grau de parentesco já bastante afastado mas, nem por isso deixamos de sentir aquele vínculo familiar. Os meus filhos ficam admirados quando cumprimento algumas pessoas na rua e lhes digo que são primos. Eu respondo que são primos em terceiro e quarto grau mas, são da família.
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Este ano resolvi dedicar esta minha crónica à Senhora dos Remédios e, então, aproveitei o sábado da parte da tarde em que estava tudo um pouco mais calmo e, fui conversando com alguns arcoenses, entre eles o senhor Joaquim Silva e o Luís de Magalhães, ambos da Rua do Arco para que me falassem um pouco dos festejos do antigamente, como é que se faziam naquele tempo em que não havia iluminação pública, em que as bandeiras eram feitas à mão pelas pessoas mais bairristas e como é que cabiam as pessoas todas quando, segundo me contaram e, emendem-me se estiver errada, a avenida Capitão Elísio de Azevedo terá cerca de sessenta anos.
Estes dois amigos muito simpaticamente disseram:
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- “Ó minha senhora, antigamente não havia nada disto como agora. Olhe, quando não havia iluminação, punham-se velas à janela ou gasómetros. Quando começaram a por as iluminações foram os Vilaças, de Braga durante muito tempo. Quanto à música não era nos palcos como se vê, eram grupos de pessoas que cantavam ao desafio e, haviam os habilidosos que tocavam viola, cavaquinhos e concertinas. Há mais ou menos setenta anos começou a vir a Banda Cabeceirense (aqui a data o senhor Silva não tinha bem precisa). Os enfeites (as bandeiras) eram feitos pelas pessoas dos lugares ali do centro e pelos mais bairristas. Foi sempre uma festa com muita gente. Os divertimentos que já vinham na época eram as cadeirinhas e o carrossel oito que eram colocados na Serra. Vinha muita gente de todo lado em especial de Atei, Mondim de Basto, Celorico de Basto, lugar de Moimenta e Cavez”.
O senhor Luís de Magalhães, ia ouvindo e lá foi dizendo:
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-”Eu tenho 58 anos, portanto das memórias já muito antigas, não posso falar mas, sei que, eram como o senhor Joaquim Silva diz, porque os nossos pais e as outras pessoas aqui do Arco contavam”.
- E como eram as tendas e o que se vendia nesses dias de festa?
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-” Eram tendeiros que vinham doutros lados e vendiam cobertores de lã e mantas de Barroso e de Cerva, entre outras coisas. Também tínhamos as grandes lojas cá do Arco de Baúlhe que as pessoas aproveitavam para visitar e comprar as novidades. Havia também pessoas que punham uma barraquinha para vender café feito na chocolateira e acompanhado do bagacinho principalmente na noitada. Acho que até eram pessoas do lado de Cavez que faziam isso, não me recordo agora. Sabe, o que quase nunca faltava eram as pauladas que se davam pela noite dentro, como acerto de contas. Ou eram com os de Cavez, por causa da Festa de S. Bartolomeu ou muitas das vezes eram entre os do Arco de Baúlhe”.
A minha saudosa mãe, Isaura da Silva, que hoje teria 82 anos se fosse viva, contava aos seus filhos (somos nove) essas peripécias que se faziam por altura das festas da Senhora dos Remédios e também, de certas partidas que se pregavam. Por conseguinte dá para perceber que era uma festa religiosa e popular muito preenchida.
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Hoje, os tempos são outros, são mais electrónicos, os grupos que vêem, cantam em playback, trazem dançarinas que rebolam no palco mas que, dá graça e é bonito de se ver. E, a verdade é uma só, o Arco de Baúlhe tem-se esmerado cada vez mais em cada ano pelo sucesso da sua Senhora dos Remédios. Na minha humilde opinião, como espectadora e, fotógrafa amadora devo dizer que a procissão teve um grande nível. A própria decoração floral dos andores, via-se que tinham ali mãos de ‘estilistas’ no ramo das flores. Via-se pelo aparato que estava bem organizada. Valeu a pena esperar um bocado pela procissão mas, compensou ver a beleza dos vinte e cinco andores. Tirei fotografias maravilhosas! Muito haveria para dizer mas, de certeza que muitos de vós já assistiram! Espero que o Arco de Baúlhe continue assim tão bairrista como sempre.
Espero que me desculpem por algum dado incorrecto mas, não foi por mal. E até à próxima festa, se Deus quiser.
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Joaquim Silva e Luís Magalhães
Joaquim Silva e Luís Magalhães

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O andor da Srª dos Remédios com a guarda de honra
O andor da Srª dos Remédios com a guarda de honra

Presidente da Câmara, Engº Joaquim Barreto, Presidente da Assembleia Municipal, Dr. China Pereira, Presidente da Junta do Arco de Baúlhe, Armando Duro e Adriano Valente, da Comissão da Festa, atrás do pálio
Presidente da Câmara, Engº Joaquim Barreto, Presidente da Assembleia Municipal, Dr. China Pereira, Presidente da Junta do Arco de Baúlhe, Armando Duro e Adriano Valente, da Comissão da Festa, atrás do pálio

Banda Cabeceirense
Banda Cabeceirense


































Por: Fernanda Carneiro

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