Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-08-2011

SECÇÃO: Opinião

OH! QUE SAUDADE

Tenho uma saudade imensa,
Da minha terra do meu rio!...
Como passa sereno: sem um queixume!...
Vai sorrateiro encostado à Vila…
Como que envergonhado.
Quantas vezes me banhei nele?
Não tem conta!
Que alegria eu tinha ao banhar-me
Naquelas águas límpidas;
Pareciam prata!
Quando debaixo de água abria os olhos!...
Via o areal no fundo com mil cores!...
Os peixes fugiam na minha frente
Eram mais lampreias do que eu.
Ia do penedo ao açude.
Punha-me a ouvir o som das águas.
O seu murmúrio!
A água cristalina saltava de pedra em pedra:
E então lá já em baixo,
Se juntava a outra água que era repartida,
Para fazer mover os cinco moinhos
De pedra, que eram movidos pelo repuxo
Que os cubos expeliam, batendo
Com imensa força nas pás do grosso
Eixo que tocava a pesada mó.
Mais abaixo havia outro ribeirinho
Que envergonhado, vinha juntar-se
Ao rio junto aos campos do Jorge.
E, já ia o meu rio contente cantarolando!...
Sempre a mesma melodia
Não era a valsa do Danúbio Azul, não.
Era uma canção melancólica,
Que só eu entendia!...
Passava horas sem fim a ouvi-lo.
Todos os dias cantavam a mesma canção
Que bela!...
Era uma voz fresca,
Como a de uma criança.
Sim: porque o meu rio é isso mesmo.
Ele é Eterno, mas sempre novo
É um menino,
Cujo destino é o mar:
Sempre ansioso por lá chegar.
Desde que saí da minha terra
Não mais me banhei nele!...
Parece impossível!
A minha vida é um romance!
Que saudades eu tenho!
Como é difícil suportá-la!
A minha vida foi um fracasso:
Foi uma caminhada dura!
Tudo que comecei não acabei
Porque tive de lutar sozinho.
O meu rio é uma criança,
Estou cheio de saudades…
Até quando, me banharei nas tuas águas?

Jaime de Sousa e Silva

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.