Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-02-2011

SECÇÃO: Correio do Leitor

Demais

Eu fumo demais
Eu bebo demais
Eu amo demais
Eu me rejeito demais
Eu me aceito demais
Eu dou carinhos demais

Tudo que eu faço é demais...
Mas... O que é demais?
Existem medidas nos comportamentos?

O que é demais no sofrimento?
É o choro contido ou ao choro dar a largada?

O que é demais no falar?
É o não poder calar?
É a palavra não dita ou a palavra embargada?

É a alegria que quero mostrar
Para a tristeza não demonstrar?
Ela é demais porque não é sincera?
Ou é apenas uma brincadeira de “à vera?”
Como viver sem ser demais?
É viver e a verdade não mostrar?
Isso é tão doloroso e tem tantos ais
Que prefiro me escancarar
Despudoradamente
Mentirosamente
Sinceramente...
Desastradamente

Que me importa o que pensam os outros
Do “meu demais”?
Enquanto viva, vou sobrevivendo
...E tem mais...

Em pouco irei morrer
E todos que me acham demais,
Vão saber como tudo foi insuportável
Mas eu suportei.
Suportei, sim.”O meu viver demais”.

Nana Pirez/Copacabana/04/10/2005

Dedico esta poesia a: minha neta Priscilla e bisneta Gigia///.Copacabana 30/05/2008.

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