Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-11-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

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Novembro
Recordo com saudade aqueles que já partiram !

Meus amigos, no momento em que resolvo escrever esta crónica com umas breves palavras no computador, que se tornou o meu “ouvinte” das horas boas e más, ouço e vejo lá fora através da minha janela, o céu enevoado e a chuva a cair com persistência e abundância em cima do telhado. Pensei para mim «este tempo é próprio do Outono e não poderia estar mais em consonância com a quadra dos Santos em que a nossa alma e o nosso pensamento “vai” ao encontro dos entes queridos que já não se encontram entre nós»
A minha cunhada e comadre Maria Fátima Carneiro
A minha cunhada e comadre Maria Fátima Carneiro
Neste tempo próprio do Outono, tanto pode estar um sol maravilhoso como pode chover de repente a “cântaros”, obrigando as folhas das árvores a cair ao chão. São folhas envelhecidas, com um tom de cor avermelhado escuro, castanho ou um amarelo torrado. Outras são levadas para mais longe ao sabor do vento poisando aqui e ali, certas de ter cumprido o seu papel enquanto pregadas aos ramos com um tom verdejante, produzindo o oxigénio e absorvendo o dióxido de carbono.
Podeis acreditar que ao ver o dia de hoje e, por acaso é sábado, fim de semana em que vamos visitar com muita saudade os cemitérios, colocando flores nas campas dos queridos que nos deixaram e, porque esquecer é impossível, estou a chorar em silêncio, frente ao ecrã do meu computador sem que ninguém se aperceba desta minha angústia. E, para agravar mais o meu espírito que me “obriga” a deixar cair as lágrimas em catadupa, o meu marido está frente à televisão da sala a ouvir a música do mítico Jonh Lennon, dos Beatles, com a lendária canção “Imagine” e os fados da Amália Rodrigues.
O casal Alda Carvalho "Revolta" e Francisco Madanços (Chico do Rio)
O casal Alda Carvalho "Revolta" e Francisco Madanços (Chico do Rio)
O meu marido sabe que não quero ouvir os fados da Amália porque choro sempre e eu, não quero chorar! Mas, hoje, estou a ouvir chorando sem que ele perceba. Está compenetrado a ouvir e não quero perturbá-lo. Certamente estará também a pensar nos seus que também partiram cedo.
Uma coisa é certa, este desabafo que eu faço ao deitar as coisas cá para fora que me vão na alma, fazem-me bem. Às vezes, chorar é preciso! Estes pensamentos e lamentos da alma levam-me a recordar os meus avós, Margarida de Sousa e José de Campos (Colatré), o meu tio Caetano, o meu padrinho António de Campos, os meus cunhados Fátima e a Irene Carneiro, o seu marido Manuel Fraga Lopes Pereira, o meu cunhado António Carneiro, os meus sogros António Joaquim Carneiro e Maria do Carmo Celeste, a minha tia Ana Teixeira Pinto do Alto do Monte (que viveu e morreu em França) irmã de Diamantino Teixeira (dos Bombeiros).
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Há seis anos morreu inesperadamente a minha mãe Isaura Silva, ainda muito nova deixando “desamparados” dos seu afecto nove filhos. Foi um choque que, ainda hoje, não estamos de todo refeitos e nunca estaremos! Depois tenho que citar alguns amigos que mais me chocaram, pedindo desculpa aqueles de quem não falo. Seria impossível dizer os nomes de todos, pois tantos foram eles nestes últimos anos.
Como ia dizendo, não poderia deixar aqui de lembrar a minha amiga desde a infância até morrer, a Anita Ferreira, a senhora Belmira, a Nazaré que ainda era uma menina, a Palmira Ferreira do “Fidalgo”, o Francisco de Madanços, a sua esposa a Alda Carvalho “Revolta”, a esposa do senhor Albino Duro e uma saudade especial para o saudoso António Francisco Teixeira de Carvalho (Carvalhinho para os amigos), digníssimo director que foi do “Basto” antigo e do Ecos de Basto. Para vos lembrar melhor era o gerente da Funerária Carvalho, do Arco de Baúlhe. Isto só para citar as pessoas que moravam ao redor de mim. Hoje, dentro de mim estão a passar as imagens das pessoas que, de uma maneira ou de outra, fizeram parte da minha vida e eu não as posso esquecer! Por esse motivo o meu coração chora porque não os posso ver no meu dia a dia mas, farão parte da minha memória enquanto eu respirar, estes e todos aqueles de quem eu não falo hoje aqui. As pessoas que citei e, as mais antigas como por exemplo a “Miquinhas Revolta”, os de Conselheiros e os da Ribeira, tiveram grande influência na aprendizagem da minha vida. Um bem haja e um eterno descanso para eles!
A minha amiga de infância Anita Ferreira Raposo
A minha amiga de infância Anita Ferreira Raposo
Se é verdade que, há algo para lá deste mundo e, com certeza que sim, então eu lhes peço vão “deitando os olhos” por nós!
Não vos quero maçar mais com as minhas lamúrias e angústias. Certamente vocês estarão saudosos como eu. Acho que este meu desassossego devo atribuí-lo ao “cair da folha” nesta estação outonal. Peço-vos que me desculpeis e me aceitem como sou!

Casal António Joaquim Carneiro e Maria do Carmo Celeste, meus sogros
Casal António Joaquim Carneiro e Maria do Carmo Celeste, meus sogros
fernandacarneiro52@hotmail.com
O casal Manuel Fraga Lopes Pereira e Maria Irene Carneiro, meus padrinhos de casamento, meus compadres e meus cunhados
O casal Manuel Fraga Lopes Pereira e Maria Irene Carneiro, meus padrinhos de casamento, meus compadres e meus cunhados

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Palmira Ferreira (Fidalgo)
Palmira Ferreira (Fidalgo)

António Teixeira de Carvalho
António Teixeira de Carvalho

Belmira Leite (Rolo)
Belmira Leite (Rolo)


Miquinhas "Revolta"
Miquinhas "Revolta"

Tio Caetano Campos
Tio Caetano Campos

O meu padrinho António Campos
O meu padrinho António Campos


O meu cunhado e compadre António Carneiro (Toninho)
O meu cunhado e compadre António Carneiro (Toninho)

A minha mãe Isaura da Silva
A minha mãe Isaura da Silva











Por: Fernanda Carneiro

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