Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-11-2010

SECÇÃO: Opinião

À MINHA ALDEIA

Oh, minha aldeia encravada nos confins do Minho!...
Onde eu nasci onde tive o meu ninho.
Oh, minha terra Bendita!..
De ti, só a saudade me fica.
Eu que tanto te amo,
Só te vejo de ano a ano.
Minha Aldeia encravada lá nos confins do Minho,
Foste o meu berço, o meu ninho.
Esse ninho de criança,
Onde ficou a minha esperança!..
Onde nasci:
E hei-de morrer por aqui?
Não vejo outra coisa se não a minha Aldeia:
Onde brincava com as águas do meu Rio
E com a areia.
Com as borboletas de mil cores,
Tão ruins de apanhar aqueles s’tepores!
Vinham dessedentar-se nas tuas límpidas águas
Eu, entre o polegar e o indicador, prendia-lhe as asas.
Aqueles truques que nós sabemos,
É só mal aquilo que fazemos.
Que belos tempos em que não se peca!
Não conhecemos a Lei?
Não temos nem do Rei.
Corremos os verdes campos
Sempre em grupos ou bandos.
Fazemos tremendos desacatos
Chegando a casa com a camisa em farrapos.
A melhor fruta é nossa: maçãs,
Peras, uvas, cerejas e romãs.
Estragando mais do que aquilo que se come
Desafiando o dono, chamando-lhe nomes.
Somos de toda a gente uma praga
A ponto do dono dizer: come, mas não estraga.
E lá vamos nós direitinhos ao Rio
Um louco banho até tiritar com frio.
Chegando a casa, mais uma tareia
Quantas vezes as coisas ficavam feias.
O corpo já estava malhado
Para nós, era sempre o mesmo fado.
A minha Aldeia encravada nos confins do Minho,
Onde eu tive o meu ninho.
Jogar à malha, deitar o pião;
Jogar a bogalhinha e o botão
Ao Domingo ir à missa,
Pela alma da carriça.
Andar com o arco jogar à bola,
Perder os livros com a sacola.
Oh, minha Aldeia, oh, minha terra,
Encravada entre o monte e a serra.
Ir à lenha pelos montes,
Beber água fresca pelas fontes.
Tantos beijos, tantos afectos,
Tantos caminhos tantos trajectos.
A minha terra encravada entre montes e vales
Com o Rio passando ao meio
Que lindo Rio, o Rio Peio!
Um dia tornei-me adolescente!...
Arranjei um namoro: que contente!...
Senti-me já homem: que gostoso!...
Ser: grande: que ditoso!...
Foi então que vim para Lisboa,
Oh! Coisa bela: a Capital!...
Em antes uns dias chegou a ânsia de casar,
Parecia que esse dia tardava em chegar.
Foi então que vim para a Capital
Foi uma utopia afinal.
Comer o pão que o demo amassou,
Só sabe dar o valor quem o trincou.
O tempo que mais chegava,
Passou a correr sem dizer nada.
Quantas lágrimas quantas saudades!...
Do tempo em que era-mos rapazes.
Que pressa é esta que o tempo?
Corre, corre e ninguém o sustém!...
Oh, minha terra, minha Aldeia!...
És tão bonita: Dantes achava-te feia
Nas tuas entranhas eu queria ficar,
Onde o deleite era o meu Altar.
De certeza que fico por aqui,
Que saudades eu tenho de ti!
Oh! Minha terra encravada nos confins do Minho!
Onde eu tive o meu … Doce ninho…
OH! MINHA TERRA BENDITA.
Jaime Sousa Silva

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