Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 06-12-2010

SECÇÃO: Correio do Leitor

Carta aberta a Fernanda Carneiro

Acabo de ler a sua nota necrológica nos Ecos de Basto. E antes de qualquer outra tarefa, de entre as muitas que tenho em cima da mesa, escrevo-lhe uma mensagem muito sentida por três motivos essenciais:
Primeira: para lhe dizer que essa nota escrita em homenagem a quinze pessoas suas conhecidas, por altura do dia de todos os Santos, também me tocou muito. Afinal a vida é mesmo curta e também muito curiosa. No tema que debate, esta saudosa crónica mexe com o sentimento e universaliza a dor de todos os viventes que se cruzam na vida e na morte. Li num autor laico que só há duas realidades na vida: o acto de nascer e de morrer. Tudo o mais é efémero.
Desse grupo de pessoas quatro delas foram minhas amigas. Veja como o mundo é pequeno...
Uma foi o Dr. António Teixeira de Carvalho, que conheci no seu posto de jornalista. Foi sócio dedicado do Gabinete de Imprensa de Guimarães -Associação Nacional que foi a primeira a ser criada depois do 25 de Abril de 1974, para defesa da imprensa regional, cujos colaboradores, ao tempo, não usufruíam de qualquer direito. Tinham os mesmos deveres e co-responsabilidade dos profissionais do sector. Mas nenhum direito. Em 3 de Março de 1976, fundámos o Gabinete de Imprensa que leva 34 anos de vida e que tem um historial rico. Esse historial já lhe mereceu o estatuto de utilidade pública. E há hoje uma chusma de jovens jornalistas (da imprensa escrita, da rádio e da televisão) que se enamoraram da profissão através do GI.
Tive enorme gosto em subscrever (como sócio número 1 e Presidente da Direcção à época), o cartão do jovem A. Teixeira de Carvalho. Foi um sócio que raramente faltava às reuniões e convívios. E foi também aí que conheceu o então Secretário de Estado, Dr. Sousa Brito que lhe foi útil para motivações familiares. Também na qualidade de Presidente da Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Filosofia de Braga, pude acompanhar o seu esforço físico e intelectual para aí obter a sua licenciatura. Fomos amigos leais e confrades do jornalismo, razão por que li sempre o Jornal «O Basto» e, mais tarde o «Ecos de Basto». Convidou-me para colaborador permanente. E, não usando desse privilégio, com assiduidade, nunca me foi fechada a porta. Rezo pela sua alma, porque foi uma pessoa que deixou saudades aos cerca de 300 associados de todo o país.
Segundo. Conheci de perto e ao longo de mais de uma década, o casal Manuel Fraga Lopes Pereira e Maria Irene Carneiro. Reparo pela sua crónica que ela foi sua cunhada. O Manuel era irmão do Domingos que ainda vive no Telhado, lavrador abastado, que honrou o «Morgado» dessa povoação Barrosã. E também foi irmão do Carlos Fraga Lopes Pereira, que herdou a Histórica Casa da Raposeira e que casou com a Laura, filha do Manuel Pereira, de Chacim. Fui colega do Carlos na Barragem de Pisões (1962-1964). A tropa chamou-me. E só, volvidos boa meia dúzia de anos me reencontrou (trabalha ele e a Laura no Tribunal de Família, em Lisboa), convidando-me para padrinho de casamento. Anos depois nascia o Manuel António, já licenciado. De novo me honraram e a minha mulher, com o convite para padrinhos de baptismo.
Gosto muito de revisitar a Casa da Raposeira, porque nela se escondeu, quando perseguido,em 1910, o Padre Domingos Pereira, meu ilustre Conterrâneo, tal como os manos Lopes Pereira.
Como vê há muitas coincidências no nosso trajecto existencial. Como nasci em Montalegre, mas vivo em Guimarães, por via do casamento e de ocupações profissionais, vou à aldeia com regularidade. E, podendo ir por auto-estrada ou pela EN Braga-Chaves, desde 1967 que elegi a 311. Quase todos os fins de semana passo em Cabeceiras, numa homenagem à D. Leonor Alvim e a seu segundo marido D. Nuno Álvares Pereira que viveram, entre 1376 e 1388 em Pedraça, com trajecto regulares a Reboreda (Salto), onde ela nasceu. Preparo um livro sobre este casal, onde recordo a influência que teve no País nessa recuada época.
A Fernanda Carneiro que conhece bem o Engº Barreto, Presidente da Câmara, veja se consegue, com a sua inegável influência, mandar marcar todos os anos o pedaço de Estrada entre Cabeceiras e o Magusteiro. O nevoeiro tem ali quartel-general. E é um perigo constante.
Terceiro:termino por felicitá-la pela sua propensão para a escrita. Redige com excepcional jeito e a História local vai ligá-la, para sempre, às Terras de Basto. Com inteira justiça.


Barroso da Fonte

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