Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-04-2011

SECÇÃO: Opinião

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À MINHA MÃE

Ao recordar minha mãe
Que no mundo me fez gente
Sinto os olhos marejados
Por quem me trouxe no ventre

Se é que o Céu existe
E lá possa haver alguém
Então é no Céu que mora
A santa da minha mãe

Naqueles tempos difíceis
Ao pobre tudo faltava
Com uma malga de caldo
A fome aos pobres matava

Como quem busca horizontes
Um dia a aldeia deixou
Levando um rancho de filhos
Que na cidade criou

Voltou à sua casinha
Seu rincão sua guarida
Tal como pomba branca
Um dia tombou sem vida

Sua alma já defunta
Mas ouvindo as preces minhas
Seus olhos verteram lágrimas
Que deslizaram mansinhas

Perdido o amor de mãe
Para sempre fugidio
Ajoelhei e rezei
Junto ao seu corpo já frio

A morte não me perdoa
Cedo a vida lhe roubou
Ela que deu tudo aos outros
Consigo nada levou

Dois turnos se revezando
O seu caixão transportou
Eram oito amados filhos
Que cá na terra deixou

Antes de fechar a urna
Quis beijar o rosto seu
Beijei um rosto de mãe
Que outrora beijou o meu
Não foi sonho nem miragem
Vi clarões de brancura
Envolvendo minha mãe
Ao baixar à sepultura

Retirei do campo santo
Na despedida, porém
Apenas balbuciei
Repousa em paz minha mãe

Por: Alexandre Teixeira

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