Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-02-2011

SECÇÃO: Opinião

O Carteiro

Meus senhores vou vos cantar
E sem ter que inventar
Nem fugir da minha rota
A historia de um carteiro
Por sinal homem porreiro
Senhor Alexandre Mota

Natural de Boadela
P’ra Cavez veio atrás dela
Da mulher com quem casou
Caiu nas teias do amor
Este homem franco e falador
P’ra sua terra não mais voltou

“O Mota” assim era conhecido
E com seu ar de distraído
Ia dizia a gaguejar
Tens aqui carta Maria
Talvez te dê alegria
Alguém que te quer amar

Trazia cartas de amor
Também de tristeza e dor
De verdades e fantasia
Era um carteiro à moda antiga
Sempre uma palavra amiga
P’ralem da carta que trazia

Sempre alegre e sorridente
Levava notícias à gente
Sempre com a mesma alegria
Homem de moral e paz
A todos chamava rapaz
Por amizade e simpatia

Homem bom e educado
Por todos era esperado
Com alguma ansiedade
Mesmo em caso de drama
Lá levava o telegrama
E um abraço de conforto e amizade

Trazia cartas de esperança
Vindas da Suíça e França
Pró António e p’ra Ana
Eu perguntava: E então p’ra mim
Com humor dizia assim
Hoje não, tens p’ra semana

Se alguma carta trazia
Ele então com ironia
E o habitual comentário
Não faças ninguém sofrer
Porque às vezes sem nós querer
As coisas saem ao contrário

De tudo foi portador
De alegria, paz e amor
De tristeza, ódio e paixão
De sonhos e amizades
De revoltas, intrigas e verdades
A todos estendeu a mão
Ninguém lhe levou a mal
Porque a culpa afinal
Era só da profissão

Este homem que aprecio
Aqui me penitencio
Também lhe peço perdão
Sr. Mota não leve a mal
De lhe ter escrito este postal
Deixei falar o coração

Fernando Carvalho

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