Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-02-2011

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (134)

foto
O FMI

É francamente assustadora a insistência com que, quase todos, velhos e novos, homens e mulheres, doutores e analfabetos, barbeiros, engraxadores, taxistas, meninos (os boys), meninas (as girls), da cidade e do campo, falam, opinam e clamam pela vinda do FMI.
Não direi que tenho a certeza, apenas pela razão bem simples de que não tenho a certeza de nada. Mas admito não andar muito longe da realidade ao presumir que a esmagadora maioria de toda essa gente (usando a frase muito batida de Medina Carreira) não faz a mais pequena das ideias do que quer que seja o FMI. Não tenham dúvidas, a maior parte dessa gente que diz que o FMI deveria aparecer por aí a qualquer momento, que o FMI já devia ter vindo, que o FMI não se sabe lá bem mais o quê, não faz a mais pequena das ideias do que é que está a falar. Eles não sabem o que é o Fundo Monetário Internacional.
E eu? Saberei eu o que é o FMI? É perfeitamente lícito que aqueles que lêm estas minhas crónicas se interroguem, também, se eu saberei do que é que estou aqui a falar. Pois é, tranquilizem-se, mas a verdade é que eu sei, efectivamente, do que é que estou aqui a falar. Muito simples, razões de ofício. Eu tenho a obrigação de saber do que é que estou aqui a falar!
Claro está que há coisas que a gente aprendeu, num determinado período da nossa vida, e que depois acaba por esquecer, com o tempo. Comigo, passou-se exactamente isso, eu estudei o que era o Fundo Monetário Internacional e o outro organismo que lhe anda intimamente associado, o Banco Mundial. Porém, já se passaram mais de trinta anos, e a maior parte de tudo o que aprendi sobre a matéria repousa, em completa letargia, lá bem para as traseiras do disco rígido.
Nada que, nos dias que correm, se não resolva com uma rápida pesquisa através dos meios de informação que se encontram disponíveis. Neste caso, a Internet é um óptimo manancial de elementos de consulta. Toda a gente pode, com meia dúzia de clicks, e em poucos minutos, ficar a saber tudo sobre o FMI e o Banco Mundial. Neste particular, o mérito de saber, ou não saber, é mesmo muito pouco relevante.
Eu vou tentar deixar aqui alguma informação sobre a história, isto é, a génese, e também sobre os objectivos que levaram à criação daquelas duas instituições: quando foram constituídas; por quem foram constituídas; e as razões da sua constituição.
Antes, porém, duas ou três notas sobre a mercadoria, ou matéria-prima, que subjaz a todo este tipo de instituições. Essa mercadoria, ou essa matéria-prima, é o dinheiro, é a moeda. Os bancos trabalham com o dinheiro, a moeda é a sua própria mercadoria.
O dinheiro, ou a moeda, define-se, sempre se definiu, como meio de pagamento. A moeda estabelece as relações de valor, as relações de troca, entre todo o tipo de bens e de mercadorias.
Antes de inventada a moeda, os bens eram trocados por outros bens. Era o sistema de troca directa. Houve uma era histórica em que o bem mais valioso era o sal. Sim, o nosso sal das cozinhas. Com a evolução dos negócios, por conseguinte, com a evolução das trocas, cada vez mais a moeda se tornou um elemento importante.
Numa fase já mais evoluída das economias, surgiu o padrão ouro, que significava que os bancos deveriam guardar, nos seus cofres, uma quantidade de ouro de valor equivalente ao das moedas que colocavam em circulação. Este sistema vigorou até ao eclodir da Primeira Guerra Mundial. Durante aquele conflito, a maioria dos países abandonou o padrão ouro e passou a vigorar o padrão dollar, ou mesmo o padrão ouro-dollar.
A implementação do padrão dollar, ou ouro-dollar, resultou da conferência de Bretton Woods, que se realizou em Julho de 1944, em pleno decurso da Segunda Guerra Mundial e quando os Estados Unidos da América acabavam de se envolver, a sério, no conflito, uma vez que o desembarque das tropas americanas, na costa da Normandia, ocorrera a seis de Junho desse mesmo ano de 1944.
Foi no decurso daquela conferência de Bretton Woods, na qual participaram setecentos e trinta delegados de quarenta e quatro nações aliadas, que foi criado o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
O Fundo Monetário Internacional foi criado a 22 de Julho de 1944, e o Banco Mundial, apenas cinco meses mais tarde, a 27 de Dezembro. Tudo no auge da Segunda Guerra Mundial, que viria a terminar, como todos sabemos, com a rendição incondicional da Alemanha e seus aliados, em dois de Setembro de 1945.
O FMI é, por mais que os seus detractores digam o contrário, uma respeitável instituição supranacional. Tem como função assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial, por meio do monitorização das taxas de câmbio, e das balanças de pagamentos, através de assistência técnica e financeira. A sua sede é em Washington, nos Estados Unidos da América.
Voltando ao ponto, e para terminar, pretendo apenas expressar a minha mais profunda, não direi indignação, porque não tenho nada que me indignar com tal tipo de coisas, mas antes o meu desprezo por todos quantos, a torto e a direito, em toda e qualquer esquina, a cada momento, políticos com responsabilidades, comentadores de ocasião que ganham avultadas somas de honorários por uma qualquer meia dúzia de bitates, muitos deles já reformados dos mais variados cargos, com múltiplas e milionárias reformas, políticos de viveiro e empresários de aviário, não se cansam de anunciar, como quem ameaça, que vem aí, ou que deve vir aí, o FMI, como se o FMI fosse um enormíssimo bicho papão.
Papões são todos aqueles que os escutam e lhes dão ouvidos.
O FMI é apenas e tão-só uma instituição financeira, de âmbito supranacional, onde está representada a quase totalidade dos países do globo, exceptuam-se uns seis ou sete, alguns deles minúsculos, e tem como objectivo: “assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro mundial, controlando as taxas de câmbio e as balanças de pagamentos, através de assistência técnica e financeira”.
O odioso do FMI está nos comentários e nas encenações da prole de políticos de viveiro e empresários e comentadores de aviário que por aí andam.
Não, eu não preconizo que o FMI venha, nem agora, nem nunca. Preconizo, isso sim, que esses velhos do Restelo se calem de uma vez por todas. Chega de FMI.

PS: Sobre as presidenciais. Então, foram apoiar um candidato que tem passado os dias a criticar o próprio partido, aceita o apoio dos revisionistas do Bloco de Esquerda, nunca fez nada na vida que não fosse viver da política, um menino bem do tempo do antigo regime…? O resultado está aí!
Ah! Releiam a minha crónica, publicada nesta mesma página, na edição de 29 de Março de 2010!


Por: José Costa Oliveira

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.