Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-05-2011

SECÇÃO: Informação

‘Memórias do Território’ juntam especialistas em Cabeceiras de Basto

O Museu das Terras de Basto/Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe acolheu nos dias 19 e 20 de Maio, o primeiro Encontro de História Local intitulado ‘Memórias do Território 2011’, uma iniciativa que integrou várias conferências e visita ao património das Terras de Basto.
Promovido pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, o evento pretendeu divulgar o riquíssimo património natural, edificado e material da região, dando a conhecer um espaço multifacetado que pode e deve ser olhado de diferentes maneiras.
O primeiro dia de ‘Memórias do Território’ ficou marcado pela realização de cinco conferências protagonizadas pelos oradores Álvaro Domingues (geógrafo), Manuel Queiroga (professor), Inês Gonçalves (arquitecta), António Pereira Dinis (investigador) e Ricardo Cardoso da Fundação do Museu Nacional Ferroviário. Entre os principais temas destacam-se a ‘Vida no Campo’, ‘Notas para um inventário arqueológico de Cabeceiras de Basto’, ‘Moinhos de Cabeceiras de Basto: apontamentos e conservação’, ‘Muros-apiários do médio Tâmega: um património a preservar’ e a ‘Construção da Linha do Tâmega (1905-1949) ‘.
O programa de visitas no segundo dia, integrou a observação da silha de Arjuiz e das silhas de Requeixo, a visita às Fisgas de Ermelo, a Moinhos de Rei e à Torre de Abadim.
Com a visita foi possível ficar a conhecer algum do património de Cabeceiras e Mondim de Basto, mas muito mais há para desvendar, justificou a directora do Museu das Terras de Basto, Drª. Isabel Fernandes.
Depois de dar as boas-vindas aos oradores e aos mais de 30 participantes oriundos do Norte do país, o vereador da Cultura, Dr. Domingos Machado, garantiu que “em Cabeceiras de Basto existe uma enorme vontade de preservar o património”.
Depois de fazer uma breve retrospectiva sobre a história do Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe, Domingos Machado desejou “que do encontro saia uma reflexão que nos permita pensar melhor o nosso território quando confrontado com novos desafios” em termos do desenvolvimento económico e humano.
“Estas Memórias do Território são sem dúvida um local de partilha com outros Municípios das Terras de Basto que, tal como nós, têm vindo a pugnar pelo conhecimento desta região”, destacou a directora do Museu das Terras de Basto, finalizando: “se conseguirmos organizar todos os anos estes encontros e divulgar os temas aqui apresentados, começaremos a constituir um corpus de investigação sobre o território onde nos encontramos”.

Visitas ao património

Diversas visitas ao património das terras de Basto encerraram o primeiro Encontro de História Local – Memórias do Território.
A observação da silha de Arjuiz e das silhas de Requeixo - muros em pedra que sob a forma de círculo protegem as abelhas e as colmeias dos seus principais predadores - assim como a visita às Fisgas de Ermelo, ambas orientada pelo investigador António Pereira Dinis, integraram o programa da parte da manhã, proporcionando aos participantes uma observação directa sobre os locais referidos, desvendando simultaneamente, uma pouco das suas memórias e funcionalidades ao longo dos tempos. Esta visitas que tiveram lugar em Mondim de Basto, contaram com a colaboração daquela Câmara Municipal, que se associou ao evento.
O programa prosseguiu durante a tarde em Cabeceiras de Basto, com a visita a Moinhos de Rei, na freguesia de Abadim, onde sob a orientação da Arquitecta Inês Gonçalves foram explanados os usos e costumes de sete moinhos de água servidos pela ‘levada de víbora’, que outrora abastecia as gentes da freguesia e fazia funcionar as azenhas. Um conjunto de moinhos construídos no reinado de D. Dinis, rei que incentivou, sobretudo no Entre-Douro-e-Minho, a industria da moagem, até então quase exclusivamente realizada pelo esforço do homem e do animal, esmagando o cereal primeiramente entre duas pedras e recorrendo depois ao pilão e ao gral. A invenção dos moinhos de água, abriu uma nova era na moagem. Os Moinhos de Rei eram comunitários, pertencentes ao rei, mas metade do seu rendimento seria para a coroa.
Verdadeiras obras de ‘engenharia’ estes moinhos, ainda em funcionamento, despertaram o interesse do grupo, quer pela sua beleza, quer pelo local onde se inserem e pelo sistema de abastecimento de água que os serve.
A jornada terminou com a visita à Torre em Abadim.
Durante dois dias as ‘Memórias do Território’ proporcionaram aos participantes um maior conhecimento da região, traduzindo-se numa iniciativa do agrado de todos. Uma iniciativa que o Museu das Terras de Basto pretende repetir no próximo ano contribuindo desta forma para o conhecimento e a divulgação do território, das suas gentes e do seu modus vivendi.

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