Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-10-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

Colégio S. Miguel de Refojos

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Naquela época distante de 1947

( Conclusão)
Com a devida vénia.

Artº 6º Quando a direcção deste Colégio entenda, por bem do ensino ou da sua orientação moral, despedir qualquer professor, notificá-lo-á com antecedência nunca inferior a trinta dias, justificando os motivos desse seu procedimento.
Artº 7º Qualquer professor que por qualquer razão não queira prestar serviço neste Colégio deverá notificar a Direcção, com a antecedência não inferior a trinta dias, justificando, por escrito, os motivos da sua atitude.
Artº 8º Exceptuam-se os casos de força maior que serão tratados em Conselho Escolar extraordinário a que não é aplicada a doutrina dos dois artigos anteriores.
Artº 9º Não é permitido a qualquer professor ou professora dar explicações individuais ou em grupos, aos alunos deste Colégio, sem prévia autorização da Direcção que só as autorizará em circunstâncias especiais. Neste caso será autorizado, em primeiro lugar o professor da respectiva disciplina e só no caso deste as não querer dar, serão entregues a outro.
Artº 10º N ao é permitido ao professor ou professora fazer, fora do Conselho Escolar, qualquer referência às qualidades morais, disciplinares ou intelectuais dos seus alunos, mesmo consultado pelas famílias. Neste caso, limitar-se-á a dar a informação que tenha sido apresentada no último conselho escolar relativa a esse aluno.
Artº11º Sempre que o professor note nos seus alunos qualquer falta de respeito ou qualquer atitude menos atenciosa e delicada, tanto nas aulas como em qualquer outro lugar, deve no prazo de 48 horas, apresentar á Direcção uma nota confidencial, tanto quanto possível justificada.
Capitulo II
Do Conselho Escolar
Artº 12º
Entende-se por Conselho Escolar, neste Colégio, as reuniões de todo o Corpo Docente e Direcção.
Artº 13º O conselho Escolar reúne em sessões ordinárias e extraordinárias.
Primeiro - Haverá sessões ordinárias:
a)No dia da abertura das aulas.
b)Num dos últimos dias de cada mês.
c)No fim do trabalho activo de cada trimestre para apuramento da média final do período a cada aluno.
Segundo – Haverá sessões extraordinárias
Quando a Direcção a julgar conveniente ou quando qualquer professor, por escrito, apresente motivos que a justifiquem.
Artº 14º Cada professor é obrigado a entregar nas reuniões de concelho ordinário um boletim de informação mensal onde conste:
a)O número de pontos escritos dados.
b)As suas classificações.
c)Qualquer alvitre a apresentar no sentido de maior rendimento escolar.
Artº15º A convocação para a reunião dos conselhos far-se-á com a antecedência não inferior a 48 horas, com a indicação da hora.
Artº 16º A reunião do Conselho Escolar será presidida pelo Director em exercício, secretariado pelo secretário do Colégio e na falta deste pelo professor mais novo do Corpo Docente.
Capítulo III
Dos Assistentes Disciplinares
Artº 17º A Direcção substitui o termo de prefeito pelo assistente disciplinar, atendendo à orientação que dá à disciplina neste Colégio.
Artº 18º O assistente disciplinar, ao entrar para o Colégio, assinará o seu contracto de trabalho e o compromisso de respeitar e fazer cumprir o regulamento na parte que fica a seu cargo.
Artº 19º É proibido ao assistente disciplinar visitar os alunos em suas casas a não ser com prévia autorização da Direcção.
Artº20º Não pode frequentar tabernas ou lugares de moral duvidosa.
Artº21ºNão deve, fora do exercício da sua missão, conviver de perto com os alunos e muito menos dar passeios com alunos das classes mais adiantadas, a não ser que, pelo seu aprumo moral, pela sua cultura, a Direcção entenda não haver qualquer inconveniente.
Artº22ºÉ condição indispensável, para ser admitido ao serviço deste Colégio, ser católico cumpridor dos preceitos gerais que a igreja impõe e não ter no seu passado qualquer acto da sua vida que o desmoralize, tanto sob o ponto de vista cívico, como sob o ponto de vista moral.
Artº 23º No acto de assinar o seu contracto de trabalho e compromisso tem de apresentar 2 cartas abonatórias do seu comportamento.
Artº24º Fica ao encargo do assistente disciplinar o livro do ponto, as chamadas diárias e o preenchimento do boletim dos faltosos.
Artº 25º O assistente disciplinar acompanhará os alunos nos passeios aos domingos e dias feriados, á missa, etc., procurando nesses passeios que os alunos dignifiquem o colégio a que pertencem, devendo apresentar sempre uma nota do comportamento dos alunos.
Artº26 Todos os domingos, das 9 às 12 horas, o assistente disciplinar será recebido pelo Director para troca de impressões sobre o comportamento dos alunos durante a semana.
