Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-08-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

FERNANDO OLIVEIRA CARVALHO DE CAVEZ

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Um emigrante de visita à sua querida terra

Caros leitores, não poderia deixar passar esta época de férias sem dizer algumas palavras àqueles que, chegam de terras longínquas, para visitar os seus queridos familiares.
Apesar de, também, ter tido algumas férias neste mês de Agosto, ainda deu tempo e, oportunidade para falar com a maioria deles que nos visitam nas nossas instalações do Ecos de Basto ou, falando também, com aqueles que encontro na rua. É sempre uma alegria revê-los. Sei que, eles até têm estima por mim! Dizem, os que nos lêem, através da assinatura ou aqueles que lêem por intermédio do empréstimo do jornal entre familiares e amigos, que eu lhes entro pela casa dentro de três em três semanas, quando o jornal lá chega. Por isso, para eles, sou considerada como uma pessoa de família. O que me torna feliz e, agradeço muito sensibilizada. O mesmo se estende aos meus colegas que, colaboram dedicando o seu precioso tempo a escrever para este jornal, contribuindo para que o nosso povo, que está tão longe da sua terra, não sinta tantas saudades.
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Pela parte que me toca, devo dizer que, parte da vontade de escrever, o devo a todos aqueles que, lêem as minhas crónicas com artigos diversos. São todos os leitores cabeceirenses e não só, os que se encontram cá no Continente, Ilhas, na Europa e no Resto do Mundo que me incentivam a continuar, pedindo ao mesmo tempo que, escreva algo sobre todas as freguesias do nosso concelho. As saudades são muitas e, assim, através do jornal sempre vão tendo oportunidade de receber notícias da sua terra. Já tenho feito algumas entrevistas em freguesias próximas e, por esse motivo hoje vou dedicar esta crónica ao nosso amigo e colaborador, Fernando Oliveira de Carvalho, de Cavez, emigrante em França há muitos anos, que veio como de costume visitar a sua querida terra e, por conseguinte, todos os familiares e amigos , diz ele com grande emoção que são mais que muitos!
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Confesso que, não pensei antecipadamente que, seria o Fernando o personagem da minha história neste número do Ecos, mas, como sempre, quando quero escrever, a sorte bate-me à porta que, é como quem diz, à porta da nossa redacção. O Fernando Carvalho veio renovar a sua assinatura e, eu claro, já não o deixei sair sem lhe pedir que me deixasse entrevistá-lo. O Fernando, simpático como sempre, atendeu a este meu pedido até porque, ele é um poeta e, sempre me chamou a atenção a maneira como ele escreve os seus poemas. Eu, não sou poeta nem tenho veia para isso, o que lamento mas, sei ver quem tem alma para isso. Por exemplo, só para citar, gosto da poesia da Professora Cecília do Samão, da freguesia de Gondiães. A professora Cecília além da sua sensibilidade para a escrita, põe toda a sua alma nos poemas que escreve, uma emoção profunda, onde se sente alegria, tristeza, nostalgia e também sofrimento. São estes “escritos” sofridos e apaixonados de pessoas como a D. Cecília e como o Fernando que nos põe a reflectir. Isto sem desprimor por outros autores e colaboradores, de Cabeceiras como o Alexandre Carvalho Teixeira.
Como atrás referi, o Fernando Oliveira Carvalho, “caiu-me do céu” e ele simpaticamente, como é seu apanágio, aceitou que eu lhe fizesse algumas perguntas e, me contasse alguma coisa da sua vida.
Como um bom aluno, o Fernando Carvalho trouxe-me o “trabalho de casa” feito com os dados que me poderiam interessar como a sua biografia e algumas fotos e, que vou introduzir conforme ele escreveu e assim não corro o risco de me enganar. Então é o seguinte:
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Fernando de Oliveira Carvalho, nasceu a 18 de Outubro de 1961, no lugar do Esturrado, na Freguesia de Cavez. É filho de Basílio Batista de Carvalho, já falecido e, de Maria Rosa de Oliveira. É o mais velho de onze irmãos. É casado com Natália Maria Pereira de Sousa, também uma natural da mesma freguesia. Pai de dois filhos, a Daniela de vinte e dois anos e do Daniel de vinte nascidos em terras francesas mais propriamente, em Lyon. Tem também um neto.
