Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-11-2010

SECÇÃO: Opinião

O Velho João

O Velho João
É humilde e ordeiro
Para pagar o seu pão
Foi um simples pedreiro

Rompia a madrugada
Pegava no farnel
Que vida agitada
Injusta e cruel

No saco uma bucha
E uma côdea de pão
Era então a sina
Do velho João

De picos às costas
Cheio de ilusões
Lá ia o velho João
Ganhar uns tostões

O velho João
Lá andava na lida
P’ra ganhar p’ro caldo
Que raio de vida

À noite lá vinha
Com o chapéu desabado
De mais uma jeira
Sereno e cansado

Despia a samarra
Acendia a candeia
Sentava-se à lareira
À espera da ceia

Bondoso e discreto
O velho João
Tendo ele saúde
Não (me) faltava pão

De mãos calejadas
E de pele enrugada
No corpo as marcas
Duma vida lixada

Aprendeu a sofrer
Desde pequenino
O velho João
Nunca foi menino

Ser pobre é penoso
Ser velho uma chatice
Outrora a miséria e a fome
Agora a velhice

És o meu melhor amigo
Muito te agradeço
O que por mim fizeste
Não tem medida nem preço

Na voz a ternura
Na alma a emoção
Obrigado por tudo
Meu velho João

Fernando Carvalho

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