Artiº 27 O assistente disciplinar tem de ser o primeiro a respeitar os toques da sineta para boa ordem e harmonia do serviço.
Artº28 O assistente disciplinar tem de se conservar durante os recreios em lugar bem visível para manter a ordem e durante os estudos numa atitude de vigilância amiga e permanente, não consentindo no salão de estudo outros livros que não sejam os das disciplinas ministradas.
Capitulo IV
Dos alunos
Artº 29º Já por educação, já pela necessidade de criar hábitos de obediência e disciplina tão necessários pela vida fora, o aluno é obrigado a respeitar, em absoluto, qualquer ordem ou repreensão dada pelo assistente disciplinar ou por qualquer membro do Corpo Docente. No caso, o que é pouco provável, de não ter sido admoestado ou não ter sido dada a ordem com aquela correcção e serenidade que deve haver em todos os que neste estabelecimento de ensino trabalham para o seu aperfeiçoamento, pode o aluno, depois de ter respeitado e cumprido, apresentar-se á Direcção, alegando o que julga ter havido de ofensivo para a sua dignidade.
Artº 30º No dormitório é obrigado o aluno a ter as suas coisas em ordem e ao silêncio rigoroso ao sinal dado pelo assistente disciplinar.
Artº31º Ao toque de levantar deve obedecer prontamente, de modo que, ao sinal dado para os lavabos, tenha já em seu poder a toalha e os artigos indispensáveis de toillete.
Artº32 Na ida para os lavabos e no regresso ao dormitório, serão os alunos acompanhados pelo assistente disciplinar.
Artº33 Dado o sinal para a saída do dormitório deve o aluno pensar que lhe fica expressamente proibido voltar ali até hora de deitar.
Artº 34 Do dormitório, seguem sob forma, acompanhados pelo assistente disciplinar, à Capela privada do Colégio onde farão a primeira oração do dia; e á noite, antes de recolher ao dormitório, farão os alunos nova visita á Capela, recitando a oração da noite.
Artº 35º Nas formaturas para as aulas, estudo, refeições, Capela, etc., tem de ser observado rigoroso silêncio.
Artº 36º Durante as refeições, só é permitido falar, depois de ter sido servida a sopa e ao sinal dado pelo assistente disciplinar, voltando novamente ao silêncio se deslocarão em formatura até ao recreio.
Artº 37º Durante a refeição qualquer aluno, que por motivo justificado, entenda poder reclamar do serviço da mesa deve levantar-se e, só nesse momento, o assistente disciplinar se dirigirá a ele para receber a reclamação.
Artº 38º É proibido ao aluno dirigir-se a quem o serve e, quando tenha qualquer reclamação a fazer dos empregados, só o pode fazer por intermédio do assistente disciplinar.
Artº39º É expressamente proibido aos alunos externos transpor o corredor de acesso aos dormitórios e outros compartimentos particulares, sem prévia licença do assistente disciplinar e bem assim voltar, seja qual for o motivo, às aulas ou aos corredores que as servem.
Artº40º Os alunos aguardarão em forma, junto da sala da aula, indica no seu horário, a entrada do professor, a quem baixarão a cabeça, em cumprimento respeitoso, sendo a sua primeira aula.
Artº41º Entrarão em silêncio na aula, conservando-se de pé, em posição correcta e respeitosa, até ao sinal dado pelo professor para se sentarem.
Artº42º Nunca o aluno se deve debruçar sobre a carteira nem tão pouco apoiar os braços durante as explicações e, em exercícios escritos, deve procurar seguir a posição que o professor lhes indica.
Artº43º Terminada a aula, ao sinal dado pelo professor, os alunos levantar-se-ão e esperarão, na mesma atitude da entrada, a sua vez de retirarem pela ordem das filas das carteiras.
Artº44º Não é permitido ao aluno, durante as horas do estudo, a leitura de livros estranhos ao estudo, revistas ou jornais ou outros quaisquer meios de entretenimento; e também não é permitido estudar em livros que não sejam os das disciplinas daquele dia.
Artº45º Qualquer aluno que, por qualquer motivo, não se julgue devidamente preparado para ser chamado a qualquer disciplina daquele dia, deve apresentar ao assistente disciplinar, por escrito, o seu nome e a disciplina em que não se julga preparado.
Único – Só é permitida uma dispensa em cada disciplina de 15 em 15 dias, a não ser por motivo de doença.
Artº46º É considerada falta de educação não agradecer aos seus próprios colegas o empréstimo de qualquer objecto; não ser atencioso com eles e, sobretudo, referirem-se aos seus professores, na ausência destes, sem ser duma maneira respeitosa.
Exige-se este procedimento, não só para criar entre alunos e professores um ambiente de delicadeza, mas também para amanha, na sociedade, já por hábito adquirido, não cometerem faltas involuntárias.
Artº 47º É proibido o uso, infelizmente tanto em voga, das expressões de tratamento sem sentido gramatical nem delicadeza de sentimentos. Todo o aluno se deve dirigir aos seus colegas sempre em termos delicados e em bom português.