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Fernando passou a sua juventude até aos dezassete anos em Cavez, até que um dia de Fevereiro de 1979 na companhia de mais uns amigos, o Manuel Dias, Alfredo das Neves, Albino Pereira e o Manuel Serrão (já falecido) emigrou para terras de França. Não foi dessa vez que esta aventura correu bem e, regressou outra vez à sua terra natal. Por aqui se deixou andar mais ou menos até 1981. Nesta data, ele e mais uns amigos decidiram tentar outra oportunidade, desta vez nos Açores de onde regressou um ano mais tarde. Ainda esteve cerca de seis meses em Espanha mas, insatisfeito com a sua vida e, com o seu espírito aventureiro sempre a tentá-lo eis que, resolve dar outra oportunidade. Em 1983 em companhia do amigo António Alfaiate volta a França onde ficou até hoje. Foi já em terras de França que a amizade que mantinha com Amália, uma vizinha e amiga, passou ao plano amoroso e aí casaram e tiveram os seus dois filhos. Pelas palavras dos dois vê-se que são felizes e dá para se perceber.
Quando lhe perguntei com quem ele aprendeu a sentir o gosto pela leitura e quem foi que lhe ensinou as primeiras letras disse-me:
“O meu primeiro professor que me ensinou a primeira classe foi o Dr. Manuel Gonçalves, de Cavez, depois foi a Professora D. Virgínia, que não sei se a D. Fernanda se lembra, era esposa do Senhor Frederico de Parada”
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Bons professores, disse-lhe eu:
“ Sim senhor mas, outra pessoa que teve muita influência em mim sobre as leituras e outros saberes, foi o Francisco mais conhecido pelo “Benfica” que só tinha a quarta classe mas, uma quarta classe das antigas que, valia na altura tanto como um nono ano. Ele lia tudo, procurava até encontrar o que precisava de saber. Daí, esta minha aptidão e, o gosto de ler que deu origem a esta vontade de me exprimir. Escrevo sempre à noite no silêncio da minha casa quando a minha família está em descanso. Para mim, escrever tornou-se um escape que, servia de separação entre o trabalho e o tempo dedicado à minha pessoa. Sabe D. Fernanda, entre os autores que eu ia lendo os que mais me despertaram foram os de António Aleixo, Cesário Verde e Camilo Castelo Branco. Gostei sempre de ouvir cantar ao desafio porque me fascinava a maneira como os cantadores improvisavam as suas rimas de maneira que tudo o que ouvia nessa matéria mais uma certa inspiração, lá fui fazendo as minhas poesias. Eu era um aluno aplicado mas, não tinha muita liberdade para estudar naquele tempo. Por esse motivo, foi que eu tomei outro rumo por esse mundo fora”.
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O Fernando Carvalho, nunca deixou de vir à sua terra todos os anos e nunca faltou a nenhuma festa de S. Bartolomeu, em Cavez. Diz que às vezes vem mais do que uma vez. Os amigos, nunca os esquece, trá-los sempre no coração segundo me contou. Verifiquei que até se arrepia quando fala neles com a emoção. Tem um amor enorme pela sua freguesia pelas pessoas e em especial os mais idosos.
Com todas estas coisas que escrevi já me ia esquecendo que o Fernando Carvalho foi jogador no Desportivo de Cavez onde jogava sempre que lhe era possível. Mantém contacto connosco enviando-nos os seus poemas para publicar. Pelas suas palavras e pela sua maneira de ser, se pode verificar que é um homem feliz e realizado. Só fica triste ao pensar que se um dia resolver vir de vez certamente, os seus filhos não o acompanharão. Nasceram e foram criados na França por esse motivo não é de admirar esta preocupação dos pais.
Mesmo à distância, é uma pessoa atenta a tudo que se passa na sua terra que o viu nascer. Tem um profundo orgulho nela, por esse motivo nunca deixou de a visitar.
Muito teria do que falar sobre o Fernando Carvalho pois conversamos muito. Um pouco de tudo. Seria preciso quase o jornal todo. Será para outra vez.
Antes de terminar quero aqui deixar os parabéns ao Fernando e à Amália pelo aniversário das suas Bodas de Prata festejadas no dia 16. Que festejem as bodas de ouro e de platina são os meus votos sinceros para este casal de emigrantes tão felizes. Um muito obrigada também por ter disponibilizado o seu tempo comigo. Boas férias e um bom regresso a França.

fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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