Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-10-2010

SECÇÃO: Opinião

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MENINO POBRE

Menino em coiro
De pilinha ao leu
Enxuga uma lágrima
Caída do Céu

À chuva e ao vento
De calção rasgado,
Caminha descalço
Num mundo gelado
Cabelo às leiras
Que alguém cortou,
Rosto macilento
Que a fome marcou

Raramente vê
À mesa aprezigo,
Come broa seca
Porque não há trigo

Se rouba um cacho
De uvas fedelhas,
Logo o lavrador
Lhe puxa as orelhas

E quando à noite
Sem ceia, sem nada
O pai está borracho
A ceia é porrada

Na cama de pau
Dorme enroscadinho,
Não tem agasalhos
Por ser pobrezinho

Deseja ser homem
Caminhar em frente,
P’ra mostrar ao mundo
Que afinal é gente

Que belo desejo
Sentimento nobre,
Que Deus te proteja
Meu menino pobre

Por: Alexandre Teixeira

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