Artº48º São considerado por este regulamento, como não podia deixar de ser, disciplinas de igual responsabilidade às outras:
Exercícios da Mocidade Portuguesa
Aulas de Canto Coral
Aulas de Moral
Nestas condições qualquer aluno, que falte a estas disciplinas ou que nelas tenha mau comportamento, será excluído, segundo as normas do Regulamento do Ensino Secundário.
Artº 49º Aos alunos, tanto internos como externos, é-lhes expressamente proibido saírem dos recreios desde a hora de entrada á hora de saída da parte de manhã, e igual proibição se faz da parte de tarde.
Único – Os alunos internos nunca poderão abandonar os recreios sem prévia licença do assistente disciplinar que a dará por escrito e com a sua justificação.
Artº50º O aluno nunca poderá reclamar da nota dada pelo professor, mas, pode fazê-lo, directamente, ao Director em exercício, apenas no seu gabinete.
Artº 51 Os alunos são obrigados a escrever de 15 em 15 dias às suas famílias, aos sábados, no estudo da noite, e poderão todos os oito dias se assim desejarem os seus pais.
Artº52 As cartas serão entregues abertas a um professor encarregado da sua correcção sob o compromisso de respeitar em absoluto as informações nelas contidas.
Artº53º Os alunos são obrigados a ir à missa e a todos os exercícios religiosos que a Direcção entenda indicar sem prejuízo dos seis trabalhos.
Artº54º É proibido a todos os alunos internos conservar em seu poder dinheiro ou jóias.
As jóias serão entregues á Direcção, recebendo o aluno a nota da sua entrega, e o dinheiro depositado na Secretaria da qual receberá também nota, podendo recebê-lo, pouco a pouco, ou por completo, em determinados casos, por meio de requisição na qual conste a importância a receber e a quantia fica em depósito.
CAPITULO V
Da caixa Escolar
Artº55 É criada uma Caixa Escolar cujo fim é ocorrer às despesas do passeio anual a realizar com o Horário e itenerário a fixar, com a devida antecedência, e, em conformidade com o dinheiro em Caixa, acrescido de 30$00 no acto da inscrição para o referido passeio.
Artº56º Esta Caixa terá como receita a cota de 20$00 mensais de cada sócio e toda a receita que a sua Direcção possa angariar.
Artº57º A Direcção da Caixa tem como Presidente o Director deste colégio e como membros o Secretário do Colégio e o aluno para tal fim eleito pelos colegas.
Artº 58 É considerado sócio o aluno de qualquer ano que apresente o boletim devidamente preenchido com a sua assinatura e a do seu encarregado de educação.
Artº59 No fim de cada período escolar haverá uma reunião para tomar conhecimento do estado financeiro da Caixa e para resolver a melhor forma de angariar receita. Pode a sua Direcção ser convocada para reunir extraordinariamente, pelo seu Presidente, sempre que este veja vantagem nessa reunião.
Artº60 Das primeiras cotas será retirada a quantia indispensável para pagamento de impressos ou para qualquer outro fim do qual dependa mais rendimento para a Caixa.
Artº61 Qualquer sócio, que, por circunstâncias imprevistas, não possa tomar parte no passeio a realizar, receberá apenas 50% das cotas depositadas.
Artº62 Com a antecedência necessária reunirá extraordinariamente a Direcção da Caixa para estudar as possibilidades do passeio.
Oito dias depois, efectuar-se-á nova reunião na qual se apreciará o orçamento para as despesas a fazer, baseado em contratos fixos de transporte e hospedagem. Se a receita cobrir a despesa, com saldo nunca inferior a 200$00, será apresentado o programa horário da excursão.
Artº63 Para efeito de cotas a pagar á Caixa é considerado o período que vai desde Outubro a Maio inclusive, visto ser este mês o indicado para a realização do passeio.
Artº 64 Atendendo ao pequeno número de cotas é criada a jóia de 40$00 que o sócio pagará em prestações ou como entender durante esse período.
Artº65 A receita mensal, assim como qualquer receita extraordinária, serão depositadas na Caixa Geral de Depósitos por guia, assinada por qualquer membro da Direcção, e o seu levantamento só o pode ser com a assinatura do Presidente e de um dos membros.
Artº66º Consideram-se sócios beneméritos desta Caixa, aqueles que, embora não alunos, se inscrevam com as suas cotas mensais e jóia ou ofereçam por uma só vez a quantia de 200$00, no único desejo de facilitar, aos alunos deste Colégio, o seu passeio anual.
Artº 67 Às pessoas de família dos alunos ou a qualquer outra pessoa integrada na nossa obra, é-lhes permitida a inscrição como sócios, com todas as regalias e obrigações contidas neste regulamento.
Cabeceiras de Basto, Colégio de S. Miguel de Refojos, Setembro de 1947.
O Proprietário,
José Gonçalves Ferreiro

O Director,
Manuel Pinto Soares
fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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