Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-07-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

JOSE DOS SANTOS BASTO SANOANE

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Faleceu um dos personagens das minhas histórias

Caros leitores, hoje estou a escrever algumas palavras de saudade alusivas ao meu grande amigo e camarada José dos Santos Basto Sanoane, recentemente desapareceu do mundo dos vivos. Já o conhecia há muitos anos, desde o tempo em que trabalhei na Sede do Partido Socialista, mais precisamente, desde o ano de 1987. Gostava muito de conversar com ele. Quando saía de Bucos, na altura no lugar de Além do Rio e descia até Cabeceiras de Basto, vinha sempre fazer uma visita à sede da secção de Cabeceiras de Basto. Anos mais tarde vinha ao Jornal Ecos de Basto para pagar a sua assinatura. Muitas das vezes convidava-me para tomar um cafezinho.
Quando em 1989 fiz os inquéritos agrícolas em algumas freguesias, nomeadamente na freguesia de Bucos, em regime de part-time, cerca de três meses, o senhor José e a sua filha Helena, ofereciam-me almoço a mim e ao meu marido, que por vezes me acompanhava, para não ter que vir a casa. Eram os filhos da Helena pequeninos. Hoje, a Helena já tem um netinho. Que eu saiba o senhor José viveu sempre com a filha.
Quando por um calhar me meti no mundo da escrita, o meu amigo Zé dos Santos, foi um dos personagens das minhas histórias de vida. Pelo que me contou na altura da entrevista, fiquei a saber que ele teve uma vida bem vivida. Muito novo partiu por esse mundo fora à procura de outras alternativas. Enviuvou cedo e ficou com três filhos a seu cargo.
Não vou aqui repetir o que já escrevi sobre ele no meu primeiro livro “Álbum de Recordações”. Tudo lá está dito mas, não ficaria de bem com a minha consciência se aqui não registasse algumas palavras sobre o Zé dos Santos Sanoane, de Bucos e sobretudo, não falasse do empenho e da colaboração prestada na melhoria da sua freguesia e da vivência que ele teve com o seu partido de eleição ao longo destes anos. Só quase no fim, devido à gravidade da sua saúde e, o facto de já não se poder deslocar na sua lambreta é que começaram a rarear as suas aparições.
Contrariou sempre a morte, bateu o pé teimoso e, conseguiu viver mais alguns anos do que os previstos pelos seus médicos mas, infelizmente, já não conseguiu vencer esta batalha. Fui a sua casa a Bucos, despedir-me dele e enquanto esperava a hora da saída do seu corpo para a Igreja local, recordei as suas palavras e a franqueza que tinha para com aqueles que lhe batessem à porta.
Conheço quase todas as pessoas da freguesia de Bucos. Conheço melhor uns do que outros mas, tenho mais lembranças da família do Zé dos Santos, nomeadamente da sua filha Helena com quem converso sempre que a ocasião se proporciona. Era uma pessoa muito estimada pelas gentes da terra. Para quem não sabe ele era cunhado do senhor Orides, antigo presidente da junta de Bucos. Eram de partidos opostos mas julgo eu que se davam bem.
Quero aqui deixar mais uma vez o meu sentido pesar à família do meu amigo e saudoso José Sanoane. Nunca esquecerei este personagem que com a sua experiência de vida enriqueceu a minha humilde escrita.
Bem haja Zé dos Santos, que esteja em eterno descanso e, obrigada pela transmissão dos saberes que deixou à sua terra.


fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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