Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 04-07-2011

SECÇÃO: Opinião

Opinião
O REGRESSO À POLÍTICA DE CASOS

DE CASOS

Pelos vistos entramos numa nova era ou, melhor dizendo, regressamos a um passado recente de tão má memória para a direita Cabeceirense. Com efeito, com Mário Leite à frente dos destinos do PSD local, a política de casos, de incidentes e de mesquinhices, regressou agora à actividade político-partidária do nosso concelho. Como eu me lembro dos resultados desta estratégia que, há poucos anos atrás, mais precisamente nas eleições de 2005, fez com que a representação da direita na Câmara Municipal tivesse sido reduzida de três para dois vereadores, enquanto que a representação do Partido Socialista aumentava de quatro para cinco mandatos. Assim ditaram os resultados eleitorais, assim ditou a vontade popular.
Lembro-me que, nesse tempo, os vereadores da coligação PSD-CDS/PP levantavam, muitas vezes, nas reuniões do executivo camarário, assuntos de menor interesse público e relevância para a gestão municipal, apenas e só com o objectivo de dar nas vistas através dos órgãos de comunicação social e não com a finalidade de saber e esclarecer questões concretas para os Cabeceirenses. Era a política do sensacionalismo, do bota-abaixo e, nalguns casos, com recurso ao ataque pessoal.
As dúvidas levantadas e os pedidos de esclarecimento solicitados pelos autarcas do PSD eram quase sempre quanto à forma e não quanto ao conteúdo das propostas. Era o ponto, a vírgula, o travessão e pouco mais que justificavam intervenções, requerimentos e tomadas de posição. Depois apareciam tratadas nos jornais, muitas vezes de forma enviesada e deturpada.
Marcaram um estilo que agora vemos ser repetido pelo mesmo dirigente social-democrata, Mário Leite. A política de causas e valores de interesse para o Município e para os Cabeceirenses dá lugar ao recurso a incidentes e casos que muito contribuem para o ambiente de conflito e alguma crispação e, dessa forma, para o mau funcionamento e para a má imagem dos órgãos autárquicos.
A não apresentação de alternativas e soluções de interesse público e a utilização sistemática da crítica não fundamentada, não traz qualquer benefício para o concelho.
A política tem que ser um espaço de debate de ideias, projectos e propostas. Tem que ser um espaço de construção e de verdade e não um espaço de intriga e de insinuações.
A construção de uma sociedade mais desenvolvida, mais próspera, mais moderna, exige de todos os actores políticos, dos autarcas de freguesia, dos autarcas da Assembleia Municipal e dos membros da Câmara, uma atitude responsável, de trabalho, de rigor e de transparência.
O que se passou na última Assembleia Municipal não prestigia o órgão. Na ânsia de criar mais um facto político, o PSD-CDS/PP, ao apresentarem votos de pesar e voto de congratulação em simultâneo, provocaram uma certa confusão entre o infortúnio do desaparecimento de dois ilustres cabeceirenses e a manifestação de alegria pela vitória do PSD nas eleições legislativas. A luta político-partidária não justifica tudo.
É chocante!

AC

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