Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 06-12-2010

SECÇÃO: Opinião

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VANTAGENS COMPARATIVAS (131)
AUNG SAN SUU KYI

Já lhe chamaram a “Nelson Mandela” da Birmânia (Myanmar). E eu já aqui escrevi sobre Nelson Mandela e outros mais, como, por exemplo, Xanana Gusmão ou Yasser Arafat.
A Senhora Aung San Suu Kyi é, antes de tudo, uma bela e simpática senhora. E, ainda por cima, tem a mesma idade que eu. Separam-nos apenas um mês e seis dias, ela faz anos a dezanove de Junho, enquanto eu os celebro a vinte e cinco de Julho. Ela é, portanto, mais velha do que eu, tão-só trinta e seis dias. Ambos nascemos no ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial.
Trata-se da líder oposicionista ao regime militar e ditatorial do seu país, a Birmânia, agora denominada de República da União de Myanmar. A capital do país, que era a cidade de Rangum, também foi transferida, em 2006, para a cidade de Naypyidaw.
Apesar de um sem número de privações, que são comuns a todo aquele que arrisca ser opositor num qualquer país de regime ditatorial, a senhora Aung San Suu Kyi mantém uma aparência invejável.
Dos resumos biográficos a que qualquer um pode ter acesso, não consegui qualquer informação sobre o seu estado civil. Não sei se é casada, solteira, viúva ou divorciada.
Sabe-se, porém, que em princípios de Maio passado, as autoridades a acusaram formalmente por não respeitar os termos da sua detenção domiciliária, quando permitiu que um cidadão americano dormisse em sua casa. Acrescentavam as mesmas autoridades que o estado de saúde da senhora era delicado, e o americano poderá muito bem ter sido um seu amigo médico.
Foi galardoada internacionalmente com dois prémios e em dois anos consecutivos, em 1990 com o Prémio Sakharov e em 1991com o Prémio Nobel da Paz.
A Birmânia é um país do sudeste asiático, que se tornou independente do Reino Unido a quatro de Janeiro de 1948, tem fronteiras com a China, o Laos, a Tailândia, o Bengladesh e a Índia. A sua dimensão é relativamente grande, tem 676.578 quilómetros quadrados de área e mais de quarenta e oito milhões de habitantes. O seu nível de vida é muito baixo, ocupa o 150.º lugar no ranking das Nações Unidas, com 1.691 dollares anuais per capita.
Já o tenho referido, e volto a repeti-lo, que esta coisa dos rendimentos per capita deixa muito a desejar. Mas, à falta de melhor, temos que os aceitar como base para qualquer tipo de comparação, ou de análise. Também é facto que ninguém contesta que o rendimento per capita dos Estados Unidos da América, ou da Alemanha, sempre será superior ao rendimento per capita do nosso próprio país, de Portugal.
A verdade, porém, é que seja ele nos Estados Unidos da América, na Alemanha, no Japão, ou em Portugal, sempre se poderá aplicar aquele velho e estafado truque: estando eu e o meu amigo leitor, ambos cheios de fome, na presença de um frango inteiro e bem assadinho, pesando um quilo ou daí para cima, e eu o comer todo, e você ficar a ver navios, matematicamente, e é isso que conta, tanto para as estatísticas do nosso INE, como para as das Nações Unidas, cada um de nós comeu meio frango, e, portanto, ambos ficámos de barriga cheia.
Dirá o meu amigo, que ficou com a barriga vazia, enquanto eu limpava os lábios a um guardanapo de linho: ora vá lá mas é para o grandessíssimo (…) que o (…) mais a sua forma de distribuição da riqueza pela população.
Ora, é exactamente isso que dizem todos os famintos e mal nutridos de qualquer dos continentes. Famintos e mal nutridos ainda os há, nos dias de hoje, por toda a parte, temo-los na Europa, na América do Norte e na América do Sul, na África e na Ásia, na Oceânia. Temo-los em todo o mundo e também no Myanmar, naquele país que a Senhora Aung San Suu Kyi quer tornar melhor. Oxalá o consiga e venha, de facto, a fazer jus ao título que alguém já lhe atribuiu, o de “Nelson Mandela” da Birmânia.
Nos tempos em que estudava geografia do programa do antigo quinto ano dos liceus, que por sinal concluí com dezoito valores, a Birmânia era o maior exportador mundial de arroz. Nos dias de hoje, os arrozais ainda cobrem cerca de sessenta por cento de toda a área cultivada. Porém, e ainda de acordo com as estatísticas internacionais, é um dos países mais pobres da região.
Do Jornal de Notícias de segunda-feira, 15 de Novembro de 2010, a páginas 43, pode retirar-se: “Suu Kyi foi libertada sábado à noite, depois de sete anos consecutivos em prisão domiciliária. A activista passou mais de 15 dos últimos 21 anos privada de liberdade. Suu Kyi reconheceu que a sua prisão, por ser domiciliária, foi mais agradável do que a dos 2.200 presos políticos na Birmânia”

PS: Sobre as últimas declarações públicas do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado: ou eu me engano muito ou, mais cedo ou mais tarde, Luís Amado virá a estar para o governo PS, do Eng. José Sócrates, como Henrique Chaves, ao tempo Ministro dos Assuntos Parlamentares e Adjunto do Primeiro-Ministro, esteve para o governo do PSD/CDS, liderado por Santana Lopes. Coisas de quem fala…
Lembram-se das piadas dos bonecos do programa televisivo “Contra Informação”, quando se referiam a um ministro chamado “Presunto de Chaves”… Graças de outros tempos… É claro!

Por: José Costa Oliveira

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