Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 17-01-2011

SECÇÃO: Informação

Leitura Dramática cativa jovens para o teatro

Sofia Lemos (à esq.) é a responsável pela oficina
Sofia Lemos (à esq.) é a responsável pela oficina
Com o intuito de promover o teatro e proporcionar novas experiências às pessoas de todas as idades, o Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto continua a apostar na formação dos jovens, tendo já iniciado novas oficinas, entre elas leitura dramática.
A Oficina de Leitura Dramática pretende implantar um programa de leituras dramatizadas, onde se pretende dar a conhecer a dramaturgia universal, sendo que todos os meses será apresentado um texto de teatro, em forma de leitura dramatizada.
Nesta oficina estão inscritos todos aqueles que participam na oficina de Interpretação Teatral e outras pessoas interessadas no processo da dramaturgia.
De acordo com a formadora responsável pela oficina, a actriz Sofia Lemos, “as leituras dramáticas dão-nos a conhecer obras dramáticas que são muito importantes para quem está a fazer teatro”.
Paralelamente, praticar a leitura dá aos alunos maior à vontade quando tiverem de usar a palavra no teatro, conseguindo assim ampliar muito o seu imaginário e praticar a imaginação, aprendendo mais palavras e alargando o seu vocabulário.
‘Castelo das Paixões’, uma obra escrita por Moncho Rodriguez, foi o primeiro texto estudado durante a Oficina de Leitura Dramática.
Trata-se de um texto “muito poético e rico que se passa num ambiente da Idade Média”, referiu Sofia Lemos, lembrando que a história se baseou num conto inspirado no Castelo da Póvoa de Lanhoso, onde existe uma árvore no meio do pátio.
“Moncho Rodriguez criou um conto que fala sobre um casal que se tinha amado ali e tinham ardido. A árvore, que ainda hoje lá está, terá tido origem nas cinzas dos amantes”, contou, destacando que “a primeira leitura de um texto é sempre muito complicada porque estamos a começar a conhecer a obra”.
Porque a leitura dramática é vital para a interpretação de uma peça de teatro, “é isso que fazemos sempre no início - conhecer o texto e estudá-lo para saber onde se passa a história, que personagens existem e que situações é que elas vivem”, frisou Sofia Lemos, explicando que o objectivo da aula é também trabalhar o ritmo.
“Aqui não é o espaço para ler bem. Aqui é o espaço para errar e para aprender a ler e a entender o significado das palavras, das situações e das cenas, explorando a interpretação”, considerou a actriz responsável pela oficina.
E desejou: “eu gostava muito que eles sentissem prazer nas leituras e se sentissem mais à vontade com a palavra e com a utilização da voz, que estivessem mais à vontade para interpretar textos dramáticos ou outros textos sem tantas dificuldades”.
Actualmente, os alunos debruçaram-se sobre a obra ‘O Despertar da Primavera’. Trata-se de um clássico, escrito em 1890, um texto com temas muito actuais e que vão suscitar interesse nos jovens e adultos.
“A história fala sobre a sexualidade e a prostituição, temas que ainda são tabus, o que constitui um desafio muito grande”, avançou Sofia Lemos.
Jovens sentem-se motivados para o teatro
Jovens sentem-se motivados para o teatro


Testemunhos

Marilisa Monteiro
É a primeira vez que Marilisa Monteiro, 38 anos, residente em Alvite, tem aulas de leitura dramática e, segundo confessou, é algo de que gosta muito.
“Desde sempre gostei muito de ler e até tenho vindo a fazer trabalho com crianças. Nunca fiz teatro por falta e oportunidade e agora surgiu esta oportunidade de fazer teatro em Cabeceiras de Basto e adoro”, salientou a formanda, assegurando que esta é uma forma de nos libertarmos do dia-a-dia e não pensar em mais nada porque interpretamos outras personagens e fugimos um pouco do nosso corpo”.
Marilisa Monteiro já participou em duas peças de teatro intituladas ‘Ir Vir e Ir’ e ‘Assim Sonhamos a Nossa História’ e para ela “o mais difícil é a resistência física”. De resto, “fala mais alto a nossa alma do que o nosso corpo porque saímos de dentro de nós para representar uma personagem, o que é muito bom”, considerou.
“Sem dúvida nenhuma que o teatro é uma mais-valia não só para quem participa como para os espectadores, que podem sair do seu quotidiano e viver um pouco a história que está a ser contada em palco”, sublinhou Marilisa, socorrendo-se da máxima: “o corpo vai mas a alma permanece sempre”.
“Quero muito que este tipo de iniciativas continue”, almejou a formanda, garantindo: “não vou deixar de participar porque é algo que me faz muito bem”.

Oriana Andrade
Oriana Andrade, 17 anos, residente em Cavez, garante que as aulas de leitura dramática proporcionam uma “sensação fantástica”. E acrescenta: “é mesmo algo diferente a forma como aprendemos a interpretar as personagens nas diferentes cenas e só com o tempo é que vamos conseguindo encarnar a personagem”.
Para a jovem, pretende seguir a carreira de teatro, “há muito tempo que estas oficinas fazem falta a Cabeceiras porque o concelho está a crescer e a evoluir e todas estas actividades são muito importantes”.
Para além desta oficina, a jovem Oriana participa nas aulas de Teatro e Expressão Dramática.

Paulo Gonçalves
“A leitura dramática é muito interessante para aprendermos mais acerca da nossa cultura”, declarou Paulo Gonçalves, 18 anos, natural de Chacim.
Revelando o seu gosto pelo teatro desde criança, Paulo está desde a primeira hora no Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e já participou em algumas encenações.
“O teatro para mim é como se fosse o meu melhor amigo e eu amo o teatro”, confessou o jovem de Chacim, revelando que “continuar a fazer teatro é uma coisa que eu queria muito e provavelmente vou tentar seguir carreira”.
Paralelamente, o jovem participa nas Oficinas de Teatro, Interpretação Teatral e Escultura Cénica.
A actriz Sofia Lemos remata que “é fundamental ler textos dramáticos, não só para quem quer fazer teatro mas para qualquer pessoa porque a leitura enriquece-nos imenso”.

De salientar que a Oficina de Leitura Dramática para jovens e adultos decorre à sexta-feira, das 20 às 21 horas no Salão Multiusos do Mercado Municipal.
O Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto resulta de um projecto da Câmara Municipal, produzido pela Emunibasto e coordenado pelo Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso.

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.