Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 13-06-2011

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (140)

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ADMINISTRADORES

A notícia vem na página 42 do Jornal de Notícias do dia 21 de Maio de 2011, sábado. É uma pequena caixa que diz o seguinte: “Os dois principais accionistas da Galp vão aumentar o número de administradores de 17 para 21, mesmo sem existir consenso sobre quem sucederá a Manuel Ferreira de Oliveira na presidência da comissão executiva. A proposta foi apresentada em conjunto pela Amorim Energia e a Eni, que no conjunto detêm 66,68% do capital da petrolífera, e destina-se a ser votada na assembleia-geral da Galp, prevista para 30 de Maio”.
Se dezassete já são muitos, vinte e um são um pouco mais.
A Galp Energia faz parte daquele universo de empresas em que o Estado Português tem participação, e que, por via das chamadas golden shares (acções douradas) com direitos especiais, ou, de cláusulas leoninas, em acordos parassociais, detém direitos, chamados direitos especiais, que condicionam a nomeação de alguns dos elementos integrantes dos conselhos de administração, e/ou das comissões executivas.
No caso concreto da Galp Energia, parece que o Estado não detém qualquer lote de acções douradas. Mas existem dois tipos de participações com direitos especiais: uma participação de 1%, o equivalente a 8.292.510 acções, detida pela Caixa Geral de Depósitos; e uma outra de 7%, o equivalente a 58.079.514 acções, detida pela Parpública – Participações Públicas, SGPS, SA.
Segundo o acordo parassocial da empresa, é exactamente a Caixa Geral de Depósitos a entidade que tem o direito de indicar o nome da pessoa que ocupará o cargo de Presidente do Conselho de Administração. Tudo coisas muito singelas e demasiadamente simples.
Não há qualquer dúvida de que a Galp Energia é uma das maiores empresas do país, seja pelo volume de negócios, seja pelo número de trabalhadores, seja pela óptica do valor acrescentado, aparece sempre no núcleo das dez maiores.
Por exemplo, no exercício de 2010, apresentou um volume de negócios de 14.064 milhões de Euros, empregava 7.311 trabalhadores, e a sua contribuição para o PIB (valor acrescentado bruto) foi de 1.300 milhões de Euros. Contribuiu, portanto, com quase 1% do PIB.
Então, poder-se-ia ser tentado a sustentar que, pouco mais que cem empresas como a Galp, resolveriam o problema da economia do país! Perfariam cem por cento do PIB! Não, nada de mais errado. E o emprego? E toda a estrutura a montante e a jusante? As coisas não se resolvem por esse método. Porém, não se pode deixar de concluir que a Galp Energia é uma empresa muito importante.
Eu, porém, pretendo tocar noutro ponto. E esse ponto vem a propósito do parágrafo inicial desta crónica que tirei dum jornal. Não pensem, todavia, que me vou insurgir, sem apelo nem agravo, contra os vencimentos dos actuais dezassete administradores. Não, antes pelo contrário. Até penso que, também eles, e mais do que quaisquer outros, são sujeitos activos de um bom contributo para a resolução do nosso deficit público. Não ignoro que todos eles entregam ao Estado, sob a forma de imposto sobre o rendimento, quase metade dos vencimentos ilíquidos que auferem.
Seja como for, auferem muito.
Os dezassete auferiram de facto, durante o exercício de 2010, vencimentos distintos em conformidade com as suas posições no Conselho de Administração. A saber, há o presidente, os membros da comissão executiva e os não executivos. O Presidente da Comissão Executiva, o Eng. Manuel Ferreira de Oliveira auferiu 1.337.000 Euros, depois os membros da Comissão Executiva, onde pontua o Dr. Fernando Gomes, que antes fora Presidente da Câmara Municipal do Porto, auferiram, cada um, 437.500 Euros, por fim vêm os não executivos, que são aqueles que participam apenas em determinadas reuniões do conselho, e receberam, em média, cada um, 42.000 Euros.
Os números acima relatados referem-se, na sua totalidade, a remunerações fixas. Em anos anteriores, era uso receberem, para além das remunerações fixas, ainda uma remuneração variável, com muita substância. Em 2010, nenhum dos administradores recebeu qualquer importância sob a rubrica de remuneração variável, tudo isto, e sempre, a fazer fé no relatório de governo da empresa a que legalmente tive acesso.
O total auferido pelos membros do Conselho de Administração foi de 5.424.545 Euros. A sua média, se dividirmos por dezassete, tornar-se-á enganosa, daria 319.091, dado que houve sete elementos, os não executivos, que apenas auferiram, cada um, a média de 42.000 Euros. Vamos deixá-la de lado.
Ainda, e como complemento a toda esta análise, julgo interessante referir que o vencimento médio mensal ilíquido, dos 7311 trabalhadores que vêm referidos no relatório, foi de aprox. 2.800 Euros, nada mau. Sem dúvida que existirá um significativo número de quadros a ganhar bastante mais, e uma grande maioria a ganhar muito menos. É a vida, como alguém, alguma vez, terá proferido!
Agora, meditem um poucochinho comigo: então, o nosso amigo Dr. Fernando Gomes, pese embora o facto de se ficar por menos de um terço daquele que foi o vencimento do seu CEO (traduzido para português dá Presidente da Comissão Executiva) auferiu a airosa quantia de 437.500 Euros. Comparado com a minha pessoa, aqui não vou aplicar aqueles termos de simplicíssima e outros que tais, pois estaria a diminuir-me, e até pretendo provar exactamente algo de contrário, não me apelidarei, por agora, de um simples filho da terra, nem nada que se pareça. Eu sou um licenciado em Economia, e pós graduado em Finanças, tudo pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto e, reparando na minha declaração modelo 3 de IRS, do ano de 2010, vou ter que trabalhar, aliás, recuso-me fazê-lo, digo antes, teria que trabalhar mais de treze anos para conseguir aquele valor de 437.500 Euros.
É, qualquer dos membros da Comissão Executiva da Galp Energia ganha tanto num ano como eu ganharia em treze! E o seu superior hierárquico, o CEO, quero dizer, o Eng. Ferreira de Oliveira, ganha tanto num só ano como eu ganharia em quarenta!
Moralidade…? Talvez…! Mas…, de todo…, não me parece…

Por: José Costa Oliveira

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