Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-02-2011

SECÇÃO: Política

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
DISPERSÃO DE VOTOS À ESQUERDA FACILITOU VITÓRIA À PRIMEIRA VOLTA DE CAVACO SILVA

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No passado dia 23 de Janeiro, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República com uma percentagem de votação ligeiramente acima dos 50 por cento a que corresponderam 2.231.603 votos, menos 515 mil votos que obteve nas eleições de 2006.
A dispersão de votos à esquerda nos candidatos Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes e Defensor de Moura muito contribuíram para a eleição à primeira volta do actual Presidente da República e candidato Cavaco Silva.
Ao longo da história recente da democracia portuguesa, pós 25 de Abril, os Presidentes da República foram sempre reeleitos para um segundo mandato. Aconteceu assim com Ramalho Eanes, em 1980, que obteve 56,44 por cento dos votos, com Mário Soares, em 1991, com 70,35 por cento, com Jorge Sampaio, em 2001, com 55,76 por cento, e agora com Cavaco Silva com 52, 94 por cento dos votos expressos.
De referir que estas foram as eleições presidenciais com maior taxa de abstenção, ultrapassando 55 por cento dos eleitores o quem demonstra o desinteresse com que a maioria dos portugueses viu este acto eleitoral. Grande parte do eleitorado não valorizou a sua participação cívica na vida do país e deixou a decisão de escolha na mão de outros. Esta fraca participação poderá também ser explicada pela demasiada previsibilidade do resultado final destas eleições.
Manuel Alegre, o candidato apoiado pelo Partido Socialista e pelo Bloco de Esquerda, obteve nesta eleição um resultado percentual ligeiramente inferior (19,75%) ao resultado que havia obtido em 2006 (20,74%), nessa altura na qualidade de independente.
Fernando Nobre, candidato que não teve o apoio declarado de nenhuma força política, mas que terá capitalizado o descontentamento de um certo eleitorado da esquerda democrática obteve 14,1% dos votos, uma percentagem igual à que obteve, em 2006, Mário Soares, então apoiado pelo Partido Socialista.
No Distrito de Braga, Cavaco Silva, obteve sensivelmente a mesma percentagem que em 2006, enquanto que Manuel Alegre subiu quase 3%.
No concelho de Cabeceiras de Basto votaram apenas 7.625 eleitores, num universo de 17.206 cidadãos recenseados. Cavaco Silva ganhou, mas obteve menos 900 votos que em 2006. Manuel Alegre que havia obtido, em 2006, 1.136 votos teve agora 1.703.
A abstenção de 9.581 Cabeceirenses penalizou todas as candidaturas e demonstra, tal como aconteceu no todo nacional, alguma saturação ou desinteresse do eleitorado. Talvez a mensagem, as propostas, o discurso, não tenham sido suficientemente interessantes e mobilizadoras para convencer a maioria dos portugueses.
O discurso de vitória de Cavaco Silva não terá tido a dignidade que se pode esperar de um cidadão que ocupa o mais alto cargo da Nação. É certo que agradeceu aos portugueses que lhe deram a vitória, mas não resistiu a, em jeito de ajuste de contas com os adversários, afirmar que esta foi “a vitória da verdade contra a calúnia” desafiando os jornalistas a revelarem quem “tentou enegrecer a sua reputação”.
De referir que José Coelho, candidato madeirense, uma espécie de candidato contra o sistema e contra Alberto João Jardim, conseguiu 189 mil votos, (4,46%) grande parte dos quais dos seus conterrâneos da Madeira onde disputou com Cavaco Silva um verdadeiro duelo “mano a mano”.
Portugal elegeu assim o Presidente da República para os próximos cinco anos que afinal de contas é o mesmo que desde 2006 ocupa o Palácio de Belém.

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