Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-02-2011

SECÇÃO: Opinião

Dietas com dieta

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A preocupação do Homem com o corpo não é recente.
A origem do culto do corpo remonta à antiguidade: os Gregos acreditavam, há cerca de 2500 anos a.C. que a estética e o físico eram tão importantes quanto o intelecto na busca da perfeição (“mens sana in corpore sano”- mente sá em corpo são).
Após a era Clássica, na Idade Média, as questões estéticas e o físico ficaram relegados para segundo plano. Durante essa época o corpo foi tratado de forma discreta, com todo o decoro exigido pelas crenças religiosas e de acordo com as leis divinas.
Só no Séc. XVIII, nos anos que se seguiram à revolução industrial, o corpo voltou a ter destaque no quotidiano do Homem ocidental.
Ao longo da história, foram as mulheres quem mais “sofreu” com este culto do corpo: o conceito de beleza passou das mulheres roliças, onde a gordura era formosura, até à magreza extrema, onde se cultiva a anorexia (doença do foro alimentar e psicológico com consequências graves e permanentes).
Nestas últimas décadas a busca pelo corpo perfeito tornou-se uma obsessão global.
Na busca por esta perfeição fazem-se sacrifícios que se pagam demasiadamente caros: alguns com a morte, como o caso recente da modelo francesa que sofria de anorexia.
As “dietas milagrosas” proliferaram e até nas revistas “cor-de-rosa” se dão conselhos para perder peso…
A dieta da lua – em que só se podem consumir líquidos e conforme as fases da lua os tipos de líquido mudam; a dieta das frutas – em que apenas se podem consumir frutas tropicais; a dieta da sopa – em que apenas se pode consumir sopa e num dos dias da semana podem ingerir-se todos os alimentos que se quiser, são alguns exemplos de dietas milagrosas que podem acarretar complicações de saúde para além de complicações a nível psicológico.
Diminuição do rendimento físico, cansaço, prostração, deficiências nutricionais (unhas fracas e quebradiças, cabelo baço, pele desidratada, etc.), desidratação, desmaios e problemas cardíacos são algumas das complicações associadas a estas dietas milagrosas. Fobia em relação a determinados tipos de alimentos, classificação dos alimentos como “PROIBIDOS” e “PERMITIDOS”, refeições que se transformam em momentos stressantes onde comer deixa de ser um acto social para ser um acto quase punitivo… As refeições em grupo tornam-se em momentos constrangedores para quem pratica este tipo de dietas.
Estas dietas milagrosas apenas dão resultado a curto prazo: o objectivo a que as pessoas se propõem é atingido num curto espaço de tempo, só que não é mantido ao longo do tempo. É o chamado efeito sanfona ou efeito iô-iô: perde-se peso num primeiro momento, mas como não houve um trabalho acompanhado por um especialista, educação alimentar e plano de exercício físico, o peso voltará, mais tarde ou mais cedo… E algumas vezes com uns quilinhos extra!
Há pessoas que por livre e espontânea vontade iniciam uma “dieta” e, como acontece na maior parte dos casos, restringem o consumo de determinados alimentos, chegando mesmo, em alguns casos, a eliminá-los da sua alimentação, como é o caso dos hidratos de carbono.
Passa-se fome, o humor altera-se, a irritabilidade instala-se… E num momento de fraqueza, come-se tudo aquilo que não se comeu… em dose a dobrar ou a triplicar!
Existem ainda as dietas que são acompanhadas por uma série de medicamentos: alguma atenção a este tipo de dietas! Muitos dos medicamentos utilizados servem apenas para eliminar a sensação de fome, são diuréticos e calmantes/tranquilizantes.
Com a perda da sensação de fome, podem passar-se longos dias a fazer apenas uma ou duas refeições diárias; com os diuréticos há uma excessiva eliminação de água o que conduz, automaticamente, a uma diminuição do peso corporal; os calmantes/tranquilizantes deixam as pessoas num estado de apatia em ralação à comida.
Quando se terminam estas dietas, o organismo volta exactamente ao mesmo ponto onde estava inicialmente: sem regras! E o peso regressa!...

Para quem pretende perder peso ou “esculpir” o seu corpo aqui ficam alguns conselhos:
1. Fazer um check-up geral
2. Aconselhar-se com um técnico especializado em alimentação e nutrição

Um plano alimentar para perda de peso deve ser ajustado a cada indivíduo, dado as características individuais (peso, idade, altura, sexo), gosto e preferências alimentares, rotinas alimentares e de exercício físico.
É importante que, quem pretende iniciar um plano alimentar para perder peso, tenha consciência que não irá ter resultados imediatos: a perda de peso deve ser gradual, acompanhada de modificação de hábitos alimentares e de um plano de exercício físico. Este último é fundamental para que se utilizem as reservas de gordura que existem a mais no organismo, sem danificar o músculo.
Quando isto acontece - quando em simultâneo a um plano alimentar se adopta um plano de exercício físico - o peso não varia muito, uma vez que se está a reduzir à quantidade de massa gorda e se aumenta a quantidade de massa muscular. A massa muscular pesa mais que a massa gorda e, como tal, na balança não se notarão muitas diferenças. Estas notar-se-ão nos perímetros de cinta, da anca e das coxas: a roupa começará a ficar mais larga e será necessário apertar o cinto um pouco mais atrás.


Por: Susana Ferreira

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