Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 13-06-2011

SECÇÃO: Opinião

DESTINO

Na aldeia nasceu
Por lá cresceu
Se tornou alguém
Mas quis o destino
Que ainda menino
Perde-se pai e mãe

Agora sozinho
Já não tem o carinho
De sua mãe querida
Conhecer a Maria
Com quem casou um dia
Para toda vida

Desse casamento
Nasceu um rebento
Camado Luís
Com essa criança
Aumentou a esperança
Era então feliz

Até que um dia
De barriga vazia
Lá trabalhava terra
Com grande desilusão
Recebe intimação
Para ir p’ra gerra

Lá partiu pró mato
Na mala um retrato da mulher e filhinho
Era a sua bagagem
E com muinta coragem
Seguiu seu caminho

De voz arrogante
Diz o comandante
Toca a rastejar
Deitado no chão
De arma na mão
A ordem é matar

Um dia à tardinha
Quando a noite vinha
E sem dar por nada
Sentiu o inimigo
Estava ali o perigo
Cai numa embuscada

Ficou sem um braço
Era tanto o cansaço
Foi preso e ferido
Como não aparecia
Escreveram a Maria
Que tinha morrido

A notícia chegou
A Maria chorou
Pelo amor seu
Com tanta emoção
Parou-lhe o coração
E a Maria morreu

Posto em liberdade
Cheio de vontade
De regressar a terra
Está de volta alegria
Quer ver a Maria
Acabou a gerra

Ao chegar a aldeia
Longe estava a ideia
Do que se passou
Contaram-lhe o drama
Deitou-se
Na cama
Nunca mais acordou

Fernando Carvalho

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