Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 13-06-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

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RETORNO À MINHA SEGUNDA TERRA
Valinha do Minho, em Monção

Caros leitores, hoje vou falar-vos do meu regresso aos locais onde vivi desde um ano de idade até, mais ou menos, oito anos. Sei que, já por diversas vezes, vos falei das terras que me dizem muito. São elas: Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção, Melgaço e S. Gregório que, é onde começa Portugal. Para iniciar esta crónica ou esta “reportagem”, vou começar pelo princípio para explicar como cheguei até estes lugares que atrás referi.
A panorâmica vista das Muralhas de Valença
A panorâmica vista das Muralhas de Valença
Como estava um pouco adoentada resolvi, com o meu marido, tirar umas pequenas férias com a duração de cinco dias para mudar de ares e para recuperar um pouco dos meus achaques. Por esse motivo, resolvemos pela primeira vez, ir para umas termas onde o silêncio, as águas maravilhosas, o bom peixe grelhado, etc, me fizessem recuperar um pouco o meu “feitio falador” e bem disposto.
A Praça com a Estátua Deuladeu Martins
A Praça com a Estátua Deuladeu Martins
Deitamos os “pés ao caminho” que é como quem diz… Aproveitamos para sair da auto estrada que vai até Valença e aproveitamos para almoçar, um peixinho grelhado, dentro das Muralhas de Valença. De certeza que muitos de vós já conheceis este concelho que fica junto a Espanha, melhor dizendo do outro lado do rio Minho mesmo em frente fica uma localidade chamada Tui. Após a refeição demos a volta à parte antiga por dentro das muralhas, onde íamos comentando a arquitectura, ainda existente e, em boas condições por exemplo o local que as sentinelas usavam para vigiar, constantemente, as investidas dos Castelhanos ou outros invasores. Tarefa difícil para os inimigos porque, as muralhas são bastante altas e, até chegar ao interior do forte ainda tinha que passar mais do que um obstáculo. Já vi Valença muitas vezes mas, há sempre algo novo para vasculhar. O Manuel Carneiro, que é mais “miudinho” a esmiuçar a história, a que se dedica muito nestes últimos anos, vê ao pormenor tudo e de todos os ângulos até descobrir o ponto da questão, de maneira que, como só me tem a mim como ouvinte durante as viagens e, ainda não perdeu os hábitos de professor, tenho de prestar muita atenção à lição do senhor Professor Carneiro. Digo que ele tem a memória como um computador, só não tem quando é preciso recordar a fisionomia de alguém que já não vê há muito tempo.
As Termas do Peso, em Melgaço
As Termas do Peso, em Melgaço
Continuando a minha viagem, de Valença fomos para o nosso próximo destino, o concelho de Monção, mais propriamente as Termas de Monção, onde estive durante cinco dias e aproveitei para fazer as visitas aos locais históricos do concelho que tantas vezes calcorreei. Digo-vos com toda a franqueza que, sinto uma emoção profunda cada vez que o visito e observo os mesmos sítios que os meus pais faziam quando tinham de nos levar ao médico. Como já vos tinha dito em crónicas anteriores, os meus pais foram para a Valinha, freguesia de Ceivães, como feitores de uma quinta, que fica mais ou menos a oito, nove quilómetros do centro de Monção. Eu, já fui nascida daqui de Cabeceiras de Basto, talvez com quase um anito. Lá nasceram mais cinco, a Otília, a Conceição, a Isabel de Jesus, o José Luís e o Joaquim, mais conhecido por Quim Campos, da Câmara. Os meus pais para nos levar ao médico à vila, ou íamos de boleia com o filho do patrão da quinta, Dr. Jerónimo Castro, filho do dono da Quinta do Ribeiro, que teria quase a mesma idade do meu pai, mais ou menos vinte e dois a vinte e três anos, falecido há muitos anos e ainda muito jovem ou, na melhor das hipóteses, íamos numa carroça puxada a cavalos própria para o transporte das pessoas que se deslocavam para ir à feira semanal a Monção ou ao hospital. A única vez que me lembra que se foi a pé à Vila foi quando houve um cortejo de oferendas para o hospital de Monção e o meu pai se me não falha a memória também levou um carro de bois com coisas agrícolas. Imaginem o que se andou por aquelas estradas.
Monção, é conhecida pela boa gastronomia, regada com o Alvarinho que é dos vinhos verdes o melhor que há, dizem os entendidos e, é marca principal do concelho. Apreciei os monumentos com muita calma porque estava lá de férias e revisitei a famosa estátua de Deu -Lá – Deu Martim.
Palácio da Brejoeira, em Monção
Palácio da Brejoeira, em Monção
Numa dessas manhãs decidi ir até Melgaço, terra que também conheço bem, terra dos meus amigos Dr Ricardo Gonçalves, sua esposa Meninha e da Professora Jacinta, casada com o Dr Jorge Machado, para almoçar mas, antes de lá chegar, ainda passamos pelas águas medicinais do Peso, que também já conhecia e aproveitei para beber um copo porque dizem que faz bem ao fígado e aos diabetes. Até se bebe mais ou menos. Os Casais Empreiteiros de Braga, estão lá a reconstruir e a modernizar aqueles edifícios antigos para futuros tratamentos e exames médicos. Realmente um sítio maravilhoso como aquele onde antigamente se viam muitos prédios ao redor e casas até importantes, as pessoas iam para lá para “ficarem saudáveis” bebendo as águas e tomando banhos. Agora aqueles mesmos prédios ao redor encontram-se em ruínas bastante profundas. Pode ser que com a renovação das termas aquela zona ganhe nova vitalidade. Assim espero porque digo-vos que aquele lugar é maravilhoso!
Habita neste Palácio, a D. Hermínia, sua proprietária, já com 93 anos
Habita neste Palácio, a D. Hermínia, sua proprietária, já com 93 anos
Fomos um pouco mais acima e entramos na centro de Melgaço, outro concelho que a mim me diz muito. Como ainda era um pouco cedo para almoçar, aproveitei para passear nas ruas estreitas com as casas restauradas de acordo com o local que também tem muralhas, praticamente tudo em pedra. Visitei uma igreja antiga ali no centro. Tenho a realçar que à frente das casas e dos caminhos todos, imperava a limpeza. Passeei na praça frente à Câmara Municipal de Melgaço que, também, tem cá fora um chafariz como os nossos, aqui na nossa Praça da República. A paisagem que se observa lá de cima das muralhas para o horizonte é mesmo espectacular! Almoçamos num restaurante onde já lá comi noutras vezes mas, desta vez não comi peixe mas sim cabrito assado. Lá também se come um bacalhau com broa muito apetitoso.
A Igreja de Ceivães, onde foram baptizados os meus irmãos, Otília, Conceição, Isabel, José Luís e o Joaquim
A Igreja de Ceivães, onde foram baptizados os meus irmãos, Otília, Conceição, Isabel, José Luís e o Joaquim
Foi uma manhã muito bem passada! Regressamos ao Hotel das Termas de Monção, onde depois de fazer a digestão, fomos fazer o circuito termal, porque esse é que era o nosso objectivo principal, nestas mini férias. Umas férias pequenas.
Autografando o meu livro à madrinha do meu irmão José Luís, D. Rosinha, junto à Lola do Cabo
Autografando o meu livro à madrinha do meu irmão José Luís, D. Rosinha, junto à Lola do Cabo
Para finalizar este “roteiro turístico” que, ninguém mo encomendou, tenho que dizer também aqui, uma nota negativa sobre o centro de Monção. Vi com alguma tristeza casas importantes noutros tempos, mesmo no centro, completamente em ruínas entre as quais as casas do Caminho de ferro que, dantes vi em constante movimento e que agora, estão completamente abandonadas! Não sei se, a palavra abandonada será um atrevimento meu mas, o aspecto era deveras muito constrangedor. São esses os reparos que tenho a fazer. Tenho a certeza que, se fosse em Cabeceiras de Basto, o nosso Presidente Engenheiro Joaquim Barreto já tinha “cuidado” dessas casas em plena vila.
No geral, gostei muito! Vim com muitas saudades e, quando puder procurarei tirar outros dias, de certeza que, vou para as Termas de Monção. Fiquei apaixonada e prometi voltar.


fernandacarneiro52@hotmail.com

Eu com as filhas do Sr. Frederico
Eu com as filhas do Sr. Frederico

D. Rosinha, Fernanda e a Lola costureira
D. Rosinha, Fernanda e a Lola costureira

A casa onde trabalhava o Ferreirinho, padrinho da São, já falecido
A casa onde trabalhava o Ferreirinho, padrinho da São, já falecido

Câmara Municipal de Melgaço
Câmara Municipal de Melgaço






























Por: Fernanda Carneiro

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